A equipa da Academia Chinesa de Ciências capturou, pela primeira vez, todo o processo de “crescimento” do ouro na superfície de pirite através de um microscópio eletrónico de transmissão in situ, trazendo uma nova perspetiva para técnicas de extração de ouro a baixas temperaturas e com baixa poluição.
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O ouro tem atingido consecutivamente novos máximos históricos recentemente, mantendo o sentimento dos investidores em alta. Uma notícia interessante é que a equipa da Academia Chinesa de Ciências e do Instituto de Geociências de Guangzhou publicou uma pesquisa que capturou imagens completas da formação de ouro na superfície de pirite em solução aquosa, gerando discussões no setor de mineração e no mercado de commodities.
Os investigadores utilizaram um microscópio eletrônico de transmissão de fase líquida in situ, colocando uma solução contendo ouro com concentração de apenas 10 ppb junto com cristais de pirite em uma cuba de observação fechada.
Na 13ª minuto, a câmara capturou a formação de uma camada densa de líquido na superfície do cristal; até ao 20º minuto, partículas de ouro em nanoescala começaram a nucleação e a aglomerar-se dentro dessa camada. Este experimento demonstrou, pela primeira vez, que não é necessário calor ou alta pressão; sob condições moderadas próximas da superfície terrestre, a pirite pode promover a redução de íons de ouro, formando ouro metálico.
Fonte da imagem: Instituto de Geociências de Guangzhou, Academia Chinesa de Ciências
De acordo com o relatório do Wen Wei Po, o ponto-chave está no fato de que, durante a dissolução da pirite, há um consumo massivo de moléculas de oxigênio na solução, levando a uma rápida diminuição da oxigenação local. Este ambiente de baixa oxigenação força os elétrons dos íons de ouro a serem adquiridos, precipitando como ouro metálico.
Este resultado desafia a visão tradicional de que “o ouro mineral provém de fluidos hidrotermais profundos na crosta terrestre”, explicando por que frequentemente se encontram partículas de ouro em associação com pirite em leitos de rios ou zonas de intemperismo superficial.
No passado, a extração de ouro dependia principalmente de cianetação, que consome muita energia, é tóxica e frequentemente questionada por investidores ESG. A reação química na interface revelada por este estudo fornece uma base teórica para o desenvolvimento de processos de extração de ouro a baixas temperaturas e com menor toxicidade.
Se for possível simular artificialmente o microambiente da camada de líquido denso, há potencial para recuperar metais preciosos de minérios de baixo teor ou de pilhas de rejeitos, sem o uso de reagentes altamente tóxicos, reduzindo custos e melhorando a sustentabilidade ambiental.
Embora a concentração utilizada nos experimentos seja extremamente baixa, próxima de corpos de água naturais, a escala industrial ainda enfrenta desafios relacionados à taxa de reação, controle do líquido e custos. A equipe de pesquisa ainda não anunciou um plano para produção em larga escala. No entanto, este resultado pelo menos comprova o conceito de que “camadas superficiais e temperaturas baixas também podem gerar ouro”, abrindo novas direções para o desenvolvimento e recuperação de minas de ouro globais.