Visão geral da situação no Médio Oriente | 4 de maio



As negociações entre os EUA e o Irã entram na décima semana, enquanto Trump, de um lado, classifica o plano de 14 pontos do Irã como "inaceitável" e, do outro, inicia o "Plano Liberdade" para orientar os navios presos no Estreito de Ormuz, propondo pela primeira vez escolta. Israel emite uma "ordem de silêncio" para ministros, preparando-se para reiniciar o conflito em duas frentes, Irã e Gaza. Os bombardeios na fronteira entre Líbano e Israel continuam, enquanto uma disputa maior por rotas energéticas aquece no Mar Vermelho — os houthis já completaram os preparativos para bloquear o Estreito de Mandeb, e legisladores iranianos chegaram a oferecer uma taxa de até 5 milhões de dólares para passagem.

I. Negociações EUA-Irã: plano de 14 pontos "a bola está com os EUA", Trump propõe escolta

Divulgação do plano de 14 pontos do Irã, exigindo o fim da guerra em 30 dias

No dia 2 de maio, horário local, o Irã, por meio de mediação do Paquistão, apresentou a última versão do plano de negociação de 14 pontos aos EUA, estabelecendo um prazo de 30 dias para negociações, com a condição de que todas as questões sejam resolvidas nesse período. O plano inclui: garantir que não haja mais agressões militares, retirada das forças americanas das áreas próximas ao Irã,解除 do bloqueio marítimo, desbloqueio de ativos iranianos congelados, pagamento de indenizações, cancelamento de sanções, paz em todas as frentes (incluindo Líbano), e estabelecimento de um novo mecanismo de gestão do Estreito de Ormuz.

Quanto às principais preocupações, o Irã exige que, sob garantias dos EUA e de Israel de que "não atacarão mais", a guerra seja encerrada, com o Irã abrindo o Estreito de Ormuz e os EUA levantando o bloqueio. No que diz respeito à questão nuclear, o parlamento iraniano já aprovou uma lei que elimina todas as cláusulas relacionadas à enriquecimento de urânio no orçamento deste ano, encerrando completamente o enriquecimento e o desenvolvimento de armas nucleares. Sobre Síria e Líbano, o Irã prometeu não atacar a Síria e não tentar criar obstáculos na influência no Líbano. Todas as condições anteriores estão sendo gradualmente abandonadas nas negociações.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Bagheri, afirmou que os EUA responderam ao "Plano de 14 pontos" do Irã por meio do Paquistão, e que o Irã está "analisando a resposta". No momento, as negociações não envolvem a questão nuclear, que será resolvida em negociações técnicas após o acordo de primeira fase. Bagheri também esclareceu que as notícias de que o Irã teria prometido realizar desminagem no Estreito de Ormuz são "totalmente fabricadas pela mídia", e que o Irã não aceita negociações sob ultimatos ou prazos impostos.

É importante notar que a mídia dos países do Golfo já começou a emitir sinais recentes: segundo a Al Arabiya, citando fontes, o Irã propôs limitar o enriquecimento de urânio a 3,5% e reduzir gradualmente seus estoques de urânio enriquecido, em troca da suspensão do bloqueio marítimo pelos EUA. Analistas apontam que isso indica uma flexibilização substancial na posição do Teerã sobre a questão nuclear.

O vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Gharibabadi, afirmou claramente em Teerã que a responsabilidade pelo fim da guerra é dos EUA, "a bola está com os EUA". Oficiais das forças armadas iranianas, incluindo um alto comandante do Comando Central, também declararam que as forças iranianas estão totalmente preparadas para possíveis ações arriscadas dos EUA.

Trump declara "inaceitável" e depois "avaliará com discrição"

Nos dois dias seguintes, as declarações de Trump mostraram uma mudança sutil, de "recusar firmemente" a assinatura do plano para "avaliar com discrição". Em 2 de maio, Trump afirmou que estudaria em breve a proposta iraniana, mas que "não consegue imaginar" que seja "aceitável", e ameaçou "recomeçar os ataques aéreos contra o Irã". Na noite do mesmo dia, em entrevista por telefone à mídia israelense, ele foi mais direto: "Para mim, isso é inaceitável. Já estudei — e é inaceitável."

No dia 3, Trump suavizou sua posição, dizendo que EUA e Irã estão em "diálogo produtivo", estudando detalhes do plano iraniano, e que há "esperança de resultados positivos".

A maior ação foi anunciada por Trump no dia 3: os EUA iniciarão, na manhã de 4 de maio, uma operação no Oriente Médio para orientar os navios presos no Estreito de Ormuz a se afastarem, alegando ser uma "postura humanitária", e advertindo que qualquer interferência será respondida com força. O Pentágono e o Comando Central dos EUA anunciaram que enviarão um destróier de mísseis, mais de 100 aeronaves e 15 mil militares para apoiar essa "Plano Liberdade", que visa restabelecer a liberdade de navegação comercial no Estreito de Ormuz.

Resposta firme do Irã: não realizará desminagem, não aceita ultimatos

O Irã respondeu rapidamente ao anúncio antecipado dos EUA: o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Bagheri, afirmou que ainda não há uma resposta formal por escrito dos EUA ao plano de 14 pontos, e que o Irã está "analisando". Além disso, desmentiu relatos de que o Irã teria prometido realizar desminagem no Estreito, dizendo que são "totalmente fabricados pela mídia", e que o Irã não aceita regras de jogo baseadas em ultimatos.

II. Estreito de Ormuz: força naval dos EUA faz demonstração de força, e superpetroleiro iraniano quebra bloqueio

A disputa de força militar entre EUA e Irã nas rotas de energia está se intensificando.

Trump promove o "Plano Liberdade" com forte presença naval

Em 3 de maio, Trump anunciou que, na manhã de 4 de maio, os EUA iniciarão uma operação de escolta com navios de guerra e aviões no Estreito de Ormuz, para orientar os navios presos a se afastarem — alegando ser uma "postura humanitária", mas advertindo que qualquer interferência será respondida com força. Trump afirmou que vários países solicitaram ajuda dos EUA para garantir a passagem segura de seus navios, descrevendo a operação como uma ação humanitária, e enfatizando que esses navios são "neutros e inocentes".

Segundo o "Wall Street Journal", Trump orientou que a operação de escolta não envolverá o escolta direta de navios americanos, mas sim um mecanismo coordenado de navegação, envolvendo governos, seguradoras e organizações de navegação. O Comando Central dos EUA anunciou que, a partir de 4 de maio, enviará um destróier de mísseis, mais de 100 aeronaves e drones, e 15 mil militares para apoiar essa operação, denominada "Plano Liberdade". O comandante do Comando Central, Cooper, afirmou que, enquanto apoia essa missão defensiva, os EUA manterão o bloqueio marítimo ao Irã.

Superpetroleiro iraniano consegue romper o bloqueio

Dados públicos indicam que, apesar do bloqueio total declarado pelos EUA, pelo menos um superpetroleiro iraniano conseguiu passar: um VLCC pertencente à National Iranian Oil Company, carregando mais de 1,9 milhão de barris de petróleo (valor próximo a 220 milhões de dólares), após 13 dias com o AIS desligado e várias mudanças de rota, atravessou o Estreito de Lombok e seguiu para as Ilhas Riau, na Indonésia — o caso mais destacado de uma quebra de bloqueio confirmada até agora.

As estatísticas de navegação de abril também foram surpreendentes: a agência de notícias "Mehr" revelou que, naquele mês, 25 petroleiros deixaram o Irã, sendo que 7 retornaram por causa do bloqueio, 2 foram apreendidos, e a maioria dos demais, na primeira metade do mês, já havia chegado ao porto de destino — demonstrando que há grandes brechas na operação de bloqueio dos EUA.

Ao mesmo tempo, o parlamento iraniano está promovendo a "Lei de Gestão do Estreito de Ormuz", que inclui: proibição permanente de navios israelenses, cobrança de "indenizações de guerra" de navios de países "hostis", e autorização direta do Irã para passagem de todas as demais embarcações. Uma declaração já indica que o Irã não fará concessões nessa rota.

III. Israel: "ordem de silêncio" para ministros entra em vigor, preparando-se para duas frentes de conflito

A proteção "liberdade" dos EUA começa com "ordem de silêncio" para ministros israelenses

Enquanto Trump inicia a operação de escolta, Israel impõe uma rigorosa "ordem de silêncio" aos seus ministros — proibindo altos funcionários de comentarem livremente sobre possíveis ações militares em relação ao Irã e Gaza. Israel acredita que o Hamas não cumpriu o acordo de desarmamento, e está em negociações para uma trégua em Gaza, com altos comandos militares considerando a possibilidade de uma nova ofensiva terrestre.

O chefe do Estado-Maior das Forças de Defesa de Israel, Zamiir, conversou por telefone com o comandante do Comando Central dos EUA, Cooper, para coordenar possíveis cenários. Recentemente, Israel recebeu grande quantidade de equipamentos militares, e os preparativos para uma guerra em múltiplas frentes estão em andamento.

Na fronteira Líbano-Israel, o exército israelense realizou ataques aéreos no sul do Líbano em 2 de maio, destruindo mais de 70 instalações do Hezbollah, e no dia 3 emitiu ordens de evacuação de 11 vilarejos no sul do Líbano, demonstrando determinação de continuar. Em Gaza, jornais israelenses de 3 de maio revelaram que o Hamas rejeitou oficialmente o plano de "entregar armas em fases" proposto pelo "Comitê de Paz" liderado pelos EUA, recusando a desmilitarização.

IV. Conflito Líbano-Israel: um dia de ataques aéreos com 13 mortos, exército israelense ordena evacuação de vilarejos no sul do Líbano

Ciclo de ataques e retaliações acelera, mortes ultrapassam 2.600

Mesmo com o acordo de cessar-fogo assinado, Israel continua realizando operações de limpeza terrestre e aérea para impedir que o Hezbollah recupere força. Em 2 de maio, atacou intensamente cidades no sul do Líbano, como Nabatyeh, Saida e Tiro, causando pelo menos 13 mortes. No mesmo dia, o exército israelense afirmou ter destruído cerca de 70 instalações do Hezbollah e 50 posições.

O Hezbollah respondeu com foguetes e drones carregados com explosivos contra as tropas israelenses. Os drones do Hezbollah têm causado grande preocupação, pois dificultam a interceptação tradicional.

Dados do Ministério da Saúde do Líbano indicam que, desde 2 de março, quando o conflito recomeçou, já morreram 2.659 pessoas e 8.183 ficaram feridas. Em 3 de maio, o exército israelense ordenou a evacuação de 11 vilarejos no sul do Líbano, alertando civis para se afastarem pelo menos 1 km — uma "advertência" antes de novos ataques, sinalizando possível intensificação da ofensiva terrestre.

Intervenção diplomática do Irã para garantir cessar-fogo no Líbano

Segundo a AFP, em 3 de maio, o Ministério das Relações Exteriores do Irã mantém contato com o Líbano para assegurar o cumprimento do cessar-fogo em todas as frentes. O Ministério libanês também pediu à comunidade internacional e ao Conselho de Segurança da ONU que intervenham para impedir a escalada israelense.

V. Mar Vermelho / Estreito de Mandeb: Houthis já preparam bloqueio, taxas de até 5 milhões de dólares por passagem

Fora do palco principal de EUA e Irã, a disputa no Mar Vermelho também se intensifica. Os houthis, apoiados pelo Irã, estão quase prontos: um parlamentar iraniano revelou que os houthis concluíram todos
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