A Argentina ordenou o bloqueio nacional da plataforma de mercado de previsão Polymarket, tornando-se o primeiro país da América Latina a restringir o acesso ao site, após uma decisão judicial que classificou a plataforma como uma operação de apostas não regulamentada.
A justiça de Buenos Aires instruiu a Entidade Nacional de Comunicações (ENACOM) a coordenar com os fornecedores de internet para aplicar o bloqueio, enquanto o Google e a Apple foram ordenados a remover os aplicativos móveis do Polymarket das lojas de aplicativos Android e iOS para utilizadores argentinos.
A proibição, iniciada por reclamações da Loteria da Cidade de Buenos Aires (LOTBA) e da Câmara Argentina de Casinos e Bingos (CASCBA), foi acelerada após o Polymarket registrar atividades suspeitas de negociação em um contrato ligado à taxa de inflação de fevereiro na Argentina — com a tendência revertendo cerca de 15 minutos antes da divulgação oficial dos dados, levantando suspeitas de acesso a informações privilegiadas.
O sistema judicial argentino ordenou à ENACOM que “implemente as ações necessárias através dos provedores de internet” para bloquear o acesso ao site do Polymarket em todo o país. A medida já está em vigor, com os ISPs obrigados a cumprir o bloqueio sob a lei argentina.
Simultaneamente, as autoridades ordenaram à Apple e ao Google que eliminassem o acesso aos aplicativos móveis do Polymarket em suas respectivas lojas de aplicativos para utilizadores localizados na Argentina.
O caso foi conduzido pelo Ministério Público Especializado em Jogos do Município (FEJA), com apoio técnico do Corpo de Investigações Judiciais (CIJ). A investigação concluiu que o Polymarket operava como um sistema de apostas online disfarçado de “mercado de previsão”, sem autorização adequada em qualquer província argentina.
As autoridades alertaram que o Polymarket permite que os utilizadores acessem os serviços sem passar por verificações obrigatórias de identidade, potencialmente permitindo que menores participem de contratos de apostas usando cartões de crédito ou criptomoedas. Isto contrasta com plataformas regulamentadas como a Kalshi, que possui verificação de identidade e se promove como um operador de mercado de previsão em conformidade.
A aceitação de pagamentos em criptomoedas e depósitos com cartão de crédito sem mecanismos adequados de verificação de idade levantou preocupações adicionais de proteção ao consumidor sob a lei argentina.
A proibição seguiu-se às observações de atividades incomuns no Polymarket relacionadas ao anúncio da taxa de inflação de fevereiro na Argentina. Segundo relatos da mídia local, a tendência de previsão da plataforma reverteu aproximadamente 15 minutos antes da divulgação oficial dos dados de inflação (2,9%), sugerindo possível acesso a informações privilegiadas.
Este padrão suspeito de negociação deu impulso adicional ao processo judicial iniciado pela LOTBA e pela CASCBA, reforçando os argumentos de que o Polymarket operava sem supervisão regulatória na jurisdição argentina.
A Argentina junta-se a mais de 30 países que restringiram as operações do Polymarket:
Colômbia: Autoridade de jogos proibiu o Polymarket em 2025
Países Baixos: Reguladores holandeses ordenaram o encerramento das operações do Polymarket em fevereiro de 2026
Estados Unidos: Mercados de previsão enfrentam maior escrutínio, com legisladores democratas propondo recentemente legislação para proibir contratos baseados em eventos relacionados a tópicos sensíveis, incluindo guerra e morte
O Brasil está atualmente debatendo a classificação legal dos mercados de previsão, com alguns oficiais argumentando que essas plataformas se assemelham mais a operações de jogo e devem ser reguladas de acordo.
Separadamente, o Polymarket proibiu contas de utilizadores supostamente envolvidos em ameaças ao correspondente militar do Times of Israel, Emanuel Fabian. O assédio seguiu-se ao relatório de Fabian em 10 de março, que informou que um míssil balístico iraniano atingiu uma área aberta fora de Beit Shemesh, Israel, sem feridos.
Apostadores que tinham apostado contra um ataque iraniano a Israel em 10 de março poderiam perder quantias significativas se a conta de Fabian estivesse correta. A campanha de pressão escalou de pedidos por correções por email a mensagens ameaçadoras no WhatsApp, com um indivíduo alertando Fabian de que o grupo poderia perder $900.000 e “investir pelo menos isso para acabar com ele”. As mensagens incluíam referências ao bairro onde Fabian mora e aos membros da sua família.
Capturas de tela falsas, circulando nas redes sociais, sugeriam falsamente que Fabian tinha reconhecido o erro e concordado em emitir uma correção. A polícia israelense está agora investigando o caso.
As cortes argentinas bloquearam o Polymarket por operar como uma plataforma de apostas não regulamentada disfarçada de mercado de previsão, sem autorização adequada em qualquer província. As autoridades citaram riscos à proteção do consumidor, incluindo a falta de verificação de idade, pagamentos em criptomoedas e depósitos com cartão de crédito que poderiam permitir a participação de menores. A proibição foi acelerada após atividades suspeitas de negociação que sugerem possível acesso a informações privilegiadas sobre os dados de inflação de fevereiro.
A corte ordenou à ENACOM, a Entidade Nacional de Comunicações, que coordene com todos os provedores de internet para bloquear o acesso ao site em todo o país. A Google e a Apple foram instruídas a remover os aplicativos móveis do Polymarket das lojas de aplicativos Android e iOS para utilizadores argentinos. A medida já está em vigor.
A investigação teve origem em reclamações apresentadas pela LOTBA e pela CASCBA. O caso ganhou urgência adicional quando o Polymarket registrou uma reversão de tendência em um contrato ligado à taxa de inflação de fevereiro na Argentina, aproximadamente 15 minutos antes da divulgação oficial, levantando suspeitas de negociação com informações privilegiadas.