O juiz federal de Connecticut, Stefan Underhill, restabeleceu as acusações de fraude de direito comum do estado de Nova York contra o Digital Currency Group (DCG) e o fundador Barry Silbert, ao mesmo tempo que aprovou uma apelação interlocutória, permitindo que DCG, Silbert e o presidente da DCG, Mark Murphy, apresentem ao Tribunal de Apelações do Segundo Circuito a questão central: se o Genesis Yield é um título mobiliário.
Última decisão judicial: acusações de fraude de Nova York restabelecidas, panorama dos processos em cada estado
De acordo com a decisão mais recente do juiz Underhill, a situação atual dos processos contra a DCG e os réus relacionados é a seguinte:
Restabelecidas: Acusações de fraude de direito comum do estado de Nova York (contra Silbert, DCG e outros réus)
Prosseguindo: Ação federal de títulos mobiliários autorizada a continuar
Suspensas: Ações sob as leis de proteção ao consumidor da Califórnia, Flórida e Nova York
Arquivadas: Ações sob as leis de Illinois, Kansas, Nevada e Texas
A diferença entre as acusações de fraude de direito comum de Nova York agora restabelecidas e a ação federal de fraude de títulos reside no fato de que a primeira se concentra em saber se os executivos da empresa fizeram declarações enganosas deliberadamente, se os investidores confiaram nessas declarações e as perdas específicas sofridas; a segunda baseia-se nos requisitos de divulgação da lei federal de títulos mobiliários.
Genesis Yield é um título mobiliário? Aplicação dos Testes Howey e Reves em produtos de empréstimo de criptomoedas
A parte mais significativa desta decisão para o setor foi a aprovação da apelação interlocutória, permitindo que a questão da natureza de título mobiliário do Genesis Yield seja submetida ao Tribunal de Apelações do Segundo Circuito. O cerne da questão é que os produtos de rendimento de criptomoedas borram a linha entre "empréstimo" e "investimento": o Teste Howey examina se os investidores aplicam dinheiro em uma empresa comum com expectativa de lucros provenientes dos esforços de terceiros; o Teste Reves determina que uma nota deve ser considerada um título mobiliário, a menos que tenha características muito semelhantes a um empréstimo comercial comum.
O Genesis Yield combina características de ambos os modelos: investidores aportam criptomoedas esperando receber juros, e a Genesis consolidava esses fundos para emprestar a clientes institucionais. Caso o Segundo Circuito aceite o caso, sua interpretação de ambos os testes pode se tornar uma das primeiras decisões de apelação de referência no campo de produtos de empréstimo de criptomoedas.
Âmbitos distintos: acordo federal com a SEC, ação civil de US$ 3 bilhões em Nova York e processo em Connecticut
De acordo com relatos, existem três vias legais paralelas contra a DCG e os réus relacionados. Primeiro, o acordo federal com a SEC (anunciado em janeiro de 2025): a DCG concordou em pagar US$ 38 milhões, e o ex-CEO da Genesis, Moro, pagou US$ 500 mil separadamente para encerrar as acusações federais de fraude, sem que nenhum deles admitisse ou negasse as conclusões da investigação da SEC; a diretora interina da divisão de execução da SEC declarou que "é fundamental que as empresas e seus executivos digam a verdade ao público investidor".
Segundo, a ação civil de fraude da procuradora-geral de Nova York, Letitia James, cujo valor da reivindicação de perdas foi expandido dos US$ 1 bilhão iniciais para mais de US$ 3 bilhões.
Terceiro, o processo no tribunal federal de Connecticut (esta decisão): restabeleceu as acusações de fraude de direito comum e aprovou o encaminhamento da questão da natureza de título mobiliário do Genesis Yield para o Segundo Circuito; a DCG nega repetidamente qualquer irregularidade, classificando as acusações como "infundadas".
Perguntas Frequentes
O que é o Genesis Yield e por que é tão controverso legalmente?
Genesis Yield era um produto de empréstimo de criptomoedas oferecido pela Genesis Capital, permitindo que investidores depositassem ativos digitais para ganhar juros; a Genesis consolidava esses fundos e os emprestava a clientes institucionais. A controvérsia legal reside no fato de o produto apresentar simultaneamente características de um "contrato de investimento" (aplicável ao Teste Howey) e de um "instrumento de empréstimo em nota" (aplicável ao Teste Reves). O juiz Underhill decidiu em fevereiro de 2026 que se trata de um título mobiliário; a DCG apelou interlocutoriamente, e o resultado depende de o Segundo Circuito decidir aceitar o caso.
Quais acusações legais a DCG e Barry Silbert enfrentam atualmente?
De acordo com a decisão mais recente, os processos legais ativos contra a DCG e Barry Silbert incluem: as acusações de fraude de direito comum de Nova York restabelecidas no tribunal federal de Connecticut, a ação federal de títulos mobiliários autorizada a prosseguir e a apelação interlocutória pendente (questão da natureza de título mobiliário do Genesis Yield). Além disso, a ação civil de fraude da procuradora-geral de Nova York teve suas perdas reivindicadas expandidas para mais de US$ 3 bilhões. A DCG já havia chegado a um acordo federal com a SEC em janeiro de 2025, pagando US$ 38 milhões.
Quais são os acordos de compensação para os mais de 230 mil investidores no caso Genesis?
De acordo com relatos, a Genesis concordou em pagar US$ 2 bilhões para resolver reivindicações relacionadas a investidores; o valor das perdas na ação civil da procuradora-geral de Nova York foi expandido para mais de US$ 3 bilhões, com reivindicações contra os réus restantes ainda em andamento. A forma e o cronograma específicos da distribuição do acordo dependem dos anúncios oficiais do tribunal e do andamento do caso.