Resumo da entrevista com a16z: Por que as redes abertas sempre conseguem vencer? As redes abertas têm uma vantagem única devido à sua natureza descentralizada e inclusiva, permitindo inovação rápida, maior resistência à censura e maior participação da comunidade. Este modelo promove um ecossistema dinâmico onde qualquer pessoa pode contribuir, o que frequentemente leva a avanços tecnológicos e adoção mais rápida. Além disso, a transparência e a liberdade de expressão incentivam a confiança e o crescimento sustentável. Por isso, as redes abertas continuam a prevalecer em um mundo cada vez mais conectado e digital.

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Recentemente, o autor viu uma entrevista na a16z, cujo tema é bastante direto: por que as redes abertas sempre vencem (Why open networks win). A entrevista discute uma questão real: se queres criar uma rede global, no final das contas, o que precisas resolver não é desempenho, mas confiança.

Christian Catalini é o protagonista desta entrevista. Ele foi um membro central do Libra e também fundador da Lightspark. Na gravação, ele faz uma afirmação bastante dura, mas precisa: Se queres reformar o sistema monetário, ninguém confiará na tua Corp chain (cadeia empresarial). Corp chain representa o controle, as atualizações e a partilha de lucros ainda concentrados numa única empresa ou aliança, o que leva o mercado a presumir que ela servirá aos interesses internos.

Muita gente atribui o fracasso do Libra à regulação, mas Christian oferece uma “verdade” diferente. Ele aponta que a regulação realmente tem um impacto grande, mas não é o único problema. O mais importante é que o mercado nunca acreditou que uma única empresa pudesse criar uma “rede monetária neutra”. Mesmo que você crie uma associação para governança, mesmo que o CEO opere de forma independente, o mercado continuará a fazer a mesma inferência: assim que o líder sair, a rede perderá força. Essa inferência não é direcionada especificamente ao Facebook, mas sim à organização do tipo “cadeia empresarial”.

Por isso, ele passou a preferir cada vez mais o Bitcoin. Ele acredita que o Bitcoin não é a solução “mais avançada tecnologicamente”; desenvolver na rede Bitcoin é difícil, como construir um carro no espaço. Mas ela possui um elemento difícil de ser replicado por empresas: a neutralidade é validada pela história. Mesmo que os fundadores desapareçam, ela entra em um regime sem permissão, as regras são difíceis de serem reescritas unilateralmente, e a governança é difícil de ser capturada por um ponto único. Por isso, ela pode suportar demandas de alta confiança, como a “transferência de valor global”. Essa lógica muda a discussão de “a qualidade do código” para “quem pode ser confiável”.

Na discussão, Christian também oferece um julgamento mais comercial: o maior paradoxo das cadeias empresariais é que você nunca consegue convencer o “segundo colocado” a entrar na sua rede. Por exemplo, se você é a maior empresa de pagamentos, por que a segunda maior deveria confiar sua operação a você? Ou, se você é um emissor de stablecoins, por que seus parceiros acreditariam que você não expandirá para o downstream, engolindo o pool de lucros? Essa questão é comum no Web2. Assim que uma rede consegue extrair lucros, os controladores têm motivação para maximizar esses lucros.

Portanto, Christian dá uma avaliação: no curto prazo, podem surgir novas redes fechadas, até mesmo um período de “domínio de cadeias empresariais”. Mas, em uma visão de longo prazo, o dinheiro inevitavelmente fluirá em redes abertas.

Essa discussão também me fez lembrar de um artigo que escrevi anteriormente, intitulado “Exploração de startups Web3: projetos de criptografia, eles realmente precisam ser open source?”. Nesse artigo, o foco era na tensão entre duas forças: o open source pode gerar confiança, mas também traz riscos de cópia; o open source é a base do Web3, mas nem todas as equipes podem suportar os custos de uma abertura total. Além disso, usei exemplos do Uniswap e SushiSwap para ilustrar que cópias não são incomuns, e que a vantagem competitiva não vem apenas do código.

Já a discussão na a16z oferece uma perspectiva mais aprofundada, redefinindo o significado de “open source” como uma característica semelhante a uma declaração de neutralidade. Mas, na prática, mesmo que uma equipe libere o código, ela não automaticamente garante neutralidade. Na avaliação do mercado, o que importa não é o GitHub, mas o controle de poder.

Então, o que é neutralidade, como ela se manifesta? A Portal Labs simplificou essa questão em três dimensões mais operacionais:

  1. Neutralidade de regras

Foca na possibilidade de alterar unilateralmente as regras essenciais. Tarifas do protocolo, liquidação, congelamento, permissões, atualizações — se esses termos podem ser mudados por poucos, ela dificilmente será considerada infraestrutura pública. Neutralidade de regras não exige que seja “totalmente imutável”. Ela exige que o direito de atualização tenha limites, e que esses limites possam ser externalmente restritos. Essa dimensão responde à pergunta: “Você consegue alterar as regras a qualquer momento?”

  1. Neutralidade de acesso

Foca na entrada na ecossistema. A integração precisa de permissão? As interfaces podem ser revogadas a qualquer momento? Os nós ou validadores precisam de aprovação? Recursos-chave são acessíveis apenas à própria equipe? Tudo isso determina se a rede é uma via pública ou um espaço privado. Neutralidade de acesso não significa ausência de barreiras. Significa que as barreiras não podem ser arbitrariamente elevadas por uma única parte. Essa dimensão responde à pergunta: “Outros podem entrar livremente?”

  1. Neutralidade de interesses

Foca na distribuição de valor e se ela pode ser distorcida pelo controle de poder. Você pode direcionar transações para seus próprios produtos? Pode alterar a partilha de lucros em momentos críticos? Pode conceder tratamentos especiais a certos parceiros? Pode concentrar os lucros da ecossistema na sua própria fluxo de caixa? Se a resposta for frequentemente “sim”, o mercado te classificará como uma plataforma, e não como uma rede. Essa dimensão responde à pergunta: “Você vai transformar a rede em uma máquina de saques?”

Na prática, esses três critérios acabam convergindo para uma mesma avaliação de startup Web3: Você está construindo um “produto descentralizado” ou uma “rede descentralizada”? O objetivo do produto é eficiência e controle. O objetivo da rede é confiabilidade e acessibilidade. Ambos podem coexistir, mas suas prioridades são diferentes. O verdadeiro empreendedor de Web3 deve primeiro definir seu posicionamento, e depois decidir sobre neutralidade e estratégia de open source.

Para ajudar nisso, a Portal Labs sugere uma série de perguntas simples para autoavaliação.

Q1: Seu sistema permite que qualquer pessoa integre e implemente sem permissão?

Se a resposta for não, você está mais próximo de um produto. Essa avaliação filtra muitas “falsas redes”.

Q2: Suas regras principais possuem uma chave de emergência unilateral, como congelamento, rollback ou atualização forçada?

Se a resposta for sim, você precisa explicar como esses poderes são limitados. Essa questão corresponde diretamente à neutralidade de regras.

Q3: Sua entrada na ecossistema depende de uma interface ou ordenação exclusiva fornecida por você?

Se a resposta for sim, você está construindo uma plataforma. Essa questão corresponde à neutralidade de acesso.

Q4: Você permite que concorrentes ganhem dinheiro na sua rede sem serem reprimidos por regras?

Se a resposta for não, você não pode ser considerado uma rede pública. Essa questão corresponde à neutralidade de interesses.

Ao responder essas perguntas, a decisão de open source se torna uma questão de engenharia mais racional. Claro que o open source também tem níveis; não deve ser uma decisão binária.

O primeiro nível é open source verificável. Equipes publicam contratos-chave e códigos relacionados à segurança, permitindo auditoria e reprodução por terceiros. Essa camada resolve a transparência e aumenta a confiança, sem abrir mão de todo controle comercial. Muitos produtos de ferramenta se limitam a esse nível. Essa camada corresponde a “quero que os outros acreditem que não fiz nada de errado”.

O segundo nível é open source substituível. Equipes permitem forks por terceiros e execução sem manter o controle exclusivo sobre o funcionamento. Essa camada traz maior competição, resistência à censura e sustentabilidade. Corresponde a “não dependo de monopólio de controle de execução”.

O terceiro nível é open source de saída. Equipes transferem gradualmente o controle de atualizações e governança, tornando-se estruturalmente menos relevantes. Bitcoin é um exemplo extremo, mas há estados intermediários. Ethereum ainda precisa de coordenação e auditoria, mas sua governança é mais uma evolução contínua de uma comunidade pública do que uma empresa. Redes abertas não significam ausência de governança, mas que sua governança não pertence a uma única empresa.

A discussão sobre redes abertas, à primeira vista, parece focada em abrir ou não o código, mas, na essência, trata de neutralidade. Quando o controle se concentra, o segundo colocado não entra, a ecossistema não se torna uma base pública, e o sistema acaba permanecendo na forma de produto.

Portanto, para o empreendedor de Web3, open source é uma escolha de forma de produto. Quão aberto você quer ser? Quais poderes você está disposto a ceder? Quanto de imprevisibilidade você aceita? Isso determinará se você está construindo uma plataforma ou tentando criar uma rede aberta.

Pensar nisso claramente torna a questão do open source mais simples: não se trata de decidir “se deve ou não abrir o código”, mas de decidir “se quer ou não se tornar uma rede”.

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