O mercado cripto opera em ciclos de tendências e narrativas. A capacidade de identificar essas mudanças logo no início, enquanto ainda estão se formando, é uma habilidade responsável por criar muitos dos maiores vencedores do setor.
Neste artigo, vou destacar as principais narrativas que devem dominar a atenção do CT em 2026.
▪️GambleFI: Mercados de Previsão e Opinião:
Os mercados de previsão e opinião deixaram de ser ferramentas restritas aos entusiastas de cripto para se tornarem fontes essenciais no processo de tomada de decisão cotidiana.
Quando alguém deseja saber se determinado evento é verdadeiro ou falso, normalmente precisa percorrer inúmeros artigos, blogs e postagens em redes sociais, mas ainda assim encontra dificuldade em obter informações realmente confiáveis.
Os mercados de opinião mudam esse cenário. Eles oferecem uma visão transparente do que as pessoas pensam sobre eventos específicos, respaldada não apenas por opiniões, mas pelo próprio capital financeiro colocado em jogo.
Isso nos leva a uma verdade direta: se você tem tanta certeza, coloque dinheiro na aposta ou saia do jogo 😡
Polymarket e Kalshi atualmente concentram a maior parte da atenção e do volume nesse segmento, mas ainda não atingiram todo seu potencial. Muitos outros protocolos devem explorar dinâmicas distintas nessa narrativa.
É um segmento para ficar atento, principalmente pela conexão direta com usuários do mundo real.
▪️Launchpads: Captação de Recursos e ICOs:
Com os airdrops perdendo espaço como modelo padrão de lançamento comunitário, a tendência é vermos mais captações lideradas pela comunidade, já a partir das rodadas seed, além do ressurgimento das ICOs.
Desde 27 de outubro de 2025 (há 62 dias), já foram captados mais de US$341,35 milhões em ofertas e rodadas lideradas pela comunidade, com muito mais previsto para o primeiro trimestre:
MegaETH US$50 milhões, Monad US$187,5 milhões, Gensyn US$16,14 milhões, Aztec US$52,31 milhões, Superform US$3 milhões, Vooi US$1,5 milhão, Solomon Labs US$8 milhões, Solstice, Football Fun US$1,5 milhão, Makina US$1,3 milhão, Rainbow US$3 milhões, Immune fi US$5 milhões, Reya Labs US$3 milhões, Humidi fi US$6,1 milhões, Zkpass US$3 milhões.
Com alguns lançamentos bem-sucedidos, as ofertas comunitárias podem se consolidar como modelo padrão de lançamento, mudando a relação dos projetos com suas comunidades.
Nesse contexto, os maiores vencedores serão as plataformas que oferecerem as melhores condições aos investidores, sempre priorizando a sustentabilidade econômica do protocolo.
Plataformas como Legion, MetaDao, Buildpad, Echo, Coinlist e Kaito lideraram em número de vendas de tokens neste ano.
No dia 14 de novembro, analisei o panorama dos launchpads com base em seus desempenhos:

No próximo ano, certamente veremos novas plataformas explorando modelos dinâmicos de lançamento de tokens em ofertas comunitárias, protegendo tanto investidores quanto os próprios protocolos.
▪️Privacidade: Sigilo On-chain
O ecossistema cripto depende de liquidez, e as instituições concentram grande parte desse recurso. Para atrair capital institucional, privacidade deixou de ser opção e tornou-se requisito.
Alguns dados simplesmente não podem ser públicos: estratégias de negociação, saldos, contrapartes ou movimentações internas de tesouraria, especialmente sob a vigilância da concorrência.
A próxima etapa da adoção on-chain não será esconder atividades do sistema, mas sim promover a divulgação seletiva: comprovar validade sem expor tudo.
Esse é o único caminho para que grandes volumes de capital ingressem no on-chain.
Desde o início de 2025, mais de 44 dapps e blockchains focados em privacidade receberam investimentos, ultrapassando US$500 milhões em captação acumulada, sinalizando a crescente demanda por aplicações com privacidade como prioridade.
Em 2026, a tendência é vermos ainda mais iniciativas desse tipo, enquanto protocolos já existentes finalmente liberam todo seu potencial ao passo que a privacidade se torna um requisito central, e não apenas uma funcionalidade de nicho.
▪️NeoBanking: Bancos para Ativos Digitais
O universo cripto já superou a proposta das wallets tradicionais.
Ferramentas criadas apenas para armazenar e transferir tokens não são mais suficientes.
Com mais capital, protocolos e negócios reais operando on-chain, a lacuna é evidente: ainda não há uma ponte eficiente entre wallets e fluxos financeiros completos.
No próximo ano, veremos a transição de wallets isoladas para neo-bancos nativos, produtos que unem custódia, pagamentos, rendimento, relatórios e compliance em uma única interface.
Não se trata de substituir bancos, mas de transformar wallets em infraestrutura financeira robusta.
Neste ano, @ Revolut liderou a atenção geral, enquanto o destaque ficou com @ AviciMoney, que captou apenas US$3,5 milhões em rodada comunitária e segue apresentando resultados expressivos.
A expectativa é de que surjam muitos outros aplicativos desse tipo, especialmente à medida que entregam utilidade real não só para nativos do CT, mas também para públicos mais amplos.
▪️DePINs: Internet das Coisas:
Em 2024, as infraestruturas físicas descentralizadas ganharam destaque, seguidas por uma queda acentuada em 2025, mas acredito que no próximo ano esse segmento finalmente atingirá seu potencial máximo.
Projetos como Helium mostraram que conectividade distribuída pode operar em larga escala. Hivemapper provou que o mapeamento colaborativo pode rivalizar com grandes players. Render impulsionou a computação descentralizada em ciclos reais de demanda. E redes como Grass estão transformando recursos ociosos em resultados econômicos concretos.
Mais interessante ainda, VCs continuam investindo nessas infraestruturas e projetos relevantes estão sustentando o uso e convertendo-o em receita.

O que antes eram “narrativas de hardware tokenizado” ou “malware disfarçado” começa a se consolidar como redes com usuários, uso real e receita.
Há uma mudança nítida para produtos com casos de uso concretos e geração de receita, e é exatamente aí que os DePINs se destacam.
Perp Dexs: Derivativos:
As DEXs de perpétuos lideraram boa parte da narrativa de negociação cripto neste ano e ainda têm muito a avançar.
Plataformas como Hyperliquid, dYdX, Lighter e Aster demonstraram que perps podem gerar volumes expressivos de negociação e taxas, competindo inclusive com alternativas centralizadas.
No próximo ano, os vencedores não serão apenas as maiores DEXs, mas sim as plataformas que entregarem produtos eficientes em capital, baixa slippage e gestão de risco inovadora, tornando os derivativos acessíveis tanto para investidores de varejo quanto institucionais.
▪️IA: Inteligência Artificial
Nos últimos anos, a IA dominou a internet como um todo, e é apenas uma questão de tempo até que faça o mesmo no universo cripto.
Já vimos pessoas criarem aplicações DeFi do zero até a produção usando apenas “vibe-code”, o que evidencia o avanço das ferramentas de IA.
A IA em cripto não será apenas sobre bots ou sinais de negociação.
A verdadeira transformação ocorrerá quando a IA se tornar infraestrutura, escrevendo contratos, gerenciando riscos, otimizando liquidez e operando protocolos de forma mais rápida e econômica do que humanos.
A IA como narrativa no universo cripto só tende a ganhar força. Vale acompanhar de perto.
Vibecoding, Prompting, Pesquisa com IA e Automação são competências de IA que você deve dominar antes do início do próximo ano.
▪️Outras narrativas para ficar de olho:
→ x402: Simplicidade On-chain:
→ Robótica: Sistemas de Automação Tokenizados
→ Stablecoins: Fiats Tokenizados
→ Ativos do mundo real
O futuro do mercado cripto é promissor e acredito que 2026 será um ano de grandes descobertas para quem busca entender para onde o setor está indo. Nos vemos do lado de quem imprime.





