Panorama Global do Fornecimento de Estanho: Como os Países de Maior Produção Moldam o Mercado

O mercado global de estanho experimentou uma volatilidade significativa em 2024, impulsionada por restrições de oferta de países produtores principais e pelo aumento da procura nos setores de energia renovável e semicondutores. Os preços do estanho atingiram um pico de aproximadamente US$35.575 por tonelada métrica em abril, antes de moderarem para cerca de US$28.000 até ao final do ano. Esta trajetória de preços reflete desequilíbrios fundamentais entre oferta e procura centrados em alguns países-chave que dominam a produção mundial. Compreender quais as nações que lideram a produção de estanho — e como as perturbações nesses países reverberam nos mercados globais — é essencial para investidores que acompanham tendências de commodities e resiliência das cadeias de abastecimento.

De acordo com dados compilados pelo US Geological Survey, um grupo concentrado de países controla a grande maioria da oferta de estanho. Os principais países produtores de estanho representam cerca de 80% da produção global, tornando a estabilidade operacional e as políticas comerciais desses países fatores críticos na determinação dos preços de mercado. Tensões geopolíticas recentes, suspensões de mineração e mudanças de políticas nos principais produtores têm remodelado fundamentalmente o panorama da oferta de estanho rumo ao final dos anos 2020.

A Posição Dominante da China e os Novos Controles de Exportação Emergentes

A China reforçou a sua posição como maior país produtor de estanho em 2023, extraindo 68.000 toneladas métricas — uma ligeira diminuição face às 71.000 toneladas em 2022, mas ainda representando aproximadamente um terço da produção global. O país também detém as maiores reservas mundiais de estanho, com 1,1 milhão de toneladas métricas, sublinhando o seu domínio a longo prazo na disponibilidade de oferta.

No entanto, o papel crítico da China na oferta global de estanho enfrenta novos obstáculos. Em dezembro de 2024, Pequim impôs restrições de exportação a minerais essenciais, incluindo gálio, germânio e antimónio, sinalizando uma escalada no conflito comercial com os Estados Unidos. Analistas esperam amplamente que o estanho seja adicionado a esta lista de exportações restritas, à medida que ambos os países competem para assegurar cadeias de abastecimento para tecnologias de semicondutores e energia renovável. Tais restrições poderiam perturbar fundamentalmente os mercados globais de estanho, potencialmente elevando os preços de forma significativa e forçando os fabricantes a procurar fontes alternativas.

Perturbações na Oferta no Sudeste Asiático: a Crise de Myanmar e a Retirada da Indonésia

Myanmar emergiu como a segunda maior nação produtora de estanho em 2023, com 54.000 toneladas métricas, um aumento substancial face às 47.000 toneladas em 2022. Este crescimento colocou o país à frente da Indonésia, que quase igualou a produção da China no ano anterior. A produção de Myanmar concentra-se no estado autônomo de Wa, lar da mina Man Maw — uma das operações de maior produção de estanho do mundo.

No entanto, a rápida ascensão de Myanmar oculta uma crise séria de oferta. Em abril de 2023, as autoridades do estado de Wa anunciaram uma suspensão abrangente da mineração a partir de agosto, para realizar auditorias industriais e implementar novas regulamentações. A proibição devastou a oferta global de estanho: a Man Maw e outras operações foram encerradas, e até meados de 2024, não houve reinício significativo. Esta única perturbação restringiu os fluxos de concentrado de estanho para a China e Indonésia, elevando os preços ao longo de 2024 e obrigando os compradores a racionar as suas entregas. Analistas da BMI Research citaram as restrições de Myanmar como um dos principais fatores para revisões ascendentes nas previsões de preço do estanho para 2024, para US$30.000 por tonelada métrica.

A Indonésia, terceira maior produtora, registou 52.000 toneladas métricas em 2023, uma queda acentuada face às 70.000 toneladas em 2022. Depois de quase atingir a paridade com a China em 2022, a Indonésia cedeu terreno tanto à Myanmar quanto a uma produção mais baixa ao longo de 2024. Reconhecendo a importância estratégica do estanho, o Ministério de Energia e Recursos Minerais da Indonésia designou-o como mineral crítico, reconhecendo a sua centralidade para aplicações em semicondutores e alta tecnologia, mas também destacando a vulnerabilidade do país à volatilidade da oferta.

Produtores Secundários: De Resiliência a Desafios de Resiliência

Para além do Sudeste Asiático, um segundo escalão de produtores de estanho contribui com uma oferta significativa, mas enfrenta as suas próprias restrições. O Peru produziu 23.000 toneladas métricas em 2023, uma diminuição face às 28.200 toneladas em 2022, sendo o principal fornecedor de estanho para os Estados Unidos. A mina San Rafael, operada pela Minsur, está entre as maiores operações mundiais de estanho em termos de throughput.

A República Democrática do Congo gerou 19.000 toneladas métricas em 2023, com um crescimento modesto esperado após a expansão do complexo de estanho de Bisie — lar dos minérios de estanho de maior grau do mundo em Mpama North e do recém-construído Mpama South. A produtora Alphamin Resources está a aumentar a produção para cerca de 20.000 toneladas anuais.

O Brasil e a Bolívia contribuíram cada um com 18.000 toneladas métricas em 2023. A produção do Brasil cresceu marginalmente, apoiada pela vasta mina de Pitinga na Amazónia — a maior reserva de estanho do mundo por metal contido, com reservas comprovadas superiores a 279.000 toneladas. Uma mudança notável ocorreu quando a Minsur concordou em 2024 vender a sua subsidiária brasileira, Mineração Taboca (que opera Pitinga e a única fundição totalmente integrada do Brasil), à China Nonferrous Trade por US$340 milhões. Esta aquisição sinaliza a estratégia da China de assegurar diretamente a capacidade de refino a jusante fora das suas fronteiras.

A Bolívia enfrentou desafios operacionais severos quando a sua fundição estatal de Vinto declarou força maior em março de 2023, devido à escassez de carvão, resultando em perdas de produção superiores a 200 toneladas semanais. Para agravar a crise, dívidas pendentes de US$90 milhões impediram entregas de concentrado das minas de Huanuni e Calquiri, desencadeando agitação laboral entre os mineiros que exigiam perdão de dívidas.

Produtores Menores e Desafios na Mineração Informal

A produção na Austrália manteve-se relativamente estável, com 9.100 toneladas métricas em 2023, com pouca variação face ao ano anterior. A empresa Metals X adquiriu uma participação de 23% na First Tin para acelerar o desenvolvimento do projeto de estanho de Taronga, em Nova Gales do Sul, com previsão de início de produção em 2027, após um estudo de viabilidade robusto.

A Nigéria registou 8.100 toneladas métricas em 2023, um aumento de 15,71% face às 7.000 toneladas em 2022, impulsionado pelos preços globais de estanho acima de US$30.000, que estimularam a atividade mineira na região de Plateau. No entanto, o setor na Nigéria permanece largamente não regulamentado, dominado por mineração artesanal e ilegal. Entre 2018 e 2022, o setor de minerais sólidos do país — incluindo o estanho — contribuiu com apenas 0,17% do PIB, segundo o Instituto Nacional de Estatística, indicando que uma produção informal significativa escapa à contabilidade oficial e à receita fiscal.

A Malásia completou o top dez dos países produtores de estanho com 6.100 toneladas métricas em 2023, um aumento face às 5.000 toneladas em 2022. A Smelting da Malásia, a segunda maior fundição de estanho do mundo e uma operação centenária, registou margens de lucro melhores do que o esperado nos segundos e terceiros trimestres de 2024, posicionando a empresa para beneficiar de previsões otimistas de longo prazo para o mercado de estanho.

Perspetivas de Mercado: Restrições de Oferta Encontram Procura Crescente

A concentração da produção de estanho em um número reduzido de países — especialmente na China, Myanmar, Indonésia e Peru — cria vulnerabilidades estruturais no mercado. Perturbações na oferta de qualquer grande produtor reverberam nos mercados globais devido à capacidade limitada de reserva noutros locais. Por outro lado, os fatores de procura permanecem robustos: a fabricação de semicondutores depende do estanho para aplicações de soldadura em telemóveis, computadores e veículos elétricos; a implementação de energias renováveis (solar e eólica) incorpora estanho em componentes eletrónicos; e a produção de veículos elétricos continua a acelerar.

Analistas projetam um equilíbrio construtivo de oferta e procura de estanho a longo prazo, com preços potencialmente a atingir US$45.000 por tonelada métrica até 2033, à medida que a adoção de tecnologia acelera globalmente. No entanto, a volatilidade de curto prazo provavelmente persistirá, dada a contínua restrição de oferta de Myanmar, as tensões comerciais geopolíticas entre os EUA e a China, e os desafios operacionais nos produtores secundários. Investidores que acompanham cadeias de abastecimento de commodities devem monitorizar relatórios trimestrais de produção dos principais países produtores de estanho e estar atentos a mudanças políticas que possam restringir ainda mais os fluxos de exportação ou acelerar as perturbações na oferta.

Divulgação de Valores Mobiliários: Esta análise baseia-se em dados disponíveis ao público até início de 2026. Os leitores devem realizar pesquisas independentes antes de tomar decisões de investimento.

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