A economia paralela de criptomoedas de 7,8 mil milhões de dólares do Irão ficou muito mais interessante

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Enquanto o mundo assiste mísseis sobrevoar o Irã, uma guerra paralela acontece na cadeia.

E tem estado a decorrer silenciosamente há anos.

O Irã legalizou a mineração de Bitcoin em 2019. O acordo? Operadores licenciados recebem eletricidade subsidiada, e o BTC minerado vai direto para o banco central. O governo usa-o para pagar importações, maquinaria, combustível, bens de consumo, sem tocar num único banco controlado pelos EUA.

Limpo. Sem fronteiras. Quase invisível.

Os números são impressionantes. A Chainalysis avaliou o ecossistema cripto do Irã em 7,78 mil milhões de dólares em 2025, mais do que o PIB das Maldivas, e a crescer mais rápido do que no ano anterior.

Isto não é uma solução marginal. É infraestrutura.

O IRGC não só participa, como domina

Endereços ligados ao IRGC representaram mais de 50% do total de entradas de criptomoedas no Irã no quarto trimestre de 2025, com mais de 3 mil milhões de dólares recebidos no ano passado. E esses são apenas as carteiras que conhecemos — as que já estão na lista de sanções. O número real é quase certamente maior.

O Tesouro dos EUA sancionou desde então duas exchanges de criptomoedas registadas no Reino Unido — Zedcex e Zedxion — por facilitar transações do IRGC. Uma delas processou mais de 94 mil milhões de dólares em transações desde 2022. Deixe isso assentar.

Stablecoins são a outra metade da equação

O banco central do Irã acumulou pelo menos 507 milhões de dólares em USDT, comprados sistematicamente através de uma rede de cerca de 50 carteiras cripto — enquanto o rial atingiu um mínimo histórico de 1,47 milhões por dólar e a inflação chegou a 42,5%. A jogada com stablecoins não estava a salvar o rial. Estava a substituí-lo.

Entretanto, o centro de exportação de defesa do Irã, a Mindex, agora aceita abertamente cripto para exportação de armas. Mísseis. Aeronaves. Tanques. Navios. O site lista “a criptomoeda acordada no contrato” como método de pagamento aceite.

Isto já não é apenas evasão de sanções. É uma economia paralela com as suas próprias vias.

Depois, as coisas complicaram

Em junho de 2025, a Nobitex — a maior exchange de cripto do Irã, com mais de 11 milhões de utilizadores — foi alvo de um ciberataque de 90 milhões de dólares atribuído ao grupo israelense Predatory Sparrow. Os atacantes não sacaram o dinheiro. Transferiram os fundos para endereços de carteiras de vaidade que referenciavam o IRGC, garantindo que o dinheiro permanecesse permanentemente congelado. Isto foi uma guerra financeira, não um roubo.

As consequências foram imediatas. As transações de entrada na Nobitex caíram 70% face ao ano anterior. Junho registou uma contração de 50% nos fluxos de cripto em comparação com o ano anterior. Julho caiu 76%.

Depois, a Tether entrou em ação. Em julho de 2025, a Tether executou o seu maior congelamento de fundos ligados ao Irã, bloqueando 42 endereços cripto, mais da metade dos quais estavam fortemente ligados à Nobitex.

A resposta do Irã? O banco central impôs restrições de negociação noturnas, limitando o horário de funcionamento das trocas entre as 10h e as 20h. Quando o sistema financeiro entra em crise, o primeiro instinto é o controlo.

Mas aqui está o que torna esta história maior do que sanções

As operações de mineração ligadas ao IRGC no Irã têm consumido quantidades colossais de energia a tarifas altamente subsidiadas — efetivamente roubando eletricidade da rede nacional. O custo de cortes de energia para a economia do Irã é estimado em mais de 25 mil milhões de dólares por ano. Os cidadãos comuns ficam às escuras enquanto o regime mina Bitcoin.

E, no entanto — esses mesmos iranianos também usam cripto para sobreviver. Para a maioria das pessoas no Irã, cripto é principalmente sobre acesso. Proteção contra uma inflação de mais de 40%. Transferir poupanças antes que o rial perca mais 20%. Tirar dinheiro durante blackouts de internet.

Cerca de 22% da população iraniana já usa criptomoedas. Não para especulação. Para sobrevivência.

Então, o que acontece agora?

Novos ataques dos EUA e de Israel estão a visar a infraestrutura que mantém tudo isto a funcionar. Redes elétricas. Operações de mineração. Nós de transação financeira. O mesmo sistema que o regime usa para financiar exportações de armas é o mesmo sistema que os iranianos comuns usam para proteger as suas poupanças.

Essa dualidade, arma do Estado E lifeline civil, é o que torna esta situação diferente de qualquer outra no mundo.

O conflito não é apenas militar. É financeiro. E está a desenrolar-se numa blockchain pública, para quem estiver atento.

Este artigo foi originalmente publicado como Irã’s $7.8B Crypto Shadow Economy Just Got a Lot More Interesting no Crypto Breaking News – a sua fonte de confiança para notícias de cripto, notícias de Bitcoin e atualizações de blockchain.

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