Senadores dos EUA: o projeto de lei CLARITY pode falhar a janela de verão ou ser adiado até 2030

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A legislação de estrutura do mercado de criptomoedas dos EUA, o “CLARITY Act”, depois de ter sido aprovada no Comité Bancário do Senado em 14 de maio, por 15:9, enfrenta agora uma forte pressão do prazo para concluir o processo legislativo em plenário antes do encerramento do Congresso em agosto. A senadora Cynthia Lummis, em entrevista à FOX Business, afirmou que, se o projeto de lei não avançar neste verão, poderá ser adiado até 2030.

Estado atual da tramitação legislativa do CLARITY Act e condições confirmadas para aprovação em plenário

O CLARITY Act não pode tornar-se lei antes de concluir os seguintes quatro passos:

Primeiro passo (concluído): aprovação no Comité Bancário do Senado — em 14 de maio de 2026, por 15:9

Segundo passo (a concluir): obter uma supermaioria de mais de 60 votos no Senado em plenário

Terceiro passo (a concluir): fundir e harmonizar com a versão do Comité da Agricultura do Senado (Digital Commodity Intermediaries Act, DCIA, aprovada no comité da agricultura, abrangendo a área sob jurisdição da CFTC)

Quarto passo (a concluir): harmonizar com a versão aprovada na Câmara em julho de 2025 e submeter para assinatura do Presidente

Neste momento, as principais questões em aberto em análise no plenário incluem: disposições relacionadas com receitas de stablecoins (stablecoin yield language), cláusulas sobre DeFi, cláusulas de ética para que responsáveis governamentais exerçam atividades ligadas a criptomoedas e a harmonização com correções técnicas ao GENIUS Act. A votação em comissão evidenciou uma clara divisão partidária: a maioria dos democratas votou contra, citando que enfraquece as leis de valores mobiliários, é insuficiente na proteção dos consumidores e não inclui cláusulas adequadas de combate à lavagem de dinheiro.

Assuntos legislativos concorrentes já confirmados na agenda do Senado

A jornalista cripto Eleanor Terrett informou que a tramitação do CLARITY Act antes do verão está a competir apenas com três outras iniciativas na agenda do Senado: o projeto de lei de reconciliação orçamental (atrasado devido a divergências sobre as verbas do Departamento de Justiça; Thune já indicou que pode não ficar concluído antes de junho), o debate do Foreign Intelligence Surveillance Act (FISA) e o projeto de lei de habitação recentemente aprovado pela Câmara. O jornalista Jake Sherman descreveu esta situação como “o Senado vai encerrar em junho e o projeto de reconciliação orçamental não ficará concluído”. As semanas efetivas de trabalho em junho e julho são extremamente limitadas, e Terrett assinala que isso cria uma enorme pressão sobre os legisladores, exigindo que se acelere o processo de finalização do projeto.

O analista de políticas Patrick Wilson respondeu também às críticas comuns ao CLARITY Act, confirmando que, na prática, a lei introduz novas exigências, incluindo novos requisitos de registo, padrões de conformidade e obrigações de combate à lavagem de dinheiro, e não a redução da regulamentação existente.

Perguntas frequentes

Porque é que o CLARITY Act precisa de 60 votos e não de uma maioria simples de 51 votos na votação em plenário?

A maioria das principais iniciativas legislativas no Senado dos EUA precisa de passar pelo procedimento de “moção de encerramento do debate” (Cloture) para avançar para a votação final, procedimento que exige 60 votos (isto é, apoio de 60 senadores). Este mecanismo é conhecido como a regra do “filibuster” (obstrução parlamentar), concebido para impedir que uma maioria simples avance à força legislação controversa. Para o CLARITY Act chegar ao debate e votação finais em plenário, tem de obter primeiro 60 votos para encerrar o debate; como o Senado tem 100 lugares, isso significa que o projeto precisa de algum apoio bipartidário para ser aprovado. As votações na comissão (15:9) indicam que a maioria dos democratas é contra, tornando difícil atingir os 60 votos.

Quais são as principais diferenças entre a versão do Senado no Comité da Agricultura (DCIA) e a do Comité Bancário em termos de repartição de competências regulatórias?

A principal diferença entre as duas versões prende-se com o âmbito de jurisdição das entidades reguladoras: a versão do Comité Bancário trata sobretudo do quadro de supervisão da SEC (Securities and Exchange Commission, Comissão de Valores Mobiliários dos EUA) para as criptomoedas, abrangendo a determinação de que ativos cripto são considerados valores mobiliários e os requisitos de conformidade das bolsas relacionadas. A DCIA do Comité da Agricultura (Digital Commodity Intermediaries Act) trata do quadro regulatório da CFTC (Commodity Futures Trading Commission, Comissão de Negociação de Futuros sobre Mercadorias) para ativos cripto (sobretudo ativos digitais com natureza de mercadoria, como Bitcoin e Ethereum). Lummis confirmou em entrevista à FOX Business que as duas versões precisam ser harmonizadas para formar um quadro completo de “supervisão dupla CFTC+SEC”, garantindo que não fique qualquer lacuna regulatória nem conflitos de jurisdição.

Porque é que Lummis diz que, se não for aprovado no verão, poderá ser adiado até 2030?

A lógica de Lummis assenta no ciclo legislativo dos EUA: cada legislatura do Congresso tem a duração de dois anos (atualmente, a 119.ª); se o projeto não conseguir completar o processo legislativo antes do fim desta legislatura (final de 2026), terá de ser reiniciado na legislatura seguinte, desde a fase de análise em comissão. O final de 2026 coincide com o ano das eleições legislativas intermédias, tornando incerta a configuração política do Congresso que se forma após as eleições; além disso, em 2027-2028, o foco legislativo mudará para o próximo ciclo de eleições presidenciais. Ao mencionar “2030”, Lummis deixa implícita a possibilidade de o tema atravessar pelo menos uma ou duas legislaturas, sublinhando que esta janela do verão é única.

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