London Stock Exchange Group (LSEG) anunciou a construção de uma “Depositaria de Valores Digitais”, um serviço de liquidação on-chain que suportará a tokenização de obrigações, ações e ativos do mercado privado, com o objetivo de entrega inicial em 2026, estando já apoiada por principais instituições financeiras do Reino Unido, como Barclays, Standard Chartered, entre outras.
(Antecedentes: o Reino Unido escolheu o HSBC Orion para emitir títulos do governo on-chain, iniciando um teste de blockchain no mercado de 2,5 trilhões de libras)
(Informação adicional: o Reino Unido abandonou a tributação de stablecoins de DeFi, fundador da Aave declara: vitória dos usuários de DeFi)
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A London Stock Exchange Group (LSEG) foi fundada em 1801. Nos últimos três séculos, testemunhou a chegada da máquina a vapor, do telégrafo, das negociações eletrónicas e dos algoritmos de alta frequência. A cada revolução tecnológica, encontrou seu lugar.
Agora, pretende fazer mais uma vez.
Nesta semana, a LSEG anunciou que irá construir um sistema de liquidação on-chain chamado “Depositaria de Valores Digitais da LSEG”, voltado para investidores institucionais. Este sistema suportará a negociação e liquidação de obrigações, ações tokenizadas e ativos do mercado privado, compatível com múltiplas redes blockchain, mantendo interoperabilidade com a infraestrutura de liquidação tradicional existente. A entrega inicial está prevista para 2026, sujeita à aprovação regulatória.
Após o anúncio, instituições financeiras do Reino Unido como Barclays, Lloyds, NatWest Markets, Standard Chartered e Brookfield Asset Management rapidamente manifestaram seu apoio.
A LSEG não está começando do zero. Já opera na plataforma blockchain voltada para fundos de private equity na Azure da Microsoft, e esta nova iniciativa é uma extensão de sua estratégia existente.
A lista de apoiadores não inclui apenas uma ou duas instituições experimentando a tecnologia, mas sim atores centrais do sistema financeiro britânico: a presença simultânea de Barclays e Standard Chartered é incomum em anúncios relacionados a criptomoedas.
A principal diferença está na sua missão. A LSEG não pretende criar uma “plataforma de negociação de criptomoedas” independente, mas sim uma ponte: uma infraestrutura de liquidação que conecta o mercado de valores tradicional às redes blockchain. Seu público-alvo não são investidores de varejo ou entusiastas de criptomoedas, mas grandes investidores institucionais que gerenciam trilhões de dólares e há muito tempo enfrentam a ineficiência do sistema de liquidação atual.
Por que as instituições estão ansiosas por liquidação on-chain? A resposta é T+2.
No mercado tradicional de valores, uma transação leva, em média, dois dias úteis (T+2) para ser completamente liquidada. Ou seja, uma ação comprada na segunda-feira só será realmente sua na quarta-feira. Nesse período, ambas as partes enfrentam risco de inadimplência do contraparte, e o sistema depende de intermediários como a câmara de compensação, o depositário central e bancos custodiante para garantir o funcionamento.
Este sistema funciona há décadas, é estável, mas caro. Cada intermediário cobra taxas, cada etapa adiciona atrasos e riscos. Estima-se que o custo global de liquidação de valores seja de centenas de bilhões de dólares por ano.
A promessa do blockchain é reduzir o T+2 para quase instantâneo. A plataforma DiSH (Digital Settlement House) da LSEG vai além, afirmando suportar liquidações 24 horas por dia, todos os dias, com interoperabilidade entre fusos horários e múltiplos métodos de pagamento.
Se essa visão se concretizar, ela não só reduzirá drasticamente os custos de liquidação, como também eliminará o problema do fuso horário, uma das maiores dores nas transações internacionais.
Vale refletir: quando o mercado fala em “tokenização”, geralmente pensa em transferir ativos do mundo real (RWA) para a blockchain, para gerar mais fontes de rendimento em DeFi. Mas a visão da LSEG é oposta: usar a tecnologia blockchain para modernizar a infraestrutura de ativos tradicionais, e não transformar ativos tradicionais em brinquedos criptográficos.
Essa diferença de abordagem determina quem detém a narrativa. Para a LSEG, blockchain é uma ferramenta, não uma ideologia. Não precisa de uma narrativa de “descentralização” para existir; ela precisa ser mais rápida, mais barata e mais confiável.
Para os puristas de criptomoedas, isso pode parecer uma “traição”: usaram nossa tecnologia, mas abandonaram seu espírito. Mas, para o mercado, essa é provavelmente a via mais realista para a adoção em larga escala: não derrubar o sistema financeiro tradicional, mas integrá-lo.
O projeto da LSEG soa promissor, mas há limites práticos a considerar.
Primeiro, a aprovação regulatória ainda não foi obtida. A FCA (Autoridade de Conduta Financeira do Reino Unido) é cautelosa com negócios relacionados a criptomoedas, e a viabilidade do sistema dependerá de como a LSEG lidará com requisitos de AML (antissuborno) e KYC (conheça seu cliente).
Segundo, “compatibilidade com múltiplas blockchains” parece fácil de dizer, mas é extremamente difícil de fazer. A interoperabilidade entre blockchains ainda não foi resolvida de forma definitiva no mundo cripto, e a implementação em nível institucional apresenta desafios técnicos elevados.
Terceiro, a concorrência não vai esperar. A SIX Digital Exchange na Suíça já opera uma plataforma de ativos digitais, e Cingapura e Hong Kong também estão ativos na área. Se a LSEG demorar demais, sua vantagem de pioneirismo pode ser rapidamente diluída.
No entanto, o simples fato de “London Stock Exchange Group estar levando a sério essa iniciativa” já é um sinal importante. A tecnologia blockchain não precisa mais de endosso de entusiastas cripto; uma das instituições mais antigas do sistema financeiro está apostando nela com recursos reais.
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