Um dos erros mais repetidos no mercado de prata é a ideia de que a prata tem uma “capitalização de mercado” clara e simples, semelhante às ações ou criptomoedas. À primeira vista, parece simples. Pegue toda a prata já minerada, multiplique pelo preço atual, e você obtém um número enorme.
Mas, como aponta o Wall Street Mav, que tem mais de 1,7 milhão de seguidores na X, essa forma de pensar não tem nada a ver com o funcionamento real do mercado de prata.
O problema começa com a suposição de que toda a prata já minerada ainda está disponível. Aproximadamente 56 bilhões de onças de prata foram produzidas ao longo da história, mas grande parte dela não está apenas parada, esperando para ser negociada.
Na verdade, 90% dela já foi usada na indústria. Ela foi transformada em pasta e incorporada em eletrônicos, painéis solares, espelhos, equipamentos médicos e dezenas de outros produtos. Na maioria dos casos, essa prata existe em quantidades minúsculas, muitas vezes apenas alguns gramas de cada vez, dispersas por milhões de dispositivos.
Uma vez que a prata é usada dessa forma, ela efetivamente desaparece do mercado ativo. Apenas cerca de 20% da prata é reciclada. O resto é ou demasiado caro, demasiado complexo ou simplesmente impraticável de recuperar.
Por isso, falar de uma “capitalização de mercado da prata” gigante com base na produção histórica total é enganoso. A maior parte dessa prata não pode ser comprada, vendida ou entregue hoje.
Além disso, isso também explica por que os preços da prata se comportam da maneira que se vê. Se realmente existissem dezenas de bilhões de onças circulando e facilmente acessíveis, a prata não estaria sendo negociada acima de $100 por onça.
Compradores industriais não precisariam fazer acordos diretos com empresas de mineração para garantir o fornecimento. O fato de eles fazerem isso mostra o quão escassa é a disponibilidade real de prata.
Além disso, algumas pessoas argumentam que a prata nunca desaparece realmente porque é um elemento químico. Em teoria, isso é verdade. Mas na prática, prata enterrada em aterros sanitários, misturada em resíduos eletrônicos ou dispersa em resíduos industriais pode muito bem estar desaparecida para o mercado atual.
_****Por que o preço do Axelar (AXL) está subindo? Por que comprar agora pode ser uma armadilha**
Recuperá-la exigiria minerá-la novamente, apenas em uma forma diferente. Como colocou o Wall Street Mav, futuras minas de prata podem acabar sendo aterros de resíduos eletrônicos, mas isso só se torna viável a preços muito mais altos.
É por isso que a narrativa da “capitalização de mercado da prata” continua enganando as pessoas. Ela assume que a prata se comporta como uma ação ou um token de criptomoeda, onde a oferta é claramente rastreada e acessível.
Na realidade, a prata se comporta mais como petróleo que já foi queimado. Uma vez usada e dispersa, ela não funciona mais como parte da oferta negociável.
Compreender isso muda a forma como a prata deve ser vista. Preços em alta não são apenas especulação. Eles refletem um mercado onde a oferta utilizável é muito menor do que a maioria das pessoas acredita, enquanto a demanda industrial continua a crescer. E é por isso que o mito da capitalização de mercado da prata não é apenas errado, mas uma das maiores equívocos nos commodities hoje.