
Conforme reportado pela Crypto Briefing em 18 de maio, o Irã lançou a plataforma digital de seguro marítimo “Hormuz Safe”, endossada pelo Ministério da Economia do Irã. A plataforma oferece seguro marítimo para embarcações que navegam pelo Golfo Pérsico e pelo Estreito de Ormuz, com liquidação em Bitcoin e outras criptomoedas, contornando a rede SWIFT e intermediários financeiros do Ocidente. O governo iraniano estima que a plataforma possa gerar até US$ 10 bilhões em receita.
Moedas de liquidação: Bitcoin e outras criptomoedas, sem depender de dólares nem do sistema de compensação da SWIFT
Mecanismo de liquidação: liquidação imediata via blockchain
Formato dos comprovantes: recibos de seguro com assinatura digital
Escopo: seguro marítimo para embarcações do Golfo Pérsico e do Estreito de Ormuz
O Estreito de Ormuz, em condições normais, responde por cerca de um quinto do volume global de oferta de petróleo por dia. Cada embarcação que passa entre o Irã e Omã precisa contratar seguro marítimo que, tradicionalmente, é subscrito por instituições financeiras ocidentais e liquidado em dólares — com o Irã excluído dessas instituições.
Ao fazer liquidação em Bitcoin, o Hormuz Safe contorna o sistema financeiro baseado no dólar e opera uma infraestrutura paralela de seguros sem depender de permissões de qualquer órgão regulador ocidental. Dentro do governo iraniano, apoiadores estimam que, se a plataforma conseguir uma participação relevante no mercado de seguros de navegação do Golfo Pérsico, poderá gerar até US$ 10 bilhões em receita.
Problema de reconhecimento internacional: navios que possuem apólices emitidas por plataformas apoiadas pelo Estado iraniano ao chegarem a portos como Rotterdam ou Singapura podem ter as coberturas não reconhecidas pelas autoridades reguladoras locais. O seguro marítimo padrão costuma ser subscrito por entidades reconhecidas no Ocidente, como clubes P&I, dentro de um arcabouço consolidado aceito pelos principais portos e instituições de financiamento em todo o mundo.
Risco de sanções secundárias: os EUA vêm aplicando, historicamente, fiscalização rigorosa contra entidades que ajudem o Irã a burlar sanções. Qualquer armador, empresa de comércio ou autoridade portuária que tenha relação comercial com o Hormuz Safe enfrenta risco de sanções secundárias, por ser cortado do sistema financeiro dos EUA.
Grupo inicial de clientes de fato: conforme a reportagem, o grupo inicial de clientes pode se limitar a embarcações que já operam em zonas “cinzentas” sob sanções, entidades de países com menor pressão financeira dos EUA e operadores que conseguem lidar com os riscos de conformidade do comércio no Golfo Pérsico.
A característica descentralizada do Bitcoin contorna naturalmente sistemas de compensação financeira baseados em dólares (incluindo a SWIFT); as transações não exigem participação de intermediários financeiros do Ocidente. A liquidação imediata via blockchain faz com que a emissão da apólice e o pagamento de indenizações não dependam de infraestrutura financeira tradicional, alinhando-se ao objetivo central de contornar sanções pelo Irã.
O seguro marítimo padrão é subscrito por instituições reconhecidas no Ocidente, como clubes P&I, aceitas por principais portos, instituições de financiamento e empresas comerciais. As apólices emitidas por entidades apoiadas pelo Estado iraniano não se enquadram nesses já existentes arcabouços internacionais de reconhecimento, o que significa que embarcações que possuam esse tipo de apólice podem não conseguir acessar portos ocidentais normalmente ou obter financiamento internacional.
Antes, uma agência iraniana reportou que navios-tanque poderiam usar Bitcoin para pagar a “taxa do seguro de passagem segura” pelo Estreito de Ormuz. O lançamento do Hormuz Safe é uma extensão sistemática, pelo Irã, da integração do Bitcoin ao gerenciamento comercial do Estreito de Ormuz, expandindo o uso que antes se limitava ao pagamento de pedágios para um ecossistema completo de seguro marítimo.
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