
Revolut solicita licença bancária no Peru, focando no mercado de remessas de 49,3 bilhões de dólares. O lucro líquido de 2024 deve aumentar 130% para 7,9 bilhões de libras esterlinas, e o volume de transações com stablecoins deve atingir 10,5 bilhões de dólares em 2025, competindo com Mercado Libre, Nubank e o mercado de criptomoedas de 1,5 trilhão na América Latina.

(Origem: Banco Mundial)
De acordo com a Bloomberg na segunda-feira, o banco digital e empresa de pagamentos com sede em Londres, Revolut, solicitou uma licença bancária completa no Peru, como parte de seus planos de expansão na América Latina. Se aprovada, a licença permitirá que a empresa opere como banco regulado no país, incluindo o Peru em sua lista de mercados regionais após México, Colômbia e Brasil.
A fintech londrina está expandindo ainda mais sua presença na América Latina, onde a concorrência entre bancos digitais está se intensificando. A Bloomberg afirma que a estratégia da Revolut é competir principalmente com bancos existentes, e não com novos players de fintech. Essa abordagem demonstra a confiança da Revolut: ela acredita que sua tecnologia e experiência do usuário são suficientes para desafiar os bancos tradicionais locais, sem temer a concorrência direta de startups financeiras.
A Revolut já identificou remessas e pagamentos transfronteiriços como parte central de sua estratégia local, destacando que cerca de 1 milhão de pessoas no Peru dependem de remessas internacionais. Segundo dados do Banco Mundial, as remessas pessoais ao Peru totalizaram 4,93 bilhões de dólares em 2024. Esse mercado é altamente atrativo, pois as remessas geralmente envolvem altas taxas de serviço, e o modelo de baixo custo da Revolut pode oferecer vantagens significativas.
O CEO da Revolut no Peru, Julien Labrot, afirmou que a expansão visa aumentar a concorrência e melhorar o acesso a serviços financeiros no mercado local. A penetração bancária no Peru é relativamente baixa, com uma grande parcela da população sem conta bancária ou usando apenas serviços básicos de caixa. Para esses grupos, o modelo digital prioritário da Revolut e o processo de abertura de conta de baixo limiar podem oferecer serviços financeiros mais acessíveis do que os bancos tradicionais.
Tamanho considerável: 4,93 bilhões de dólares em remessas pessoais em 2024
Alta dependência: cerca de 1 milhão de pessoas (3% da população) dependem de remessas internacionais
Taxas elevadas: bancos tradicionais e empresas de remessas cobram taxas de 5-10%
A entrada da Revolut nesse mercado foi cuidadosamente planejada. O setor de remessas na América Latina tem sido dominado por empresas tradicionais como Western Union, com altas taxas e processos complexos. Nos últimos anos, com a popularização de smartphones e o desenvolvimento de pagamentos digitais, a região vem passando por uma revolução fintech. As taxas baixas, transferências instantâneas e uma experiência de app amigável da Revolut atendem exatamente às dores dos serviços tradicionais de remessas.
Fundada em 2015, a Revolut é um banco digital que, recentemente, expandiu seus serviços de criptomoedas à medida que sua plataforma cresce. Em abril de 2025, a empresa anunciou resultados recordes, com lucro líquido de 7,9 bilhões de libras esterlinas (aproximadamente 10,6 bilhões de dólares) em 2024, um aumento de 130% em relação ao ano anterior, impulsionado pelo crescimento de clientes e pela recuperação das operações com criptomoedas.
Esse crescimento explosivo mostra que o modelo de negócios da Revolut está amadurecendo. De prejuízo inicial a alta lucratividade atual, a Revolut prova que bancos digitais podem ser rentáveis sem dependência de agências físicas. A recuperação das operações com criptomoedas é um dos principais motores, pois as taxas de transação de criptoativos são muito superiores às de pagamentos tradicionais, gerando receitas consideráveis para a plataforma.
Em outubro de 2025, a Revolut lançou um serviço de troca de stablecoins 1:1 com o dólar, permitindo que usuários convertam dólares em USDC e USDT. Essa funcionalidade surgiu em um momento de forte demanda por stablecoins, especialmente em mercados emergentes, onde são vistas como uma ferramenta contra a desvalorização da moeda local e controles de capital. Segundo análise independente do pesquisador Alex Obchakevich, espera-se que até 2025, o volume de pagamentos com stablecoins na plataforma da Revolut cresça 156% ao ano, atingindo cerca de 10,5 bilhões de dólares.
Se essa previsão se concretizar, a Revolut se tornará uma das maiores plataformas de pagamento com stablecoins do mundo. Com um volume de 10,5 bilhões de dólares, equivalente a aproximadamente 875 milhões de dólares por mês, esse valor já supera o volume de muitas exchanges de criptomoedas de médio porte. Mais importante, essas transações são principalmente para pagamentos e remessas reais, não especulação, conferindo maior sustentabilidade ao negócio de stablecoins da Revolut.
Do ponto de vista estratégico, a combinação de stablecoins e remessas é uma arma da Revolut na América Latina. Remessas tradicionais envolvem múltiplos bancos intermediários, câmbio e transferências internacionais, podendo levar dias e custar altas taxas. Com stablecoins, o dinheiro pode ser transferido em minutos, por uma fração do custo. Uma vez obtida a licença bancária no Peru, a Revolut poderá criar um canal completo de remessas com stablecoins: usuários nos EUA convertem dólares em USDC, enviam instantaneamente para o Peru, onde o destinatário pode trocar USDC por moeda local e sacar.
A forte promoção de stablecoins pela Revolut reflete uma tendência mais ampla de fintechs na região investindo em stablecoins e criptomoedas. Em agosto de 2024, Mercado Libre lançou, por meio de sua divisão financeira Mercado Pago, uma stablecoin atrelada ao dólar no Brasil. A moeda, chamada Meli Dollar, pode ser negociada dentro do app Mercado Pago, no maior mercado da empresa.
O maior banco digital da região, Nubank, também está desenvolvendo uma solução de pagamento com stablecoin atrelada ao dólar, vinculada ao seu cartão de crédito. A fintech argentina Lemon, de carteiras digitais e pagamentos, levantou 20 milhões de dólares em rodada Série B em outubro, para expandir seus negócios na região. A empresa já atua no Peru e afirmou que, em menos de um ano, já emitiu mais de 1 milhão de carteiras digitais.

(Origem: Chainalysis)
Revolut: solicita licença bancária no Peru, volume de pagamentos com stablecoins deve atingir 10,5 bilhões de dólares
Mercado Libre: lançou Meli Dollar no Brasil
Nubank: desenvolve stablecoin atrelada ao dólar vinculada ao cartão de crédito
Lemon: levantou 20 milhões de dólares em rodada Série B, em menos de um ano emitiu 1 milhão de carteiras digitais no Peru
Essa competição acirrada reflete as necessidades específicas do mercado latino-americano. Muitos países enfrentam desvalorização cambial, alta inflação e controles de capital, tornando as stablecoins em dólar uma ferramenta ideal para preservação de valor e pagamentos transfronteiriços. Segundo relatório da Chainalysis, de julho de 2022 a junho de 2025, o volume de transações de criptomoedas na América Latina atingiu quase 1,5 trilhão de dólares. Esse número impressionante demonstra a enorme demanda por serviços financeiros cripto na região.
Do ponto de vista regulatório, os países latino-americanos têm uma postura relativamente aberta às criptomoedas. Brasil, México, Argentina já estabeleceram frameworks regulatórios, criando um ambiente legal claro para fintechs operando de forma compliance. O Peru também está aprimorando sua regulação financeira digital, criando condições favoráveis para a solicitação de licença bancária pela Revolut.
Quanto às preferências dos usuários, a aceitação de serviços financeiros digitais na região é alta. Muitos não possuem conta bancária, mas têm smartphones, o que favorece a adoção de serviços digitais de forma rápida e eficiente. O app da Revolut oferece contas multimoeda, conversão instantânea de câmbio, negociação de criptomoedas e pagamentos com stablecoins, tudo em uma plataforma única, ideal para quem precisa fazer transferências internacionais frequentes.
A expansão da Revolut na região não é uma ação de oportunidade de curto prazo, mas uma estratégia de longo prazo bem planejada. De México a Colômbia, Brasil e Peru, a empresa está cobrindo sistematicamente os principais mercados latino-americanos. Essa abordagem de expansão gradual permite entender as necessidades específicas de cada país e adaptar produtos e serviços ao contexto local.
O Peru, como sétima maior economia da América Latina, embora menor que Brasil ou México, possui um mercado de remessas com características únicas, tornando-se um campo de testes ideal. A comunidade de imigrantes peruana, concentrada nos EUA, Espanha e Chile, fornece uma fonte de remessas relativamente centralizada, permitindo à Revolut otimizar canais e tarifas. Se bem-sucedido no Peru, o modelo pode ser rapidamente replicado em outros países latino-americanos.
No aspecto competitivo, a Revolut enfrenta pressão de concorrentes locais e internacionais. Localmente, bancos tradicionais e fintechs emergentes no Peru não ficarão de braços cruzados. Internacionalmente, gigantes como Nubank e Mercado Libre também estão expandindo rapidamente. Contudo, a marca global, a tecnologia avançada e a integração com criptomoedas dão à Revolut uma vantagem competitiva diferenciada.