Acabei de revisar as reações do setor agropecuário ao discurso de Milei na abertura de sessões, e há bastante para analisar aqui.



O primeiro ponto que salta é que a liderança rural celebra o objetivo de atingir 300 milhões de toneladas de grãos, mais do que o dobro do que se produz hoje. Isso é forte. Mas há um porém importante: tudo continua condicionado ao equilíbrio fiscal para reduzir as retenções. E é aí que começa o ruído.

Gustavo Idígoras, do Ciara e CEC, foi bastante claro: veem o Brasil como o espelho a seguir. Dizem que a eliminação gradual das retenções combinada com tecnologia na soja é o que falta aqui para sair do estagnamento. A mensagem é simples: sem redução das retenções, difícil alcançar esses números que Milei promete.

Da Federação Agrária, Andrea Sarnari destacou o positivo: que o campo seja central para a recuperação econômica, as menções à infraestrutura ferroviária, financiamento e sistemas de irrigação. Mas também foi direta sobre o que preocupa: muitas atividades estão passando dificuldades, com custos que não cobrem os investimentos.

Agora, o tema que gera mais tensão é a reforma da propriedade intelectual em sementes. Sarnari foi clara ao se opor à UPOV 91, preferindo manter a UPOV 78. É um ponto onde o governo e o setor não estão totalmente alinhados.

Lucas Magnano, do Coninagro, foi direto: com 26 por cento de retenções na soja, chegar a 300 milhões de toneladas será muito difícil. Lembrou que, quando reduziram os direitos no trigo, os produtores responderam com a maior colheita da história. A mensagem implícita é que Milei precisa cumprir de verdade com a redução das retenções, não só em teoria.

Da Carbap, Ignacio Kovarsky destacou o problema institucional: não há horizonte certo sobre quando irão reduzir as retenções. O setor pede certezas, não promessas condicionadas ao superávit.

Resumindo, o setor rural vê bem o discurso de Milei sobre o potencial produtivo, mas há ceticismo real. Celebram a direção, mas duvidam dos prazos e pedem clareza. A redução das retenções não é apenas uma questão econômica, é o termômetro de se o governo realmente aposta no campo ou se são apenas palavras.
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