

(Fonte: Youtube)
As notícias de que a Venezuela possui Bitcoin surgiram após as forças armadas dos EUA, sob instruções do presidente Trump, terem detido o então presidente Maduro e o terem levado para Nova York, EUA, para enfrentar acusações criminais. Na segunda-feira, o presidente da SEC, Atkins, respondeu às notícias durante uma entrevista ao apresentador Stuart Varney, do Fox Business, sobre a alegada posse de Bitcoin avaliada em até 600 mil milhões de dólares pela Venezuela.
“Deixei essa questão para outros no governo lidarem — eu não participo,” disse Atkins ao ser questionado se os EUA poderiam “confiscar o seu Bitcoin”. Essa postura cautelosa não nega a possibilidade de confisco, nem promete ações específicas, deixando espaço para futuras opções de política. O presidente da SEC afirmou que, se os EUA tiverem a oportunidade de descobrir os supostos 600 mil Bitcoins, a ação a ser tomada (se houver) “ainda está por ser observada”.
No entanto, até o momento da publicação, analistas de blockchain e plataformas de inteligência ainda não confirmaram as notícias sobre a posse de criptomoedas avaliadas em 600 mil milhões de dólares pelo país. Vários analistas de blockchain afirmaram que não conseguem verificar se esse país latino-americano realmente possui esse volume de ativos digitais. Se a Venezuela realmente possuir 60 mil Bitcoins, isso a tornaria a quarta maior detentora de Bitcoin no mundo, atrás apenas dos EUA, China e possivelmente Ucrânia. Um volume dessa magnitude não pode ser completamente ocultado, devendo deixar rastros rastreáveis na blockchain.
Fatos conhecidos: lançamento do Petro em 2018, uma moeda digital apoiada por reservas de petróleo, mas que fracassou
Dúvidas desconhecidas: impossibilidade de analistas de blockchain confirmarem a posse de 600 mil milhões de dólares em Bitcoin
Dilema na blockchain: tal volume de posse deveria ser rastreável na cadeia, mas atualmente não há evidências públicas
Mistério da origem: se for verdadeiro, como a Venezuela acumulou tamanha quantidade sob sanções permanece um enigma
O regime de Maduro já esteve envolvido em alguns setores dessa indústria. O país lançou em 2018 uma moeda digital apoiada por petróleo, o Petro, tentando contornar as sanções dos EUA. No entanto, o Petro nunca foi amplamente adotado, e a comunidade internacional questiona seu valor real. Se a Venezuela realmente possuir 60 mil Bitcoins, isso pode ser resultado de anos de acumulação secreta através de exportações de petróleo, mas isso exigiria operações complexas na blockchain e intermediários para esconder os fluxos de fundos.
Mesmo que os EUA decidam confiscar os Bitcoins da Venezuela, a operação enfrenta grandes obstáculos. Primeiramente, a base legal. A apreensão e o congelamento tradicionais de ativos aplicam-se a contas bancárias, imóveis e participações empresariais, que estão sob jurisdição de leis locais. Mas o Bitcoin é um ativo digital descentralizado, que não reside em um país específico, sendo controlado por chaves privadas. Se o governo venezuelano não entregar as chaves, os EUA não poderão transferir esses Bitcoins por força técnica.
Em segundo lugar, a identificação. Mesmo que a Venezuela realmente possua Bitcoins, como determinar quais endereços na blockchain pertencem ao governo? Os endereços de Bitcoin não contêm informações de proprietário, a menos que sejam vinculados por exchanges ou serviços de terceiros, dificultando a associação com uma entidade específica. Se a Venezuela usar intermediários ou serviços de mistura, o rastreamento se torna exponencialmente mais difícil.
Terceiro, questões de direito internacional. Confiscar unilateralmente ativos de outro país soberano, mesmo que o regime seja derrubado, pode gerar controvérsia internacional. Essa precedência pode alarmar outros países que possuem ativos em dólares, acelerando o processo de desdolarização. Do ponto de vista geopolítico, os custos a longo prazo podem superar os benefícios de 600 mil milhões de dólares no curto prazo.
Historicamente, os EUA já confiscaram criptomoedas, mas principalmente envolvendo criminosos e mercados clandestinos. Após o fechamento da Silk Road em 2013, o FBI confiscou cerca de 170 mil Bitcoins. Em 2022, após a operação contra hackers do Bitfinex, o Departamento de Justiça confiscou aproximadamente 94 mil Bitcoins. Esses casos envolvem atividades criminosas dentro dos EUA, e são bem diferentes do confisco de ativos de um país soberano.
Nos dias anteriores às declarações de Atkins, o Comitê Bancário do Senado dos EUA planejava discutir na quinta-feira a Lei de Transparência do Mercado de Ativos Digitais (CLARITY). A Câmara aprovou o projeto em julho, mas ele tem sido revisado no Senado por meses, possivelmente atrasado devido às fechaduras do governo por 43 dias em outubro e novembro.
Bancos e algumas empresas de criptomoedas também expressaram preocupação com cláusulas relacionadas a incentivos de stablecoins no projeto, e há relatos de que muitos democratas pedem maior restrição ética e esclarecimentos sobre regulações de finanças descentralizadas. Com as eleições de meio de mandato em 2026 e uma possível nova paralisação do governo no final de janeiro, o projeto pode ser adiado.
No entanto, os rascunhos iniciais do projeto indicam que os legisladores tentam conferir à Commodity Futures Trading Commission (CFTC) maior autoridade para regular ativos digitais. Essa transferência de poder regulatório significaria que as criptomoedas seriam mais vistas como commodities do que como valores mobiliários, o que seria uma grande vitória para o setor. A atuação agressiva da SEC contra o setor nos últimos anos gerou controvérsia, e a intervenção da CFTC pode trazer uma estrutura regulatória mais clara.
A aprovação do projeto CLARITY também impacta indiretamente a questão do Bitcoin na Venezuela. Se a lei definir claramente o status legal dos ativos digitais e os procedimentos de confisco, ela fornecerá ferramentas legais para os EUA lidarem com os ativos do regime de Maduro. Mas, se o projeto continuar atrasado, as operações relacionadas podem ficar em um vácuo legal.
De uma perspectiva mais macro, a questão do Bitcoin na Venezuela destaca a complexidade jurídica de os países soberanos possuírem ativos digitais. Diferentemente das reservas cambiais tradicionais, o caráter descentralizado do Bitcoin dificulta congelamentos ou confisco unilaterais. Essa característica é uma ferramenta tanto para regimes autoritários evitarem sanções quanto para protegerem ativos nacionais de interferências externas.
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