Os mercados globais de petróleo bruto registraram quedas acentuadas na segunda-feira, à medida que as tensões no Oriente Médio mostravam sinais de alívio, mas as restrições de oferta permanecem severas. Futuros de petróleo Brent e WTI caíram mais de 5% intradiariamente, com os preços se aproximando do limite psicológico de US$ 90 por barril. No entanto, mesmo que acordos da estrutura EUA-Irã se concretizem e o Estreito de Ormuz seja reaberto, a recuperação do transporte de petróleo, a retomada das operações dos campos de petróleo e os reparos das instalações exigirão períodos prolongados — forçando os mercados globais a continuar a esgotar os estoques existentes no curto prazo. O chefe da Agência Internacional de Energia (IEA), Fatih Birol, disse durante a reunião dos ministros das Finanças do G7 em Paris que os estoques comerciais de petróleo estão “despencando”, com “apenas algumas semanas” de suprimento restante devido aos impactos do conflito no Oriente Médio. Essa crise de estoques representa a principal restrição para a recuperação dos preços do petróleo no curto prazo, apesar do aparente clima de tranquilidade nos mercados após a trégua temporária EUA-Irã.
O bloqueio do Estreito de Ormuz provocou retiradas severas de estoques em mercados globais. O Goldman Sachs calculou o estoque total global de petróleo bruto — incluindo estoques comerciais e reservas estratégicas nacionais — em 101 dias de demanda no fim de abril, podendo cair para 98 dias até o fim de maio. Os estoques de produtos refinados encolheram de 50 dias de demanda antes do conflito para 45 dias atualmente.
Em um relatório de 20 de maio, o Goldman Sachs destacou o ritmo sem precedentes da depleção: as reduções diárias de estoques em maio chegaram a 8,7 milhões de barris — mais que o dobro da taxa média de retirada desde o início do conflito no Oriente Médio e o maior nível já registrado. Os dados mensais de petróleo da IEA de abril mostraram que os estoques globais de petróleo bruto e de produtos refinados estavam caindo em quase 4 milhões de barris por dia, volume que supera o consumo combinado de petróleo do Reino Unido e da Alemanha. Desde que o conflito começou, os estoques globais de óleo caíram aproximadamente 250 milhões de barris. Excluindo o petróleo bruto que ficou retido na região do Golfo e que não consegue ser transportado, a queda dos estoques é ainda maior.
A IEA alertou que “a continuidade da disrupção de oferta e a rápida redução dos estoques-tampão sinalizam picos de preço do petróleo à frente”. Se o conflito EUA-Irã terminar até o início de junho, conforme pressuposto nas projeções da IEA, os estoques cairão ainda mais até o fim de junho. Se o conflito persistir por mais tempo, a Europa poderá precisar reduzir ainda mais o consumo de petróleo. Estados-membros da IEA coordenaram liberações de reservas estratégicas para conter picos de preço, mas tiveram dificuldade para compensar a extrema rigidez nos mercados físicos.
Mesmo que o Estreito de Ormuz retome as operações, a IEA afirmou que o retorno dos fluxos comerciais à normalidade exigirá pelo menos dois a três meses, após o que produtores do Oriente Médio poderão retomar a produção normal. A agência prevê que o mercado global de petróleo bruto permanecerá em “déficit severo de oferta” até outubro, independentemente da resolução geopolítica.
O CEO da Saudi Aramco, Amin Nasser, emitiu um alerta paralelo: mesmo com a restauração imediata do transporte, os mercados precisam de meses para se rebalancear. Se as disrupções continuarem por semanas ou mais, as lacunas de oferta se estenderão até 2027. O CEO da Abu Dhabi National Oil Company (ADNOC), Sultan Al Jaber, declarou que mesmo com a resolução imediata do conflito EUA-Irã, os volumes de transporte de petróleo no Estreito de Ormuz não podem se recuperar totalmente antes do 1T ou do 2T de 2027.
O CEO da Chevron, Mike Wirth, reformulou o desafio central: “O ponto-chave não é o preço do petróleo, mas como podemos obter combustível. Nas próximas semanas, veremos [a falta de suprimentos] se espalhar por todo o sistema.”
O Chief Strategy Officer de Energy Pathways da Carlyle Group, Jeff Currie, observou que os estoques do mercado asiático de petróleo caíram para “nível de fundo do tanque” — os menores níveis operacionais — com a Europa podendo seguir o mesmo caminho e os Estados Unidos enfrentando escassez severa até julho. Currie alertou que os dados gerais de estoques globais podem ser enganosos, já que boa parte do petróleo armazenado não pode ser implantada imediatamente para uso industrial. Ele já havia advertido que escassez genuína provocaria movimentos “não lineares” nos preços do petróleo.
O banco Societe Generale avaliou que, se o Estreito de Ormuz permanecer fechado até o fim de junho, os mercados enfrentarão “pressão mais profunda e prolongada”, com alívio na oferta física possível até o fim de agosto e a normalização real do mercado podendo ser adiada até setembro. A equipe de pesquisa de commodities do banco afirmou que, embora os mercados de petróleo mantenham atualmente uma “aparência estável”, o sistema por trás está na verdade sob “tensão extrema”.
P: Quanto tempo vai levar para o Estreito de Ormuz se reabrir completamente após a resolução do conflito?
R: A IEA afirmou que o retorno dos fluxos comerciais à normalidade exige pelo menos dois a três meses depois que o Estreito retomar as operações, após o que produtores do Oriente Médio podem reiniciar a produção normal.
P: Qual é a situação atual dos estoques globais de petróleo?
R: No fim de abril, o estoque global de petróleo bruto totalizava 101 dias de demanda, potencialmente caindo para 98 dias até o fim de maio. Os estoques de produtos refinados caíram de 50 dias para 45 dias de demanda. As taxas diárias de depleção em maio chegaram a 8,7 milhões de barris — o maior nível já registrado.
P: Quando a IEA espera que o mercado de petróleo normalize?
R: A IEA projeta que o mercado global de petróleo bruto permanecerá em “déficit severo de oferta” até outubro. A Societe Generale estima que a normalização real do mercado pode não ocorrer antes de setembro de 2024, se o Estreito permanecer fechado até o fim de junho.
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