#夏日创作营 Dólar, ouro, petróleo e ações dos EUA sobem em conjunto; o iene cai em flecha e atinge nova mínima em 40 anos. Porque é que isto é tão estranho?



Nestas semanas, os mercados financeiros globais passaram por algo que todos os economistas não conseguem explicar. O ouro sobe, o petróleo sobe, o cobre sobe, as ações dos EUA sobem e até o dólar sobe. Cinco classes de ativos que, em teoria, deveriam estar em confronto entre si estão a subir de mãos dadas. A única a ser arrastada ao chão, esfregada e maltratada, é o iene. O par dólar/iene chegou diretamente a 163, estabelecendo a mínima de quase 40 anos desde 1986.

Os analistas de Wall Street reviraram relatórios durante a noite, tentando explicar este comportamento anómalo com vários modelos, mas por mais que tentem, nunca encaixa. Afinal, não é preciso nada tão complexo: não é uma “falha do mercado”, é uma peça gigantesca de geopolítica projetada coletivamente nos mercados financeiros. Por detrás de cada candle (K-line), há uma história geopolítica a desenrolar-se.

Primeiro: o Estreito de Ormuz, está a ser apertado até ficar travado.

Em 8 de julho, Trump anunciou no cimeira da NATO, perante todo o mundo, que o memorando EUA-Irão “terminou”. Logo a seguir, as forças militares dos EUA lançaram sucessivos ataques aéreos ao Irão durante várias noites, atingindo desde posições costeiras de mísseis até unidades de geração de energia e pontes no interior do país. O objetivo é muito claro — concentrar-se nos nós de controlo do Irão no Estreito de Ormuz.

A leitura dos especialistas em assuntos militares é praticamente unânime: não é um ataque punitivo, é uma retirada sistemática da capacidade do Irão de controlar militarmente o estreito.

A resposta do Irão chegou mais depressa do que qualquer pessoa imaginaria. Em 19 de julho, a agência de notícias Fars, citando fontes da Guarda Revolucionária, afirmou que o volume de navegação no Estreito de Ormuz já caiu para zero. Esta garganta, que assegura cerca de 1/5 do transporte global de petróleo, foi literalmente “apertada” pelo Irão. Nos países ao longo da costa do Golfo, em condições normais, a exportação diária média ultrapassa 20 milhões de barris de crude; agora, as exportações de crude do Iraque, Kuwait e Irão foram reduzidas em mais de 60%. O tráfego médio diário no estreito, que antes de 15 de julho era superior a 20 navios, em 16 de julho caiu para um dígito.

Os EUA também não ficaram parados. Em 14 de julho, os EUA anunciaram a retoma do bloqueio marítimo ao Irão, abrangendo todos os portos e zonas costeiras iranianas, sem distinguir a bandeira que os navios transportam. “Se vós bloqueais o estreito, eu bloqueio os portos.” Dois países com capacidade de fogo a mostrar, ao mesmo tempo, a postura de “enforcar” num canal de água com apenas dezenas de quilómetros de largura. Isto não é guerra — é estrangular-se mutuamente. Quem soltar primeiro, perde.

Segundo: o Estreito de Manda, a segunda “tranca” já foi colocada.

Se acha que o Estreito de Ormuz ser travado já é horrível o suficiente, a notícia seguinte pode impedi-lo de dormir melhor. Em 20 de julho, o grupo dos Houthis no Iémen anunciou um “bloqueio marítimo” à Arábia Saudita, com efeitos imediatos. Um porta-voz dos Houthis disse de forma muito direta: é “bloqueio em resposta a bloqueio”.

O alvo é o Estreito de Manda. Este estreito liga o Mar Vermelho ao Oceano Índico e é a rota marítima mais curta entre a Europa e a Ásia. As exportações energéticas de países do Golfo — como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Bahrein — além de passarem pelo Estreito de Ormuz, seguem também pelo Mar Vermelho através do Estreito de Manda para entrar no Oceano Índico. Agora, o Estreito de Ormuz está “trancado” pelo Irão, e o Estreito de Manda está a ser ameaçado pelos Houthis.

Isto não é coincidência. Quem está por detrás dos Houthis? O Irão. Quem está por detrás do Irão? Todo o eixo do “Eixo da Resistência”. Vocês estrangulam-me num ponto, e eu aperto-vos a garganta em dois estreitos ao mesmo tempo.

Ormuz e Manda: as duas maiores gargantas energéticas globais estão sob pressão ao mesmo tempo. Isto não é uma situação em que 1+1=2 — é uma situação em que 1+1=3, ou até=4, em cadeia. As companhias de navegação começaram a redesenhar rotas para contornar o Cabo da Boa Esperança; em cada viagem, são adicionados mais dezasseis dias, e os custos de seguro chegam a duplicar de imediato. Estes custos acabam por aparecer no preço do petróleo, e depois na inflação, e por fim na conta de vida de cada pessoa comum.

Terceiro: porque é que o iene se tornou o mais atingido?

O iene caiu abaixo de 163, estabelecendo nova mínima em 40 anos.

Sabe quando o iene esteve na mesma posição pela última vez? Em 1986. Naquele ano, pouco depois de serem assinados os Acordos de Plaza, o Japão era pressionado pelos EUA a valorizar o iene. Quarenta anos depois, o iene voltou ao ponto de partida, mas desta vez não para ser valorizado à força — foi para ser desvalorizado à força.

A derrocada do iene tem três camadas de razões, e cada uma está ligada à geopolítica.

Primeira camada: diferencial de juros EUA-Japão. O Banco do Japão acabou de subir as taxas em junho para 1%, o nível mais alto em 31 anos. Mas a taxa da Reserva Federal ainda está acima de 4%, o dinheiro está a fugir do Japão para os EUA — só mesmo assim o iene não iria cair.

Segunda camada: choque dos preços do petróleo. Quase toda a energia do Japão depende de importações. A subida explosiva do preço do petróleo aumenta diretamente o custo das importações, deteriora o saldo comercial, e o iene, naturalmente, fica sob pressão. E a raiz do salto do petróleo não está na oferta e na procura, está no Estreito de Ormuz.

Terceira camada: falha de política. O Ministério das Finanças do Japão utilizou, de abril a maio deste ano, uma intervenção no mercado de 11,73 biliões de ienes, um valor recorde. Mas o efeito só durou poucas semanas. O mercado ficou completamente imune aos avisos verbais — dizes a tua parte, eu continuo a vender.

O ponto de interseção destas três forças é a geopolítica. Os EUA estão a lutar no Médio Oriente; o Japão está a pagar a conta na Ásia. A Reserva Federal mantém taxas altas; o Banco do Japão é forçado a subir taxas mas não se atreve a subir demasiado — se subir demais, a economia japonesa frágil não aguenta; se não subir, o iene continua a cair até virar papel sem valor. O Governo japonês fica espremido no meio: seja qual for a escolha, está errado. Este é o custo de seguir os EUA como aliado — tens obrigações, mas não tens voz.

Dá para dizer que este “coro de alta dos ativos”, em que cada nota tem por trás o estampido de tiros geopolíticos.

O ouro sobe porque o Estreito de Ormuz foi travado;
o petróleo sobe porque as duas gargantas energéticas estão sob pressão ao mesmo tempo;
o dólar sobe porque os EUA estão a mostrar presença no Médio Oriente de forma desenfreada;
o iene cai porque o Japão está a sangrar em vez da outra guerra.

A essência deste “grande coro” é que os EUA travam uma guerra de desgaste que não conseguem vencer no Estreito de Ormuz, e o Irão tranca as gargantas energéticas globais em dois estreitos ao mesmo tempo, enquanto o Japão paga a guerra dos outros!
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#夏日创作营 Dólar, ouro, petróleo e as ações dos EUA sobem em grupo; o iene despenca para uma nova mínima em 40 anos. Por que é tudo tão estranho?

Durante este período, os mercados financeiros globais passaram por algo que nem todos os economistas conseguem explicar. O ouro sobe, o petróleo sobe, o cobre sobe, as ações dos EUA sobem e até o dólar também sobe. Cinco ativos que, em teoria, deveriam andar a “bater-se” uns contra os outros estão todos a dar as mãos e a subir em simultâneo. O único que está a ser esmagado no chão é o iene. A cotação do dólar face ao iene chegou diretamente a 163, atingindo a mínima de quase 40 anos desde 1986.

Os analistas de Wall Street passaram a noite a folhear relatórios, tentando explicar este fenómeno anómalo com todo o tipo de modelos, mas por mais que tentem, não encaixa. Na verdade, não é preciso nada tão complexo: isto não é uma “falha do mercado”; é um grande espetáculo geopolítico que está a ser projetado coletivamente nos mercados financeiros. Por detrás de cada candle, esconde-se uma história geográfica em curso.

Primeiro: o Estreito de Ormuz, que está a ser apertado até ficar bloqueado.

Em 8 de julho, Trump, na cimeira da NATO, anunciou perante o mundo que o memorando EUA-Irão “terminou”. Logo em seguida, as forças militares dos EUA lançaram, por várias noites consecutivas, ataques aéreos ao Irão. A área atingida foi desde posições costeiras de mísseis até a centrais elétricas e pontes no interior do país. O objetivo é muito claro: tudo se concentra nos pontos de controlo pelos quais o Irão gere o Estreito de Ormuz.

As interpretações dos especialistas militares são praticamente unânimes: isto não é um ataque de caráter punitivo; é uma forma sistemática de retirar ao Irão a capacidade militar de controlar o estreito.

A reação do Irão chegou mais depressa do que qualquer pessoa imaginaria. Em 19 de julho, a agência Fars, citando fontes dos Guardas da Revolução, afirmou que o volume de tráfego no Estreito de Ormuz já tinha descido para zero. A garganta por onde passa cerca de um quinto do transporte global de petróleo foi “apertada” pelo Irão. Em condições normais, os países da costa do Golfo exportam, em média, mais de 20 milhões de barris de petróleo bruto por dia. Agora, as exportações de petróleo do Iraque, do Kuwait e do Irão foram cortadas em mais de 60%. O fluxo médio diário no estreito caiu de mais de 20 embarcações antes de 15 de julho para uma dezena de unidades em 16 de julho.

Os EUA também não ficaram parados. Em 14 de julho, os EUA anunciaram a retoma do bloqueio marítimo ao Irão, abrangendo todos os portos e zonas costeiras do Irão, sem distinguir a bandeira das embarcações. Vocês fecham o estreito, nós fechamos os portos. Dois grandes países, num canal de água com apenas dezenas de quilómetros de largura, ao mesmo tempo exibiram a postura de “apertar o pescoço”. Isto não é guerra; é estrangular-se mutuamente. Quem primeiro soltar, perde.

Segundo: o Estreito de Mander, a segunda “fechadura” já foi colocada.

Se achas que o Estreito de Ormuz já estar bloqueado é terrível, as notícias que vêm a seguir podem tirar-te o sono. Em 20 de julho, os rebeldes Houthi do Iémen anunciaram um “bloqueio marítimo” à Arábia Saudita, que entrou imediatamente em vigor. O porta-voz dos Houthi foi muito direto: “Responder ao bloqueio com bloqueio”.

Estão a apontar ao Estreito de Mander. Este estreito liga o Mar Vermelho ao Oceano Índico e é a via marítima mais curta entre a Europa e a Ásia. As exportações energéticas de países do Golfo como a Arábia Saudita, os EAU, o Kuwait e o Bahrain, além de passarem pelo Estreito de Ormuz, têm como outro principal corredor o Mar Vermelho, seguindo pelo Estreito de Mander, até ao Oceano Índico. Agora, com o Estreito de Ormuz bloqueado pelo Irão, o Estreito de Mander é ameaçado pelos Houthi.

Isto não é coincidência. Quem está por trás dos Houthi? O Irão. Quem está por trás do Irão? Todo o “eixo da resistência”. Tu atacas um ponto, e eu aperto-te o pescoço simultaneamente nos dois estreitos.

Ormuz e Mander: duas das maiores gargantas energéticas do mundo a sofrerem pressão em simultâneo. Isto não é um cenário de “um mais um dá dois”; é uma reação em cadeia de “um mais um dá três”, ou até “quatro”. As empresas de transporte marítimo começam a replanejar as rotas, contornando pelo Cabo da Boa Esperança. Cada viagem passa a acrescentar mais de dez dias, e os custos de seguro chegam a duplicar diretamente. Esses custos acabam por aparecer nos preços do petróleo, nos preços dos bens, e nas contas do dia a dia de cada pessoa comum.

Terceiro: por que razão o iene acabou por ser o pior?

O iene quebra a barreira dos 163 e atinge uma nova mínima em 40 anos.

Sabes quando foi a última vez que o iene esteve neste nível? Em 1986. Nesse ano, mal tinha sido assinado o Acordo de Plaza, e o Japão estava a ser “pressionado” pelos EUA a valorizar o iene. Quarenta anos depois, o iene voltou ao ponto de partida; só que desta vez não foi forçado a valorizar, foi forçado a desvalorizar.

A desvalorização do iene tem três camadas de razões, e cada uma tem a ver com geopolítica.

Primeira camada: o diferencial de juros EUA-Japão. O Banco do Japão aumentou os juros em junho para 1%, o nível mais alto em 31 anos. Mas a taxa da Reserva Federal ainda está acima de 4%. O dinheiro sai do Japão para os EUA — se não fosse o iene a cair, era impossível.

Segunda camada: o choque dos preços do petróleo. Quase toda a energia do Japão depende de importações. Um salto brutal do preço do petróleo aumenta diretamente os custos de importação, deteriora o saldo da balança comercial e, naturalmente, pressiona o iene. Mas a origem do salto do petróleo não está em oferta e procura; está no Estreito de Ormuz.

Terceira camada: falha de política. De abril a maio deste ano, o Ministério das Finanças do Japão usou 11,73 biliões de ienes, um montante recorde, para intervir no mercado. O efeito manteve-se apenas por algumas semanas. O mercado ficou totalmente imune a avisos verbais: “Tu dizes o que tens a dizer; eu continuo a vender”.

O ponto de interseção destas três forças é a geopolítica. Os EUA estão a guerrear no Médio Oriente; o Japão está a pagar a conta na Ásia. A Reserva Federal mantém juros altos; o Banco do Japão é forçado a subir juros, mas não se atreve a subir demasiado — se subir demais, a economia japonesa, já frágil, não aguenta; se não subir, o iene continua a cair até ficar sem valor. O Governo japonês fica espremido entre as duas partes; seja qual for a escolha, é errado. Este é o custo de seguir os EUA como aliado — tens obrigações, mas não tens voz.

Dá para dizer que, nesta “grande marcha conjunta” de subida dos ativos, por detrás de cada nota há o som dos tiros geopolíticos.

O ouro sobe porque o Estreito de Ormuz está bloqueado;
O petróleo sobe porque as duas grandes gargantas energéticas estão sob pressão em simultâneo;
O dólar sobe porque os EUA estão a fazer “presença” desenfreada no Médio Oriente;
O iene cai porque o Japão está a sangrar por causa de um conflito que é dos outros.

A essência desta “grande marcha” é que os EUA travam uma guerra de desgaste que não conseguem vencer no Estreito de Ormuz; o Irão tranca as duas gargantas marítimas ao mesmo tempo; e o Japão paga a conta em nome das guerras dos outros!
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HighAmbition
· 2h atrás
2026 GOGOGO 👊
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