Toss publica relatório que define carteiras digitais como infraestrutura de finanças on-chain

A Toss (operadora Viva Republica) publicou uma análise no dia 18 afirmando que as carteiras digitais se tornarão infraestrutura central para as finanças on-chain à medida que as finanças baseadas em blockchain se expandirem. A avaliação descreve as carteiras como algo que evolui além de simples armazenamento de criptomoedas, tornando-se plataformas financeiras que conectam pagamentos, ativos tokenizados, DeFi (finanças descentralizadas) e serviços de agentes de IA. A Toss Insight, instituto de pesquisa de gestão financeira da Toss, divulgou o relatório de inteligência empresarial “Digital Wallet: The Starting Point of On-Chain Finance”.

Toss Insight publica relatório sobre infraestrutura de carteira digital

A Toss Insight definiu carteiras digitais no relatório como uma nova infraestrutura financeira que gerencia direitos de ativos, responsabilidades e permissões de transação, e não como simples ferramentas de armazenamento de ativos digitais. O relatório explica que o eixo do centro financeiro está mudando de estruturas existentes baseadas em conta para estruturas baseadas em permissões, com as carteiras digitais servindo como o ponto de contato central para essa mudança.

Relatório define evolução da carteira em quatro etapas, de 2009 até o presente

O relatório dividiu a evolução das carteiras digitais em quatro etapas. Partindo da fase de “cofre digital” centrada no armazenamento de Bitcoin de 2009-2014, as carteiras avançaram para uma segunda geração que funciona como interface de acesso a dApps e, depois, para uma terceira geração que conecta DeFi e serviços on-chain. Atualmente, as carteiras estão se desenvolvendo para a fase de “infraestrutura de responsabilidade legal”, abrangendo pagamentos, infraestrutura corporativa, ativos tokenizados, serviços Web3, agentes de IA e gerenciamento de identidade/credenciais digitais.

Para analisar essa transformação, a Toss Insight classificou as carteiras digitais em quatro eixos de design: estrutura tecnológica, estrutura de controle, estrutura de responsabilidade e estrutura de usabilidade. Estrutura tecnológica se refere a quem armazena as chaves de criptografia e como o sistema se conecta às redes blockchain. Estrutura de controle avalia a autoridade de aprovação de transações e a localização da verificação de políticas. Estrutura de responsabilidade avalia a responsabilidade legal em caso de incidentes e o status de separação de ativos. Estrutura de usabilidade examina procedimentos de registro/assinatura e as possibilidades de recuperação em caso de perda de chaves.

Quatro eixos de design classificam tipos de arquitetura de carteira

Com base nesses eixos, o relatório apresentou seis arquiteturas básicas de carteira e um modelo de operação combinado. Estruturas em que operadores gerenciam ativos incluem o tipo “endereço individual”, que fornece endereços de blockchain por usuário, e o tipo “ledger central”, em que operadores consolidam ativos e gerenciam por meio de ledgers internos. Estruturas em que usuários controlam diretamente os ativos incluem o tipo “EOA (Externally Owned Account)”, em que os usuários armazenam diretamente frases-semente, e o tipo “AA (Account Abstraction)”, que suporta funções de recuperação e automação via contratos inteligentes.

Modelos híbridos em que operadores e usuários compartilham autoridade incluem o tipo “aprovação com múltiplas condições”, em que transações só são executadas quando várias condições são atendidas, e o tipo “carteira dupla”, que opera carteiras para finalidades diferentes em paralelo. O relatório apresentou “UI integrada/vault separado” como um padrão de operação combinado — aparecendo como um único app para os usuários, enquanto opera estruturas de armazenamento e sistemas de responsabilidade separados.

O relatório destacou que a estrutura da carteira não é determinada apenas pela superioridade da tecnologia de segurança, mas varia de acordo com a finalidade do negócio. O mesmo operador pode usar diferentes estruturas de carteira dependendo dos objetivos do serviço. A Coinbase, por exemplo, opera a Coinbase Custody para clientes institucionais, o Smart Wallet para usuários gerais e carteiras baseadas em servidor para desenvolvedores e agentes de IA separadamente.

Seis domínios de casos de uso vão de pagamentos ao gerenciamento de identidade

A Toss Insight dividiu os campos de aplicação de carteiras digitais em seis domínios: pagamentos/remessas, infraestrutura de carteira corporativa (WaaS), ativos tokenizados, integração do ecossistema Web3, delegação verificável e identidade/credenciais/crédito.

Em pagamentos e remessas, Stripe, PayPal e Revolut utilizam estruturas de ledger central. No mercado de infraestrutura de carteira corporativa, Fireblocks, Privy e Turnkey estão construindo estruturas que impõem regras de transação de clientes via código.

Para ativos tokenizados, o relatório apresentou Ondo Finance, Franklin Templeton e JPMorgan Kinexys como casos. Esses serviços adotam estruturas que refletem as regulamentações financeiras existentes, incluindo restringir o acesso por investidores não qualificados e conceder aos emissores autoridade para congelar ativos e realizar transferências forçadas.

No domínio Web3, MetaMask, Safe, Argent e Coinbase Smart Wallet foram apresentados como casos representativos. O relatório projetou que, em ambientes em que agentes de IA executam atividades financeiras em nome dos usuários, estruturas de “delegação verificável” que permitem aos usuários manter o controle final enquanto delegam apenas autoridade parcial se tornarão vantagens competitivas centrais.

Casos de falha destacam riscos de controle operacional

A Toss Insight analisou casos de falha junto com casos de sucesso. O relatório citou Mt. Gox, FTX, Celsius e Prime Trust como exemplos, apontando que, mesmo ao selecionar estruturas de carteira adequadas, falhas em controles operacionais como separação de ativos, controle de autoridade de assinatura, reconciliação de saldos e procedimentos internos de aprovação podem levar a perdas em grande escala.

Relatório identifica gerenciamento de responsabilidade como fator competitivo

A Toss Insight diagnosticou que a competitividade futura do mercado não está em integrar todas as funções em uma única carteira. Em vez disso, o relatório projetou que operadores capazes de conectar de forma estável diferentes estruturas de responsabilidade — incluindo pagamentos, ativos tokenizados, serviços descentralizados e verificação de identidade/credenciais — enquanto oferecem aos usuários uma experiência unificada, garantirão vantagens competitivas.

Com bancos, empresas de valores mobiliários, operadores de pagamentos, plataformas e grandes empresas de tecnologia esperados para entrar na disputa pelo ponto de contato com usuários, a análise afirma que a capacidade de lidar com novas estruturas de responsabilidade se tornará um elemento competitivo mais importante do que a velocidade de adoção da tecnologia.

Kim Hyun-man, líder da equipe de Consultoria Estratégica da Toss Insight, disse: “À medida que as finanças on-chain se expandirem, as carteiras digitais se tornarão infraestrutura central que conecta serviços financeiros de ponta a ponta, e não apenas funções de serviço. Esperamos que este relatório sirva como material de referência prática para empresas que consideram desenho de serviços financeiros e estratégias de negócios utilizando carteiras digitais.”

Perguntas frequentes

O que a Toss Insight definiu como o papel das carteiras digitais no relatório publicado no dia 18?

A Toss Insight definiu carteiras digitais como uma nova infraestrutura financeira que gerencia direitos de ativos, responsabilidades e permissões de transação, e não como simples ferramentas de armazenamento de ativos digitais. O relatório afirma que as carteiras estão evoluindo para plataformas que conectam pagamentos, ativos tokenizados, DeFi e serviços de agentes de IA.

Como o relatório classifica as quatro etapas da evolução das carteiras digitais?

O relatório divide a evolução das carteiras em quatro etapas: a fase de “cofre digital” centrada no armazenamento de Bitcoin de 2009-2014, uma segunda geração que serve como interface de acesso a dApps, uma terceira geração que conecta DeFi e serviços on-chain e a atual fase de “infraestrutura de responsabilidade legal”, abrangendo pagamentos, infraestrutura corporativa, ativos tokenizados, serviços Web3, agentes de IA e gerenciamento de identidade/credenciais digitais.

Por que o relatório apresenta vários tipos de arquitetura de carteira em vez de uma estrutura ideal única?

O relatório enfatiza que a estrutura da carteira varia conforme a finalidade do negócio, em vez de ser determinada pela superioridade da tecnologia de segurança. O mesmo operador pode usar diferentes estruturas de carteira dependendo dos objetivos do serviço — a Coinbase opera sistemas de carteira separados para clientes institucionais, usuários gerais e desenvolvedores/agentes de IA.

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