A promotora federal Jeanine Pirro, de Washington, D.C., afirmou no programa “State of the Union” da CNN em 3 de maio que não vai mais recorrer das decisões de arquivamento relacionadas a intimações emitidas no âmbito de uma investigação criminal contra o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, e que vai substituí-las por um “motion to vacate” (moção para anular a decisão). Segundo a CNBC, o prazo original de Pirro para apelar era na segunda-feira, 4 de maio, e esta mudança de estratégia é vista como um golpe substancial para a investigação criminal do Fed.
Boasberg descarta intimações de Pirro ao Fed, citando “pressão presidencial” como evidência
O juiz distrital-chefe de Washington, D.C., James Boasberg, anteriormente rejeitou as intimações que Pirro emitiu ao Fed, exigindo que a instituição apresentasse documentos internos sobre estouros de custos nas obras de reforma na sede do órgão. Na decisão, Boasberg escreveu: “Há farta evidência de que o governo enviou intimações ao conselho de administração do Fed para pressionar o presidente — para que ele votasse a favor de um corte de juros, ou simplesmente renunciasse.”
No programa da CNN, Pirro mudou a estratégia: “Vamos apresentar uma moção para anular a decisão do juiz Boasberg porque, se esse precedente vingar, vai impedir os promotores de seguir com o procedimento de grande júri e terá um impacto sério no que acontece daqui para frente.” Ela negou que esteja desistindo de sua autoridade para investigar o Fed, mas esta mudança significa que as intimações originalmente voltadas a obter documentos sobre a reforma do edifício são, na prática, retiradas.
Interpretação do procedimento da “moção para anular a decisão”: difícil de aplicar quando o DoJ perde
O ex-procurador assistente Sean P. Murphy analisou: “Uma moção para anular a decisão basicamente pede ao juiz que finja que algo nunca aconteceu.” Ele afirmou que Pirro recentemente usou a mesma tática, ao apresentar uma moção para anular a condenação relacionada aos “Proud Boys” e aos “Oath Keepers” no episódio de 6 de janeiro no Capitólio, com o objetivo de apagar totalmente o registro de culpa.
Murphy acrescentou: “A diferença crucial, porém, é que eu não acho que ela tenha legitimidade para apagar dessa forma um registro de derrota do próprio DoJ.” Em geral, recursos precisam ser aprovados pela alta cúpula do DoJ, e ao trocar a rota para uma moção para anular, Pirro estaria, para observadores externos, contornando o processo de revisão do tribunal de apelação por meio de um acordo.
Próximos passos: investigação do Fed fica, na prática, suspensa; tensão entre administração e banco central arrefece
A assessoria de Pirro não respondeu às perguntas da CNBC, e o Fed não comentou. Após a mudança, a investigação criminal que inicialmente mirava o próprio Powell ainda existe formalmente, mas as intimações foram retiradas na prática, então o Fed não precisa fornecer os documentos. Pirro também disse que continua entendendo que tem autoridade para prosseguir investigando o Fed, sugerindo que ainda pode haver novos desdobramentos.
O foco da próxima etapa está no conteúdo específico do pedido da moção de Pirro e em como o juiz Boasberg deve responder, além de verificar se esta investigação ainda terá efeito contínuo de pressão depois que Powell deixar a presidência e passar ao cargo de conselheiro.
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