
Vitalik Buterin, cofundador do Ethereum, vendeu 704,84 ETH (cerca de 1,63 milhões de dólares) durante a recuperação do mercado, doando-os para Kanro no combate à pandemia. Na semana passada, retirou 16.384 ETH para um plano de cinco anos, devido à fase de aperto financeiro da Fundação Ethereum, assumindo pessoalmente projetos especiais. Ainda possui 235.268 ETH, mas seu patrimônio caiu de 800 milhões de dólares para 569 milhões de dólares.

Recentemente, Vitalik Buterin, cofundador do Ethereum, vendeu uma pequena parte de seus ETH, realizando uma série de transações na blockchain que totalizaram mais de 700 tokens. Essas vendas foram rastreadas por plataformas de análise de blockchain, mostrando que parecem estar alinhadas com planos de financiamento de projetos de longo prazo, e não com liquidações motivadas pelo mercado. Segundo o relatório do Lookonchain, Buterin vendeu 211,84 ETH por aproximadamente 500.000 USDC. Todo o valor foi transferido para Kanro, uma organização beneficente fundada pelo cofundador do Ethereum.
A Kanro dedica-se a apoiar pesquisas e projetos contra doenças infecciosas, especialmente após a pandemia de COVID-19. Buterin sempre buscou usar os fundos obtidos com a venda de criptoativos para fins beneficentes. Em janeiro de 2025, vendeu 28 diferentes memecoins, totalizando cerca de 984.000 USDC. Esses lucros foram doados à Kanro, reforçando seu compromisso de longo prazo com a filantropia. Essa continuidade na doação revela a postura de Vitalik em relação à riqueza cripto: vê-la como uma ferramenta para alcançar objetivos sociais, e não como um fim em si mesma.
Após a venda inicial de ETH, Buterin continuou vendendo. Segundo o Lookonchain, ele vendeu mais 493 ETH. No total, vendeu 704,84 ETH, avaliado na cotação atual, aproximadamente 1,63 milhão de dólares. Essa quantidade é insignificante em relação ao seu portfólio total; de acordo com dados recentes da Arkham, ele ainda possui 235.268 ETH, avaliado em cerca de 549,2 milhões de dólares, além de pequenas quantidades de WETH e aETHwETH.
Devido a fatores adversos no mercado, os preços dos ativos caíram, e o valor total de sua carteira caiu para mais de 569 milhões de dólares, abaixo dos mais de 800 milhões anteriores. A fortuna de Vitalik encolheu de 800 milhões para 569 milhões de dólares, uma queda de aproximadamente 29%, alinhada com a queda do preço do Ethereum no mesmo período. Essa redução de patrimônio é comum para fundadores que possuem ativos concentrados; Vitalik não vendeu para evitar esse risco, demonstrando confiança no valor de longo prazo do Ethereum.
Essa venda não foi totalmente inesperada. Na semana passada, Vitalik publicou no X (antigo Twitter) que retirou 16.384 ETH para investimentos de longo prazo nos próximos anos. O número é simbólico: é 2 elevado à 14ª potência, refletindo sua preferência por matemática estética. Esses ETH, ao preço atual, valem cerca de 37,86 milhões de dólares, uma quantia considerável.
“Nos próximos cinco anos, a Fundação Ethereum entrará em uma fase de aperto mais moderado”, afirmou ele, “e, pessoalmente, assumirei responsabilidades que, em outros momentos, poderiam ser consideradas ‘projetos especiais’ da fundação.” Essa declaração revela que a ecologia do Ethereum está passando por ajustes financeiros. Durante o mercado de alta, a fundação acumulou uma grande quantidade de ETH, mas com a queda de preços e aumento de despesas, sua situação financeira pode estar sob pressão.
Ao assumir pessoalmente alguns projetos antes financiados pela fundação, Vitalik está, na prática, usando sua riqueza pessoal para apoiar o desenvolvimento do ecossistema Ethereum. Essa prática não é incomum na indústria de tecnologia; fundadores como Larry Page e Sergey Brin, do Google, também usaram recursos pessoais para apoiar projetos experimentais como o Google X. Contudo, para projetos de blockchain descentralizados, a intervenção profunda de um fundador com recursos pessoais levanta questões sobre o grau de descentralização.
Ele explica que esses fundos serão usados para apoiar o desenvolvimento de hardware e software de código aberto, seguros e verificáveis, abrangendo áreas como finanças, comunicação, governança, sistemas operacionais, hardware de segurança e biotecnologia, incluindo saúde pessoal e saúde pública. Buterin também mencionou que está explorando soluções de staking descentralizado seguras, para obter mais fundos ao longo do tempo, possivelmente por meio de staking de ETH para gerar rendimentos estáveis, ao invés de vendas pontuais.
Hardware e software de código aberto: Apoio ao desenvolvimento de tecnologias seguras e verificáveis
Finanças e governança: Infraestrutura de finanças descentralizadas e ferramentas de governança
Comunicação e sistemas operacionais: Comunicação privada e hardware seguro
Biotecnologia: Pesquisa em saúde pessoal e saúde pública (via Kanro)
“Continuaremos focados no desenvolvimento do Ethereum, com firmeza. ‘Ethereum está em toda parte’ é ótimo, mas nossa prioridade é ‘fornecer Ethereum para quem precisa dele’, não monopolizar, mas garantir soberania individual e uma infraestrutura básica que possibilite cooperação, não dominação”, acrescentou Buterin. Essa declaração revela seu compromisso com a visão do Ethereum e explica por que ele está disposto a usar sua riqueza pessoal para apoiar essa visão.
Ao mesmo tempo, a venda de ETH por Vitalik parece não ter afetado diretamente o performance do ativo. Como a segunda maior criptomoeda por valor de mercado, o Ethereum continua alinhado com a tendência geral do mercado, que mostra sinais de recuperação. Segundo dados do BeInCrypto Markets, o ETH subiu cerca de 5% nas últimas 24 horas. No momento da publicação, seu preço de negociação era de 2.312,6 dólares.
Essa movimentação de preço, desconectada da venda de Vitalik, revela dois pontos importantes. Primeiro, a venda de 700 ETH é insignificante frente ao volume diário de milhões de ETH negociados, não tendo impacto substancial no mercado. Segundo, o mercado já está acostumado com o padrão de vendas periódicas de Vitalik para caridade e investimentos na ecologia, e essas vendas transparentes, com propósito claro, não são interpretadas como sinal de pessimismo.
A transparência de Vitalik na venda é fundamental. Ele anunciou antecipadamente seus planos de retirada, explicou o uso dos fundos e realizou as transações na blockchain de forma pública. Essa transparência elimina preocupações de “fundador fugindo”. Em contraste, muitos fundadores de projetos criptográficos vendem tokens secretamente, o que, após descoberta, provoca pânico e queda de preços. A postura de Vitalik estabelece um padrão de responsabilidade na gestão de participações.
A venda durante a recuperação do mercado também mostra que Vitalik não busca maximizar o timing da venda. Se quisesse obter o máximo de lucro, venderia quando o ETH atingisse 4.000 dólares, não aos 2.300. Essa estratégia de venda subótima demonstra sua motivação genuína: precisa de fundos para seus planos, não quer lucrar na alta.
Para os detentores de ETH, a venda de Vitalik pode até ser um sinal positivo. O fundador está disposto a usar sua riqueza pessoal para apoiar o desenvolvimento do ecossistema, reforçando seu compromisso com o Ethereum. Se Vitalik estivesse pessimista quanto ao Ethereum, a ação racional seria vender tudo e migrar para outros ativos, ao invés de vender menos de 0,3% de sua participação para caridade e projetos ecológicos.
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