O Comitê de Jogos do Reino Unido planeia incorporar pagamentos em criptomoedas para combater o mercado negro, que representa 71% do setor, em parceria com a FCA para estabelecer uma estrutura regulatória até 2027.
Recentemente, o UKGC sinalizou uma mudança significativa de política, planejando explorar oficialmente a inclusão de criptomoedas no mercado regulamentado de jogos. Na conferência anual do Conselho de Jogos e Apostas (BGC) em Londres, o diretor de pesquisa e implementação de políticas, Tim Miller, afirmou que os ativos digitais estão a passar de uma área cinzenta regulatória para uma opção de pagamento mainstream.
Fonte: Lottery Daily Diretor de pesquisa e implementação de políticas do UKGC, Tim Miller
Esta iniciativa reflete o compromisso do governo britânico de transformar o país num centro global de criptografia, tentando conectar uma das maiores economias do país com as preferências de pagamento dos consumidores modernos. Dados indicam que cerca de 8% da população adulta no Reino Unido possui algum tipo de ativo digital.
Miller destacou que a missão das autoridades reguladoras agora é gerenciar a presença de criptomoedas na indústria de jogos. Ele defende uma abordagem de “exploração de possibilidades” para impulsionar a inovação, evitando barreiras pré-estabelecidas que possam dificultar o progresso.
Isso simboliza uma mudança de postura, de uma atitude cautelosa e conservadora para uma posição mais proativa, demonstrando determinação em enfrentar os desafios de transparência do blockchain e volatilidade de mercado. Com a evolução da fintech, a indústria de jogos busca alinhar suas infraestruturas de pagamento às tecnologias modernas, visando aumentar a eficiência do mercado. Essa decisão surge no contexto de uma pressão de transformação digital na indústria de jogos do Reino Unido, com o comitê acreditando que é necessário evoluir para manter a liderança global do mercado britânico.
O principal motor dessa mudança de política é a ameaça crescente de atividades ilegais de jogo ao mercado regulado. Estudos do instituto de pesquisa Yield Sec mostram que, em 2024, operadores ilegais detinham até 71% do mercado europeu de apostas online e cassinos. No Reino Unido, plataformas não licenciadas, usando streaming pirata, conquistaram 9% do mercado doméstico.
Miller revelou que evidências de pesquisa indicam que “criptomoedas” estão entre as duas principais palavras-chave que levam jogadores britânicos a sites ilegais. Isso reflete uma forte demanda dos consumidores por pagamentos digitais via carteiras digitais.
Muitos jogadores, ao utilizarem ativos digitais, acabam recorrendo a cassinos offshore sem processos de “verificação de identidade” (KYC) ou ferramentas de jogo responsável, aumentando os riscos para os usuários. Para recuperar terreno, o UKGC planeja permitir que empresas britânicas regulamentadas e tributadas aceitem pagamentos em criptomoedas, criando uma gateway segura e legal. Miller define essa iniciativa como uma medida de segurança proativa. A inovação tecnológica é fundamental para combater o mercado ilegal e proteger os consumidores, trazendo os jogadores de volta ao ambiente regulado. Por meio de canais legais, as autoridades podem monitorar melhor o fluxo de fundos e garantir que os operadores cumpram suas responsabilidades sociais, sendo uma abordagem mais eficaz do que apenas bloquear ou proibir.
Para garantir que a implementação de pagamentos em criptomoedas esteja em conformidade com a legislação, o UKGC solicitou formalmente ao seu Fórum Industrial uma avaliação aprofundada de como integrar pagamentos em criptomoedas aos três principais objetivos da Lei de Jogos: manter o setor longe do crime, assegurar transparência e justiça, e proteger crianças e grupos vulneráveis. Este plano de transformação será alinhado com a estrutura regulatória de ativos digitais da FCA, que deve estar concluída até 2026, com implementação total prevista para outubro de 2027.
Atualmente, as empresas podem solicitar licença para provedores de serviços de ativos digitais (CASP) a partir de setembro de 2026. O grupo de trabalho liderado por Miller, dedicado ao combate ao jogo ilegal, está colaborando com o setor financeiro e gigantes de mídia social para cortar de raíz os canais financeiros e digitais utilizados por operadores offshore.
Este modelo de cooperação interinstitucional, apoiado pela proposta de lei de 2000 de Serviços Financeiros e Mercados (Criptomoedas), submetida ao parlamento em dezembro de 2025, demonstra o esforço do Reino Unido em estabelecer padrões globais de governança de ativos digitais para o setor de jogos, garantindo a segurança do uso de novas tecnologias sob uma regulamentação rigorosa. Essa abordagem multissetorial visa preencher a lacuna entre o desenvolvimento tecnológico e a legislação, oferecendo diretrizes claras aos participantes do mercado.
Embora as portas para pagamentos em criptomoedas estejam se abrindo, essa mudança de política não legaliza plataformas offshore ilegais de jogos.
Miller afirmou claramente que não haverá perdão para operadores ilegais durante o processo de legalização. As entidades que operam ilegalmente enfrentarão testes de aptidão extremamente rigorosos. O processo de licenciamento do UKGC exige uma análise detalhada da integridade financeira, histórico de conformidade e compromisso com a proteção do consumidor. Muitas entidades offshore, sem registros de KYC, terão dificuldades em cumprir esses requisitos.
Além disso, os operadores regulamentados precisarão superar desafios relacionados à volatilidade de ativos, como o Bitcoin ($BTC), que impactam a capacidade de realizar avaliações financeiras precisas — uma estratégia fundamental para evitar o jogo compulsivo. A natureza pseudônima das transações blockchain também apresenta obstáculos ao combate à lavagem de dinheiro (AML) e ao financiamento do terrorismo, exigindo esforços adicionais de conformidade.
As autoridades britânicas buscam equilibrar a satisfação das demandas dos jogadores com a manutenção de altos padrões de responsabilidade social, incorporando tendências emergentes ao seu sistema regulatório para reduzir custos sociais e riscos financeiros. Se essa experiência for bem-sucedida, poderá servir de referência para a transformação digital global na indústria de jogos.
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