A empresa mais desacreditada de Wall Street é na verdade a líder em criptomoedas

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Escrito por: Eric, Foresight News

A coluna Alphaville do Financial Times publicou a 24 de fevereiro um artigo intitulado «Espelho, espelho meu na parede, qual é a ação mais shortada de todas?», oferecendo alguns dados bastante interessantes.

O artigo mostra que a mediana das posições vendidas nas ações do índice S&P 500 subiu para 2,7%, atingindo um dos níveis mais altos dos últimos dez anos. Entre todas as ações, a estratégia de posições vendidas representa 14% do valor de mercado, liderando, enquanto a Coinbase ocupa a quarta posição com 11%. Isso significa que, entre todas as empresas com valor de mercado superior a 25 bilhões de dólares, a Strategy é a mais desacreditada.

A coluna Alphaville publica artigos que não representam a opinião do Financial Times, caracterizando-se por uma linguagem afiada e sem rodeios. Hoje, com as criptomoedas cada vez mais mainstream, os textos da coluna continuam a criticar duramente as criptomoedas. Seja Bitcoin a 10 dólares ou a 100 mil dólares, eles sempre consideram as criptomoedas sem sentido.

Em 2 de fevereiro, Craig Coben, ex-vice-presidente global de mercados de capitais e chefe de mercados de ações globais do Bank of America Merrill Lynch, publicou um artigo na Alphaville criticando o modelo Strategy.

A visão de Coben não é extremada; ele também acredita que, no curto prazo, não há risco de «bank run» ou crise de liquidez para a Strategy. No entanto, aponta alguns problemas centrais, como o fato de que o acúmulo de Bitcoin não gera fluxo de caixa, exigindo contínuas captações de recursos e diluição dos acionistas comuns. Além disso, a estratégia da Strategy tende a comprar quando o mercado está em alta e o preço do Bitcoin está elevado, uma questão sistêmica sem solução.

Quanto às posições vendidas elevadas na Strategy, alguns analistas acreditam que nem todas as posições vendidas são «naked shorts» na Strategy; algumas podem ser hedge de fundos contra posições em Bitcoin à vista. Ainda assim, há muitos que consideram que há bastante gente apostando contra a Strategy, pelo menos todos concordam que, se o Bitcoin cair, a Strategy não ficará ilesa.

No artigo, Coben menciona que a Strategy chama seus cinco tipos de ações preferenciais perpétuas de «crédito digital», um conceito que Michael Saylor tem enfatizado desde o final do ano passado.

Nesse conceito, a primeira camada, «capital digital», é o Bitcoin. A segunda camada, «crédito digital (ou empréstimo digital)», são as ações preferenciais perpétuas emitidas pela Strategy, que oferecem altos rendimentos, e a Strategy precisa pagar juros anualmente aos detentores.

A terceira camada é a «moeda digital», ou seja, moedas de troca baseadas nos produtos financeiros da segunda camada, incluindo stablecoins. A Saturn, por exemplo, planeja emitir uma stablecoin baseada em STRC e títulos do Tesouro dos EUA, a USDat, que recebeu investimento da YZi Labs.

Se essa lógica não estiver clara, pode-se fazer uma analogia com os EUA. Os EUA emitem títulos do Tesouro continuamente, pagando juros até o vencimento, e ao vencimento trocam títulos antigos por novos. Desde que a influência internacional dos EUA e o papel do dólar permaneçam fortes, esse jogo pode continuar indefinidamente. Para a Strategy, o Bitcoin é a influência dos EUA, o crédito digital é como os títulos do Tesouro, e a Strategy precisa emitir novas ações para pagar juros, podendo assim, ao longo do tempo, aumentar o preço do Bitcoin e o valor de suas ações, emitindo novas ações para financiar a compra de mais Bitcoin e pagar juros, numa continuidade infinita.

Michael Saylor é um firme crente de que o Bitcoin vai mudar tudo. Para ele, a valorização ilimitada do Bitcoin é mais confiável do que a ideia de que os EUA sempre vencerão, e por isso prefere emitir moeda baseada em um ativo que acredita que vai valorizar continuamente, assim como o dólar foi inicialmente lastreado pelo ouro.

A estratégia da Strategy não é inovadora; ela só precisa garantir fluxo de caixa suficiente para pagar juros e continuar a captar recursos para comprar Bitcoin. Assim como os títulos do Tesouro dos EUA, é um jogo que todos sabem que um dia chegará ao fim, mas não se sabe quanto tempo pode durar. Atualmente, a reserva de caixa da Strategy é suficiente, e seu CEO afirmou que só precisará vender Bitcoin se o preço permanecer abaixo de 8.000 dólares por 4 a 5 anos.

Se essa condição extrema se concretizar, não só a Strategy, mas toda a indústria Web3 poderá desaparecer.

Mesmo um banqueiro tradicional como Craig Coben deve reconhecer que a Strategy não enfrentará problemas financeiros em curto prazo. Para fundos de hedge, ela é uma boa ferramenta de hedge contra a queda do Bitcoin; para traders que apostam na baixa, faz sentido operar contra um sistema que depende do aumento do Bitcoin para funcionar. Pelo menos por enquanto, não há muitas razões para ser otimista com a Strategy.

A ideia de Michael Saylor de usar o Bitcoin para criar uma nova moeda também é bastante interessante. Ele compra Bitcoin com dólares, paga juros em dólares, constrói um sistema com bilhões de dólares em dólares, e seu objetivo final é destruir a estrutura que criou. Talvez os elites de Wall Street estejam sorrindo por dentro, pois eles não se importam se a Strategy se tornará uma empresa centenária; só querem saber quando suas ações vão subir ou cair.

Saylor acredita que o Bitcoin continuará a atingir novas máximas, e por isso o vê como a base de tudo. Os detentores e usuários do dólar confiam que os EUA continuarão fortes, e aceitam o aumento contínuo do limite da dívida. Ambos acreditam, mas quem é mais avançado nessa crença?

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