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Estive analisando alguns dados do mercado de commodities e há uma história bastante interessante na produção global de minério de ferro nos mercados mundiais que a maioria das pessoas não costuma prestar muita atenção. A dinâmica de oferta mudou bastante nos últimos anos.
Então, aqui está o que chamou minha atenção: a Austrália domina completamente, com cerca de 960 milhões de toneladas métricas de minério de ferro utilizável em 2023. Isso nem chega perto—eles produzem quase o dobro do que o Brasil produz. A região de Pilbara é basicamente o epicentro da produção mundial de minério de ferro nas cadeias de suprimento globais. Você tem BHP, Rio Tinto, Fortescue operando operações enormes lá. É impressionante como essa produção é concentrada em uma única região geográfica.
O Brasil fica em segundo lugar com 440 milhões de toneladas métricas, e a maior parte disso vem de apenas dois estados—Pará e Minas Gerais. A mina de Carajás, da Vale, é a maior mina de minério de ferro individual do planeta. O que é interessante é como as exportações brasileiras têm aumentado enquanto os embarques australianos têm se mantido mais estáveis. Essa mudança na oferta realmente influencia os preços.
Agora, aqui é onde fica mais complexo: a China produz 280 milhões de toneladas métricas domesticamente, mas consome muito mais do que isso. Eles estão importando mais de 70 por cento do minério de ferro marítimo global, apesar de serem o terceiro maior produtor do mundo. Essa é a verdadeira força motriz dos preços—a demanda chinesa é basicamente quem define o mercado.
A Índia vem subindo na classificação e atingiu 270 milhões de toneladas métricas em 2023, contra 251 no ano anterior. A estatal NMDC está mirando 60 milhões de toneladas por ano até 2027. A Rússia está em 88 milhões, embora as sanções tenham impactado bastante a capacidade de exportação deles. O Irã, na verdade, tem aumentado a produção—passou de 10º maior em 2021 para 6º em 2023, agora com cerca de 77 milhões de toneladas métricas.
Canadá, África do Sul, Cazaquistão e Suécia completam o top 10, mas a produção combinada deles ainda é menor do que a da Austrália sozinha. Quando olhamos para a produção total de minério de ferro nos mercados mundiais, é realmente uma história de alguns poucos países controlando a oferta. Austrália e Brasil juntos representam quase 40 por cento da produção global.
O mercado também tem sido interessante. Os preços atingiram aquele pico louco de mais de $220 por tonelada em 2021, despencaram para US$ 84, depois se recuperaram para algo entre US$ 120-130 ao longo de 2023. Começou 2024 forte, mas foi impactado pela desaceleração do setor imobiliário na China. Anúncios recentes de estímulos e cortes de juros podem mudar as coisas novamente. Vale a pena ficar de olho se você acompanha mercados de commodities ou pensa em exposição a empresas de mineração.