Entre 4 de junho de 2026, 17:15 e 17:30 UTC, o Bitcoin caiu 0,58% em 15 minutos, negociando na faixa de USDT 63.117,6-63.593,3, com amplitude de 0,75%. Essa oscilação de curto prazo ocorreu em um contexto macro em que, ao longo da semana, o BTC já havia caído 4% e rompido um nível-chave de suporte, mantendo o sentimento do mercado sob pressão.
O principal motor dessa variação foi uma fissura na confiança das posições institucionais. A Strategy divulgou em 1º de junho a venda de 32 BTC. Trata-se da primeira redução de posição da empresa desde que adotou, em 2020, a estratégia de “nunca vender”; apesar do tamanho ser de cerca de US$ 2,5 milhões, o movimento quebrou a expectativa do mercado de uma manutenção de longo prazo por parte de instituições, levando investidores a questionar a estabilidade das carteiras institucionais.
Em segundo lugar, a saída líquida contínua dos ETFs de spot intensificou o “vácuo” de compras. Os dados mostram que os ETFs de Bitcoin spot dos EUA registraram saídas líquidas por 11 pregões consecutivos, com volume acumulado de aproximadamente US$ 4,4 bilhões. Em 3 de junho, a saída no dia chegou a US$ 733 milhões. A retirada da demanda pelos ETFs enfraqueceu a capacidade do mercado à vista de absorver ordens, fazendo com que qualquer pressão vendedora fosse amplificada. Ao mesmo tempo, a desalavancagem no mercado de derivativos ainda não foi concluída: após as liquidações forçadas de US$ 1,8 bilhão em 3 de junho em todo o mercado, posições compradas alavancadas tendem a disparar uma reação em cadeia quando o preço se aproxima do nível de suporte de US$ 65.000, gerando ressonância com a pressão vendedora.
No âmbito macro, também houve uma sobreposição de fatores negativos: a inflação acima do esperado enfraqueceu as expectativas de corte de juros pelo Fed. A escalada geopolítica impulsionou a alta do petróleo acima de US$ 90, e o dinheiro continuou a migrar de ativos de risco para ativos de proteção, enquanto a máxima histórica do mercado de ações dos EUA também atraiu rodadas de realocação de capital.
No curto prazo, vale acompanhar a efetividade do suporte de US$ 65.000; se ele for perdido, o preço pode testar o patamar psicológico de US$ 60.000. Em seguida, é importante monitorar continuamente o fluxo de capital dos ETFs, a dinâmica das posições institucionais e as sinalizações de política macro, para ficar atento ao risco de uma desalavancagem em cadeia no mercado de derivativos.