
Multisig, abreviação de "multi-signature" (multissinatura), é um mecanismo que reparte o controle de um endereço entre várias partes e define um limite mínimo — apenas quando o número mínimo de assinaturas exigido for atingido, uma transação ou alteração de configuração é executada. Funciona como um carimbo corporativo que exige a coassinatura de vários executivos antes do uso.
No Ethereum, o multisig costuma ser implementado por meio de wallets de smart contract, com regras codificadas no próprio contrato e validadas on-chain. No Bitcoin, o multisig é realizado via scripts que determinam quais chaves públicas precisam assinar para liberar fundos de um endereço. Os usos mais comuns incluem tesourarias de equipes, fundos de DAO, operações de custódia e fluxos de aprovação com alto nível de segurança.
O multisig é essencial porque reduz pontos únicos de falha e o risco de fraude interna, além de garantir registros transparentes de aprovação on-chain. Se uma única chave privada for perdida, alvo de phishing ou comprometida, pode haver perda irreversível de ativos — o multisig reduz significativamente esses riscos.
Para equipes, o multisig distribui permissões entre membros e, aliado a timelocks e limites de gastos, cria um processo auditável. Em DAOs, ações como transferências de fundos ou ajustes de parâmetros exigem múltiplas aprovações, aumentando a credibilidade da governança. Na prática, em 2024–2025, tesourarias de DAO utilizam amplamente multisigs de wallet de contrato para gerenciar fundos e permissões.
O princípio fundamental do multisig é definir um “limite” — por exemplo, de N participantes, pelo menos M devem assinar (modelo “M-de-N”). Quando um participante inicia uma transação, os demais utilizam suas chaves privadas para assinar; ao atingir o limite, a blockchain valida e executa a transação.
A “assinatura” aqui é uma confirmação criptográfica feita com uma chave privada, impossível de ser falsificada; qualquer pessoa pode verificar sua autenticidade com a chave pública correspondente. No Ethereum, a lógica de verificação multisig é programada em smart contracts; no Bitcoin, os requisitos ficam embutidos nos scripts. Um EOA é uma “externally owned account” (conta controlada diretamente por chave privada), enquanto uma wallet de smart contract é regida pelas regras do contrato — ambas podem integrar processos multisig.
No Bitcoin, o multisig é viabilizado por scripts — geralmente nos formatos P2SH ou P2WSH. O script lista várias chaves públicas e define o número de assinaturas exigidas; para liberar fundos, é preciso apresentar o número necessário de assinaturas válidas conforme o script.
No Ethereum, o multisig utiliza wallets de smart contract como a Gnosis Safe. As assinaturas são coletadas off-chain e enviadas ao contrato para validação e execução. O multisig no Ethereum permite camadas de permissão, timelocks, aprovações modulares e gestão de papéis, sendo ideal para fluxos operacionais complexos. Já o multisig do Bitcoin é mais simples, variando em custo e privacidade conforme as condições da rede.
Em tesourarias de equipes e na governança de DAOs, o multisig viabiliza aprovações coletivas para transferências de fundos e alterações de configuração. Regras como “quem pode propor”, “quem pode aprovar” e “quantos são necessários para executar” ficam todas registradas on-chain, garantindo rastreabilidade.
Cenários comuns incluem folha de pagamento e reembolsos, pagamentos a fornecedores, rebalanceamento de tesouraria, ajustes de parâmetros de risco, pausas e recuperações de emergência. DAOs normalmente armazenam tesouraria em wallets multisig, com signatários representando diferentes funções ou segmentos da comunidade. Para evitar concentração de poder, recomenda-se o uso de timelocks e a rotação periódica dos signatários.
Passo 1: Escolha a blockchain e o tipo de wallet. Decida entre Ethereum (wallets de smart contract como Gnosis Safe) ou multisig baseado em script no Bitcoin. Considere taxas, maturidade das ferramentas e experiência da equipe.
Passo 2: Defina os participantes e o limite. Liste N signatários e estabeleça a regra M-de-N. Recomenda-se “pelo menos 2/3 ou 3/5” para equilibrar segurança e praticidade.
Passo 3: Faça o deploy ou gere o endereço. No Ethereum, implante um contrato multisig e inicialize os signatários; no Bitcoin, gere um endereço multisig e distribua frases mnemônicas ou dispositivos de hardware de forma segura.
Passo 4: Configure permissões e parâmetros de segurança. Defina papéis para iniciadores, limites diários de gastos, timelocks, aprovações modulares, canais de notificação, monitoramento de atividades e alertas.
Passo 5: Faça o aporte e teste com valores reduzidos. Transfira um pequeno valor para validar o processo completo — proposta, assinatura, execução, recuperação de falhas — e confira se todos os dispositivos e backups dos signatários estão funcionando corretamente.
Passo 6: Operação e manutenção. Elabore um manual de operações; exija limites mais altos ou verificações extras para transações de grande valor; faça rotação regular de signatários; realize checagens de integridade das chaves e simulações de emergência.
Na prática, ferramentas como Gnosis Safe oferecem interfaces intuitivas: iniciadores criam transações; outros signatários aprovam via wallet ou links seguros; ao atingir o limite, o contrato executa. No multisig do Bitcoin, é necessário usar wallets compatíveis (por exemplo, clientes com suporte P2WSH) para coletar e transmitir assinaturas.
O multisig prioriza a verificação on-chain de múltiplas assinaturas atingindo o limite, tornando todos os registros de aprovação publicamente acessíveis. MPC (Multi-Party Computation) reparte o processo de geração de uma única assinatura entre vários dispositivos — apenas uma assinatura é submetida on-chain e o processo multiparte ocorre off-chain.
Comparando: as regras do multisig são públicas e auditáveis, ideais para governança e compliance; o MPC oferece privacidade e performance mais leves, sendo comum em soluções de custódia, exchanges ou apps móveis. O multisig é altamente composable — pode integrar timelocks e permissões modulares; o MPC exige maior confiabilidade dos dispositivos/serviços. Ambos podem ser combinados: tesourarias on-chain usam multisig; custódia ou operações internas usam MPC para aprovações.
O multisig não é infalível; riscos comuns incluem: perda ou dano de dispositivos dos signatários; indisponibilidade de signatários, causando atrasos; conluio de uma minoria; bugs em contratos ou riscos em upgrades; parâmetros mal configurados levando à perda de controle; aumento de taxas e complexidade operacional.
Como mitigar: forneça a cada signatário wallets de hardware independentes e backups seguros; estabeleça signatários de emergência e procedimentos de recuperação; coloque operações críticas sob timelocks com monitoramento robusto; opte por wallets de contrato auditadas e amplamente utilizadas; implemente gestão de mudanças rigorosa com testes em pequena escala; revise propostas externas em múltiplas etapas e limite tetos de gastos por transação ou por dia.
O multisig é ideal para tesourarias on-chain e aprovações entre equipes. Em exchanges como a Gate, é possível implementar permissões multiusuário com recursos de segurança de conta ou gestão de subcontas para controle de risco em saques; on-chain, utilize wallets como Gnosis Safe para armazenar tesourarias, com propostas e execuções registradas on-chain.
A combinação atua como uma “dupla defesa”: aprovação multiusuário no lado da plataforma, além de saques em whitelist, com o multisig on-chain garantindo o controle final dos gastos. Assim, mesmo se uma conta da plataforma for alvo de phishing ou mal gerida, o multisig on-chain pode bloquear transferências anormais de grande valor. Consulte a documentação mais recente da Gate para detalhes — equipes devem adotar procedimentos unificados e planos de emergência.
O multisig evolui de assinaturas por limite para sistemas programáveis de permissão, integrados a tecnologias como account abstraction, tornando aprovações mais flexíveis e semelhantes a processos corporativos tradicionais. Nos últimos anos, DAOs e tesourarias de equipes adotaram amplamente multisigs de wallet de contrato como padrão transparente e auditável de gestão de fundos.
Recomendações: equipes que gerenciam ativos relevantes, com operações frequentes ou que exigem transparência de governança, devem priorizar multisigs de wallet de contrato; quem busca simplicidade ou depende de custodiantes pode optar por MPC ou soluções híbridas. Independentemente da escolha: faça testes em pequena escala; defina limites e papéis claros; estabeleça procedimentos de backup e rotação; implemente timelocks e monitoramento; combine permissões da plataforma com multisig on-chain para segurança de ponta a ponta.
Wallets multisig oferecem segurança superior às wallets de assinatura única, pois exigem múltiplas chaves privadas para autorizar cada transação — isso reduz significativamente o risco de ponto único de falha. Porém, a segurança depende da gestão dessas chaves: armazenar várias chaves em um mesmo dispositivo ou local aumenta a vulnerabilidade a comprometimentos simultâneos. O ideal é distribuir as chaves entre dispositivos separados ou wallets de hardware.
A criação de uma wallet multisig é gratuita, mas o deploy de um smart contract multisig implica taxas de gas. Os custos de gas variam conforme a blockchain (Bitcoin ou Ethereum) e a congestão da rede. Gerenciar várias chaves privadas com wallets de hardware pode exigir investimento inicial — mas é fundamental para proteger ativos.
Depende do limite de assinaturas definido. Por exemplo, em um multisig 2-de-3 (quaisquer 2 de 3 chaves), perder uma chave ainda permite uso normal; já em um esquema 3-de-3 (todas as chaves), a perda de qualquer chave bloqueia permanentemente os fundos. Ao projetar o multisig, busque equilíbrio entre segurança e praticidade — limites como 2-de-3 ou 3-de-5 são os mais recomendados.
Exchanges como a Gate oferecem verificação multifator via API key — mas isso é diferente das wallets multisig on-chain. A segurança de contas em exchanges normalmente depende de autenticação em múltiplas camadas (e-mail, telefone, Google Authenticator), enquanto o multisig on-chain refere-se à gestão multi-chave da wallet blockchain. Para máxima segurança: ative todas as opções disponíveis na sua conta Gate — e armazene grandes valores em uma wallet multisig on-chain.
O multisig não é restrito a organizações — indivíduos com grandes volumes de criptoativos também devem considerar essa solução. Uma configuração simples 2-de-2 (uma chave no celular, outra no computador) protege contra comprometimento de dispositivos ou roubo de chaves. Se o valor for relevante, o ganho de segurança compensa o custo de implementação — especialmente para holders de longo prazo ou quem faz autocustódia.


