A Polymarket pagou dezenas de criadores de conteúdo para filmarem apostas falsas em réplicas bem próximas do seu site, segundo uma investigação do Wall Street Journal publicada neste sábado. O jornal analisou 1.105 vídeos de 10 criadores publicados entre dezembro de 2025 e meados de maio, e constatou que aproximadamente 70% continham apostas totalizando cerca de US$ 1,9 milhão—nenhuma delas era real. A campanha mirou usuários dos EUA por meio de um contratado de marketing, apesar de a Polymarket estar impedida de oferecer sua plataforma de mercado de previsões a americanos desde um acordo de 2022 com a Commodity Futures Trading Commission. Os criadores recebiam cerca de US$ 2.000 a US$ 3.000 por mês e foram instruídos a não revelar o arranjo, informou o Journal. A divulgação acontece enquanto a Polymarket tenta reverter as restrições do acordo de 2022 e expandir suas operações, enfrentando novas contestações legais, incluindo uma ação movida nesta semana pelo Kentucky acusando a plataforma de operar apostas esportivas sem licença.
O Wall Street Journal analisou 1.105 vídeos de 10 criadores publicados entre dezembro de 2025 e meados de maio. Uma aposta apareceu em cerca de 70% deles. Nenhuma das apostas, no valor de cerca de US$ 1,9 milhão, era real. Em um clipe de janeiro, o estudante George Makihara mostrou um ganho de US$ 100.000 em uma aposta de que o presidente Donald Trump diria “McDonald's” naquele mês. O vídeo de Trump pronunciando a palavra tinha dois meses de idade. Mais de 50 contas reais fizeram a mesma aposta em janeiro, e todas perderam, segundo o Journal.
A Polymarket criou sites-fantasma para os vídeos, incluindo um em uma URL com erro de digitação, “poiymarket.com”, que lembra o domínio real “polymarket.com” quando o “i” está em maiúsculo. Em 118 vídeos, os criadores celebraram quase US$ 900 mil em ganhos fabricados. Essas apostas teriam, na prática, perdido mais de US$ 166 mil.
Os criadores foram pagos com cerca de US$ 2.000 a US$ 3.000 por mês e orientados a não divulgar o arranjo, informou o Journal. Alguns adicionaram “@polymarket partner” nas próprias biografias apenas depois que o jornal começou a fazer perguntas. A empresa trabalhou de perto com um contratado de marketing contratado para promover o site, de acordo com o relatório.
A campanha mirou usuários dos EUA. A empresa de marketing Virality gerenciou uma rede de “clippers” e só os pagava quando pelo menos 60% do público deles estava baseado nos EUA. Os clipes renderam mais de 140 milhões de visualizações em TikTok, YouTube e Instagram, segundo a provedora de análises Tubular.
A Polymarket está impedida de oferecer sua principal plataforma de mercado de previsões a americanos desde um acordo de 2022 com a Commodity Futures Trading Commission, sob então-presidente Biden, embora eles ainda possam acessar o site por meio de uma VPN. A empresa busca reverter o efeito do acordo de 2022 e trazer de volta para o país sua bolsa offshore. O Kentucky entrou com uma ação contra a Polymarket e a rival Kalshi nesta semana, acusando as duas de operar apostas esportivas sem licença. A empresa lançou recentemente mercados sobre valuation de empresas privadas e IPOs.
A Politico informou em 5 de junho que o diretor de marketing (CMO) Matthew Modabber usou uma conta pessoal do PayPal para pagar criadores que promoviam as odds da Polymarket no X sem rotular as postagens como anúncios. A reportagem identificou que Modabber enviou pelo menos US$ 350 mil a criadores ou influenciadores, enquanto a conta enviou mais de US$ 2,5 milhões a mais de 800 pessoas no total. O Journal também informou que o streamer Adin Ross tem um acordo de vários milhões de dólares com a Polymarket, e que a Polymarket pagou “clippers” para promover ao menos 19 vídeos discutindo como operar com informações privilegiadas.
A Polymarket disse ao Journal que está “comprometida com manter mercados precisos, justos e transparentes” e planeja uma auditoria abrangente do seu conteúdo promocional. A Polymarket afirmou que proíbe negociar com base em dados roubados ou confidenciais. Segundo o dashboard de dados da The Block, a Polymarket está atrás da rival Kalshi no volume mensal, com sua bolsa regulada nos EUA ocupando um distante terceiro lugar.
O que a investigação do Wall Street Journal encontrou sobre os vídeos de marketing da Polymarket?
O Wall Street Journal analisou 1.105 vídeos de 10 criadores publicados entre dezembro de 2025 e meados de maio, e constatou que aproximadamente 70% continham apostas totalizando cerca de US$ 1,9 milhão—nenhuma delas era real. A Polymarket criou sites-fantasma, incluindo a URL com erro de digitação “poiymarket.com”, para esses vídeos, e, em 118 vídeos, os criadores celebraram quase US$ 900 mil em ganhos fabricados que, na prática, teriam perdido mais de US$ 166 mil.
Quanto os criadores de redes sociais receberam da Polymarket?
Os criadores foram pagos com cerca de US$ 2.000 a US$ 3.000 por mês e foram instruídos a não divulgar o arranjo, informou o Journal. Além disso, o diretor de marketing Matthew Modabber enviou pelo menos US$ 350 mil a criadores ou influenciadores via uma conta pessoal do PayPal, enquanto essa conta enviou mais de US$ 2,5 milhões a mais de 800 pessoas no total, segundo uma reportagem da Politico em 5 de junho.
Por que a Polymarket mirou usuários dos EUA apesar das restrições regulatórias?
A Polymarket está impedida de oferecer sua principal plataforma de mercado de previsões a americanos desde um acordo de 2022 com a Commodity Futures Trading Commission. Apesar dessa restrição, a campanha de marketing mirou usuários dos EUA por meio da empresa de marketing Virality, que gerenciou uma rede de “clippers” e só os pagava quando pelo menos 60% do público deles estava baseado nos EUA, gerando mais de 140 milhões de visualizações em TikTok, YouTube e Instagram.
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