Meios de comunicação revelam colaboração entre OpenAI e o ex-chefe de design da Apple, Jony Ive, no desenvolvimento do primeiro hardware: uma coluna inteligente com câmera e reconhecimento facial, com preço entre 200 e 300 dólares, prevista para lançamento em fevereiro de 2027.
(Antecedentes: notícia bombástica! NVIDIA investe 100 mil milhões de dólares em parceria com OpenAI, construindo um centro de dados de IA de 10 GW, com ações da NVDA a subir 3,9%)
(Complemento: Amazon também investe centenas de milhões de dólares na OpenAI, promovendo chips próprios Trainium para desafiar o domínio da Nvidia)
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Segundo reportagem do The Information, o primeiro produto de hardware desenvolvido em parceria entre a OpenAI e Jony Ive será uma coluna inteligente com câmera embutida, com preço estimado entre 200 e 300 dólares, com lançamento previsto para fevereiro de 2027. Linhas de produtos futuras incluem luminárias inteligentes e óculos de realidade aumentada, mas estes só devem chegar em 2028 ou mais tarde.
Esta é a primeira exposição concreta da ambição da OpenAI em hardware. Em julho do ano passado, a OpenAI adquiriu a io Products, fundada por Ive, por cerca de 6,5 mil milhões de dólares em ações. Sam Altman descreve o produto com ambição: “Será o produto mais cool de tecnologia já criado no mundo.”
De acordo com a reportagem, o núcleo desta coluna inteligente não é tocar música ou definir alarmes, mas “percepção de contexto”. Ela usará uma câmera embutida e um sistema de reconhecimento facial semelhante ao Face ID para identificar quem está usando, o ambiente ao redor, e assim fornecer respostas personalizadas.
Além disso, a coluna não será apenas passiva, respondendo a perguntas, mas também observará os comportamentos do utilizador e fará sugestões proativas. Um exemplo citado: se souber que tem uma reunião cedo amanhã, sugerirá que vá dormir mais cedo; o utilizador poderá também fazer compras diretamente pela coluna.
Em outras palavras, a OpenAI está a criar um assistente de IA que fica na sua sala de estar, a observar a sua vida 24 horas por dia.
Porém, esta proposta levanta uma questão óbvia: privacidade. Um dispositivo com câmera, reconhecimento facial e observação de comportamentos, colocado em casa, tem uma diferença funcional de uma câmara de vigilância, sendo que a única diferença é a pretensão de “fazer o bem”.
Em 2019, a Amazon enfrentou controvérsia ao revelar que o Echo escutava as gravações dos utilizadores. A coluna inteligente da OpenAI, na coleta de dados, parece estar muito além de qualquer produto doméstico inteligente existente.
A aquisição de io Products por 6,5 mil milhões de dólares, em ações, é uma das maiores operações da OpenAI até hoje. Para entender essa lógica, é preciso voltar ao ponto que Altman insiste: o próximo grande avanço em IA não está no modelo em si, mas na “interface” de interação entre utilizador e IA.
Atualmente, mais de 300 milhões de pessoas usam o ChatGPT via smartphone ou computador. Mas a tela do telefone é uma limitação: é preciso abrir o app, digitar a pergunta, esperar a resposta. Altman e Ive querem uma “inteligência ambiental”: a IA não precisa ser chamada, ela está lá, a observar, entender, intervir quando necessário.
No entanto, a distância entre conceito e produto é muito maior do que entre conceito e vídeo de demonstração. A história de sucesso de Ive na Apple — iPhone, iMac, AirPods — dispensa comentários, mas após deixar a Apple em 2019, seu percurso empreendedor é uma folha em branco.
Antes da aquisição, a io Products não tinha lançado nenhum produto de consumo. Relatos indicam também que dentro da OpenAI há insatisfação com a cultura de confidencialidade da LoveFrom (empresa de Ive) e com o ritmo lento de revisões de design.
O mercado de colunas inteligentes não é novo. Amazon Echo foi lançado em 2014, Google Home em 2016, Apple HomePod em 2018. Passaram-se mais de dez anos, e a história do segmento é: vendas elevadas (mais de 500 milhões no mundo), mas lucros escassos, e dependência da fidelidade ao ecossistema, não do dispositivo em si.
A Amazon vende o Echo com prejuízo ou quase, para manter os utilizadores presos ao seu ecossistema de retalho e Prime.
A OpenAI não possui ecossistema de retalho, nem serviço de streaming, nem plataforma de casas inteligentes. Sua única vantagem é o ChatGPT, que já pode ser usado em qualquer dispositivo. Para convencer consumidores a comprarem uma coluna de 200 a 300 dólares, é preciso oferecer uma experiência “única nesta coluna”.
A combinação de câmera, reconhecimento facial e observação de comportamento pode parecer a diferenciação que a OpenAI busca, mas também é a mais suscetível a gerar preocupações de privacidade.
A história da tecnologia está cheia de exemplos de hardware de IA que fracassaram. No ano passado, o AI Pin da Humane (dispositivo vestível de 700 dólares) quase fracassou após poucos meses de lançamento, devido a má experiência de uso e problemas de aquecimento.
O R1 da Rabbit (dispositivo de IA portátil de 199 dólares) também foi rapidamente esquecido após o hype inicial. A lição comum: hardware de IA não é só uma “nova carcaça para grandes modelos de linguagem”, precisa resolver problemas que o telefone não consegue.
A vantagem da OpenAI é que ela não precisa criar IA do zero; o modo de conversa do ChatGPT já é um dos mais naturais do mercado.
Por outro lado, o sucesso do hardware depende não só da inteligência da IA, mas também da gestão da cadeia de suprimentos, qualidade de fabricação, canais de venda e suporte pós-venda — áreas que a OpenAI nunca enfrentou. Se a equipe de Ive, adquirida por 6,5 mil milhões, conseguirá superar essas limitações, ainda é uma hipótese não comprovada.
Se, em fevereiro de 2027, a coluna inteligente for lançada como planejado, o mercado não se prenderá às descrições de Altman. Haverá três perguntas:
Primeiro, o que esta coluna faz que o ChatGPT no meu telefone não faz?
Segundo, estou disposto a deixar uma câmera de vigilância 24 horas na minha sala?
Terceiro, por 200 a 300 dólares, é um verdadeiro companheiro de IA útil ou apenas um objeto bonito e falante?