Ao entrar em 2026, o valor de mercado total das criptomoedas voltou a ultrapassar US$3 trilhões. A dominância do Bitcoin caiu temporariamente abaixo de 60%, reacendendo debates sobre uma “temporada das altcoins”. O Ethereum encontra-se em um momento decisivo: no curto prazo, superou a marca de US$3.200, recuperando-se rapidamente das mínimas do final de 2025. Embora o ETH ainda esteja 34% abaixo do topo de US$4.700 registrado em setembro de 2025, diversos sinais precoces apontam para o início de um movimento estrutural de alta.
O maior catalisador para 2026 é a virada radical na fila de staking. Pela primeira vez desde julho de 2025, vemos uma mudança clara: o sentimento dos investidores passou da retirada para o bloqueio de ativos.
Quando o ETH atingiu cerca de US$4.700 em meados de setembro de 2025, 2,66 milhões de ETH deixaram o staking, gerando meses de pressão vendedora. Após três meses e meio de absorção, restam apenas cerca de 80.000 ETH na fila de saída—ou seja, a principal fonte de pressão de venda praticamente desapareceu. Simultaneamente, o ETH aguardando para ser staked saltou para entre 900.000 e 1 milhão, alta de cerca de 120% ante os 410.000 do fim de dezembro. Isso representa 15 vezes o tamanho da fila de saída, elevando o tempo de ativação de validadores para 17 dias.
Hoje, o total de ETH em staking chegou a 35,5 milhões, equivalente a 28,91% da oferta circulante, com rendimentos anuais entre 3% e 3,5%. Historicamente, quando a fila de entrada supera amplamente a de saída, isso costuma sinalizar força na valorização. Este ciclo de bloqueio vai reduzir drasticamente o ETH líquido disponível no mercado. Somado à acumulação de baleias, que já ultrapassou US$3,1 bilhões desde julho de 2025, isso estabelece uma base sólida para novas altas.
Enquanto a reversão no staking sinaliza uma mudança na oferta, a demanda agora é impulsionada pela atuação institucional. A BitMine Immersion Technologies—a maior tesouraria de Ethereum do planeta—está redefinindo o cenário. A empresa detém mais de 4,11 milhões de ETH, ou 3,41% do suprimento total, mas o destaque é a transição de mera custódia para geração ativa de rendimento.
Nos últimos oito dias, a BitMine fez staking de mais de 590.000 ETH, somando mais de US$1,8 bilhão. Em 3 de janeiro, foram staked 82.560 ETH, equivalentes a cerca de US$259 milhões. A companhia pretende fazer staking de 5% do suprimento total de Ethereum no primeiro trimestre, via sua rede própria de validadores, MAVAN, mirando rendimento anual de US$374 milhões. Esse movimento audacioso não só ampliou a fila de staking, como também impulsionou as ações da BMNR em 14%.
O ímpeto institucional cresce em todas as frentes. Em 2025, ETFs spot de ETH registraram mais de US$9,6 bilhões em entradas líquidas, com fluxo histórico ultrapassando US$125 bilhões. Em apenas um dia no início de 2026, os ingressos líquidos somaram US$1,74 bilhão. O fundo ETHA da BlackRock detém cerca de 3 milhões de ETH, avaliados em quase US$9 bilhões. Coinbase, Grayscale e outras instituições projetam que 2026 será o início da “era institucional”, com novos produtos ETP e tesourarias on-chain dobrando o volume de ativos sob gestão.
Enquanto isso, endereços de baleias on-chain acumularam mais de 10 milhões de ETH em 2025—novo recorde histórico. Esses movimentos mostram que as instituições deixaram de ver o ETH como mera aposta especulativa, tratando-o como ativo de infraestrutura gerador de rendimento.
2025 foi um marco para o Ethereum, com os upgrades Pectra e Fusaka abrindo caminho para crescimento explosivo em 2026. Mais que desempenho, trata-se de uma transformação estratégica: Ethereum se consolida como camada global de liquidação, com alta capacidade e baixo custo.
O upgrade Pectra, concluído no início de 2025, trouxe avanço decisivo: o EIP-7251 elevou o limite de staking dos validadores de 32 ETH para 2.048 ETH. Isso facilita o staking institucional em larga escala, aumenta a capacidade de blobs, otimiza mecanismos de validadores e reduz congestionamentos. Essas mudanças eliminaram barreiras técnicas para players institucionais como a BitMine.
Ainda mais relevante é o upgrade Fusaka, lançado em dezembro de 2025. Ele introduziu o PeerDAS (peer-to-peer data availability sampling), revolucionando o armazenamento de dados na Layer 2. Os full nodes não precisam mais baixar todos os dados de blobs, permitindo aumento de oito vezes na capacidade de blobs. As taxas da Layer 2 devem cair mais 40%-90% em 2026. O EIP-7892 viabiliza ajustes dinâmicos futuros nos parâmetros de blobs sem hard fork, garantindo escalabilidade contínua.
O roadmap de 2026 é ainda mais ousado. O próximo upgrade Glamsterdam vai trazer Verkle Trees, separação enshrined proposer-builder (ePBS) e listas de acesso por bloco. Esses avanços devem elevar o TPS da Layer 1 acima de 12.000 e aprimorar a extração de MEV, melhorando a eficiência da rede e a captura de receita. Não são apenas melhorias teóricas—os deployments e chamadas de smart contracts estão em máximas históricas, e a atividade on-chain é inédita.
A liderança do Ethereum na tokenização de ativos reais (RWA) já se consolida como narrativa dominante em 2026. Não é só hype do setor cripto: gigantes das finanças tradicionais estão investindo capital de verdade.
Segundo a RWA.xyz, ativos tokenizados no Ethereum já somam US$12,5 bilhões em TVL, capturando 65,5% do mercado—bem à frente da BNB Chain, com US$2 bilhões, e menos de US$1 bilhão cada para Solana e Arbitrum. Gigantes de Wall Street como BlackRock e JPMorgan já colocaram títulos públicos, crédito privado e fundos on-chain em escala. O mercado de RWA cresceu mais de 212% em 2025, ultrapassando US$12,5 bilhões em valor total. Pesquisas institucionais indicam que 76% dos gestores de ativos pretendem investir em ativos tokenizados até 2026.
Instituições projetam que o mercado de RWA vai crescer mais de dez vezes em 2026. Como camada de liquidação mais madura e segura, Ethereum está pronto para capturar a maior parte dessa oportunidade trilionária. O avanço regulatório—com expectativa de aprovação do CLARITY Act e do Stablecoin Act no primeiro semestre—deve acelerar ainda mais essa tendência.
No mercado de stablecoins, o domínio é semelhante. O Ethereum suporta mais de US$62 bilhões em stablecoins em circulação, mais de 62% do mercado e 68% do TVL de DeFi. Casos institucionais como pagamentos B2B e liquidações internacionais estão migrando rapidamente para o on-chain. Segundo a Artemis, os pagamentos B2B com stablecoins baseadas em Ethereum cresceram de forma constante entre 2024 e 2025. Não é dinheiro especulativo—é demanda real da economia produtiva.
Com oferta, demanda e tecnologia convergindo, o Ethereum está pronto para deixar de ser “seguidor” e assumir a liderança em 2026. O cenário aponta para um bull market estrutural guiado por instituições—não por especulação do varejo.
Para quem manteve ETH durante anos difíceis, 2026 pode ser o momento da virada. Mas nada é garantido—paciência e racionalidade seguem indispensáveis neste mercado rigoroso.





