Acabei de ler algo que me deixou pensando. Resulta que ter peitos grandes, que muitas pessoas consideram uma bênção, na verdade pode ser bastante complicado para a saúde de quem os tem. Não é apenas uma questão estética, mas que afeta a qualidade de vida de verdade.



O caso de Raquel, uma professora argentina, é bastante revelador. Desde adolescente sofria de dor crónica nas costas, mas no seu país isso não era visto como um problema e sim como uma vantagem. As pessoas diziam-lhe que tinha sorte, quando na realidade ela estava a sofrer. Chegou ao ponto de caminhar curvada tentando esconder o seu corpo porque se sentia envergonhada. Quando finalmente fez uma cirurgia de redução, conta que sentiu uma liberdade que nunca tinha experimentado antes.

O que é interessante é que isto não é algo isolado. Os dados de 2024 mostram que foram realizadas mais de 652 mil reduções mamárias a nível mundial. O Brasil lidera a lista com 115 mil procedimentos, seguido pelos Estados Unidos com 67 mil. Em muitos casos, as mulheres relatam problemas nas costas, dores de cabeça, má postura e até dificuldades para dormir.

Raquel menciona que precisava usar dois ou três soutiens ao mesmo tempo, e em Portugal isso representava um gasto importante porque os soutiens para peitos grandes são muito caros. Além disso, os seus peitos grandes impediam-na de fazer exercício com conforto, algo que ela adorava como pessoa ativa.

A doutora Nora Nugent, presidente da Associação Britânica de Cirurgiões Plásticos Estéticos, explica que os seios grandes são literalmente pesados e tendem a puxar para a frente, causando tensão constante nas costas e pescoço. Nas suas pacientes, normalmente remove entre 500 e 800 gramas de cada seio, embora às vezes as quantidades sejam maiores. No caso de Raquel, foram 2,5 quilos no total.

Há algo fascinante que a professora Joanna Wakefield-Scurr na Universidade de Portsmouth descobriu. Ela é especialista em biomecânica e percebeu que sabemos muito pouco sobre como deveria funcionar realmente um bom soutien do ponto de vista da saúde. A sua investigação identificou que um soutien inadequado pode causar dor, esticar a pele, afetar a respiração e até alterar o ritmo cardíaco. Descobriram que os seios se movem num padrão de oito durante o exercício, e a chave está em desacelerar esse movimento.

Agora trabalham com atletas de elite, incluindo a seleção feminina de futebol de Inglaterra, para desenhar soutiens que realmente funcionem. É interessante ver que organizações como a FA estão a investir recursos em iniciativas de saúde para as atletas, algo que praticamente não acontecia há cinco anos.

Raquel comenta que se sentiu julgada por muitas pessoas quando decidiu fazer a cirurgia. As pessoas assumiam que era por vaidade, não por saúde. Mas ela está completamente satisfeita com a sua decisão, especialmente agora que está na menopausa. Diz que não consegue imaginar como teria conseguido lidar com peitos grandes nesta fase da sua vida.

A doutora Nugent afirma que o aumento no número de pacientes a procurar redução mamária reflete uma mudança na forma como as pessoas entendem o autocuidado. Já não se trata apenas de procurar perfeição, mas de procurar saúde e bem-estar reais. É uma mudança importante na conversa.
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