JP Morgan: petróleo pode continuar acima de US$ 100 até 2026, ouro pode atingir US$ 6.000

LucasBennett
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Natasha Kaneva, diretora global de Pesquisas de Commodities do JP Morgan, afirmou em uma entrevista recente durante o 22º Global China Summit do banco que o fechamento do Estreito de Hormuz está impulsionando a inflação global, as taxas de juros e a precificação de commodities. Ela prevê que os preços do petróleo podem permanecer em patamares de três dígitos até o fim de 2026 mesmo se o Estreito reabrir em junho, enquanto o ouro poderia chegar a US$ 6000 por onça se as taxas reais caírem e os bancos centrais retomarem as compras. Os comentários surgem no contexto em que Kevin Warsh assumiu formalmente o cargo de presidente do Federal Reserve em 22 de maio, com o Fed mantendo uma postura mais hawkish diante de preços de energia elevados.

Kaneva atribuiu as condições atuais do mercado à interrupção, causada pelo Estreito, de cerca de 20 milhões de barris por dia de petróleo bruto e de produtos refinados—aproximadamente 25% do comércio global de petróleo por via marítima—segundo o briefing de fevereiro de 2026 da Agência Internacional de Energia. A capacidade alternativa via oleodutos em terra fica entre apenas 3,5 e 5,5 milhões de barris por dia, disponível somente para Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos. O JP Morgan elevou sua previsão de inflação global para 2026 em 1 ponto percentual e reduziu as projeções de crescimento do PIB em 23 pontos-base em resposta, embora Kaneva tenha observado que os riscos de recessão permanecem limitados devido ao desempenho resiliente das economias dos EUA e da China.

Federal Reserve Policy Stance

Os mercados atualmente precificam aproximadamente 70% de probabilidade de um aumento da taxa pelo Fed em 2026, com outro esperado em 2027, segundo Kaneva. Ela enfatizou que o presidente Warsh já afirmou repetidas vezes que as decisões de política dependerão de dados de mercado, com o presidente Trump expressando publicamente confiança na abordagem orientada por dados de Warsh. A declaração do Fed de abril citou “inflação elevada, em parte devido a aumentos recentes nos preços globais de energia” e observou que os desenvolvimentos no Oriente Médio criam “considerável incerteza” para as perspectivas econômicas. Kaneva caracterizou a inflação como apresentando “extrema rigidez” em meio a preços altos de energia, com impactos concentrados em métricas de inflação em vez de indicadores de crescimento.

Oil Price Projections

Kaneva traçou dois cenários com base nos prazos de reabertura do Estreito. No caso-base, assumindo reabertura em junho, os preços do petróleo permaneceriam acima de US$ 100 por barril até o fim de 2026 e depois cairiam para aproximadamente US$ 64 por barril até o fim de 2027, após os países do Golfo restabelecerem produção total e reconstruírem estoques. Se a reabertura for adiada para julho ou agosto, os preços poderiam atingir de US$ 120 a US$ 140 por barril. Ela apontou que o choque de oferta atual é maior do que o impacto da crise do Canal de Suez de 1956, em cerca de 10%, com os produtos refinados (gasolina, diesel, combustível de aviação, nafta) enfrentando as maiores escassez. Em 26 de maio, os futuros de petróleo WTI para entrega em julho fecharam a US$ 93,89 por barril, enquanto o Brent ficou em US$ 99,58 por barril.

Gold Market Dynamics

Kaneva identificou as taxas de juros reais e as compras dos bancos centrais como os dois principais fatores que influenciam os preços do ouro. Ela explicou que a correlação histórica inversa entre ouro e taxas reais—em que cada mudança de 25 pontos-base na taxa correspondia a um movimento de US$ 80 por onça no preço do ouro—se rompeu em 2022, quando as compras dos bancos centrais dispararam de 450 toneladas (2021) para 1080 toneladas (2022). As compras anuais permaneceram elevadas em 1051 toneladas (2023) e 1092 toneladas (2024) antes de cair para 863 toneladas em 2025, ainda acima dos níveis pré-2022. Essa compra levou o ouro de aproximadamente US$ 1700 por onça para acima de US$ 4000 por onça.

Após o conflito entre EUA e Irã, alguns bancos centrais—especialmente no Oriente Médio—reverteram o rumo, vendendo ouro para manter a liquidez em meio a receitas de exportação de petróleo limitadas. Kaneva estimou que as compras anuais atuais dos bancos centrais, em ritmo anualizado, estão entre 600 e 650 toneladas, abaixo da previsão pré-conflito de 800 a 850 toneladas. As taxas reais subiram 50 pontos-base desde o início de 2026 devido a preocupações com inflação impulsionada por energia, restabelecendo a relação inversa ouro-taxa. No caso-base com reabertura do Estreito em junho, Kaneva projeta o ouro atingindo US$ 6000 por onça até o fim de 2026 e US$ 6300 até o fim de 2027, à medida que as taxas reais caírem e os bancos centrais retomem as compras. Se o Estreito permanecer fechado, ela espera aumentos contínuos no preço do petróleo para empurrar o ouro para baixo.

Copper Supply Constraints

Kaneva informou que 2025 marca o primeiro ano de sua carreira sem o surgimento de novos projetos de mineração de cobre em registros públicos, apesar de os preços do mercado estarem em torno de US$ 13000 por tonelada versus custos de produção perto de US$ 7000 por tonelada. Ela afirmou que não se esperam adições de nova oferta até 2027. A demanda continua em alta com a eletrificação automotiva, a infraestrutura de IA e a construção de data centers. Embora os aumentos de preços de 2022-2023 tenham se originado principalmente de escassez de oferta, as condições atuais refletem tanto crescimento macro da demanda quanto déficits graves de oferta. Kaneva prevê o cobre a US$ 12500 por tonelada até o fim de 2026, com preços médios em 2027 em torno de US$ 11625 por tonelada.

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