14 de janeiro de 2024: O projeto de lei sobre a estrutura do mercado de criptomoedas, atualmente em análise pelo Comitê de Bancos do Senado dos EUA, pode ampliar significativamente os poderes de supervisão financeira dos Estados Unidos no domínio dos ativos digitais. A Galaxy Research, no seu relatório mais recente, aponta que o projeto de lei concede ao Departamento do Tesouro novas autorizações para bloquear front-ends de DeFi e congelar transações, podendo representar a maior expansão de supervisão financeira desde a Lei Patriota de 2001.
De modo geral, o projeto estabelece um mecanismo de “congelamento temporário”, que permite às autoridades suspender transações de ativos digitais sem necessidade de ordem judicial, além de oferecer um porto seguro legal para emissores de stablecoins e provedores de serviços que cooperem de boa-fé. Essa medida visa simplificar os processos de solicitação de supervisão, ao mesmo tempo em que reforça a conformidade e a auditabilidade, mas também levanta preocupações sobre privacidade e flexibilidade operacional das empresas.
Alex Thorn, diretor de pesquisa da Galaxy Digital, destacou que o projeto de lei possui uma autoridade de supervisão financeira mais robusta do que a proposta anterior da Câmara dos Deputados, o projeto CLARITY, com foco no combate a atividades financeiras ilegais. O memorando também esclarece o conceito de “camada de aplicação de ledger distribuído”, exigindo que o Departamento do Tesouro esclareça suas responsabilidades de sanções e combate à lavagem de dinheiro em front-ends operando nos EUA, o que impactará diretamente as obrigações de conformidade de desenvolvedores de DeFi e provedores de serviços on-chain.
Especialistas do setor observam que o projeto de lei revela um equilíbrio delicado entre transparência regulatória e proteção de privacidade. Rob Viglione, CEO da Horizen Labs, uma empresa de provas de conhecimento zero, afirmou que, com o aumento das atividades no ecossistema Ethereum, as autoridades regulatórias precisam equilibrar a auditabilidade com a ampliação da supervisão, sob pena de colocar as empresas em risco real. Megan Knab, CEO da Franklin, acrescentou que, embora as stablecoins sejam consideradas moeda legal em nível federal, as diferenças nas leis estaduais e nas políticas bancárias ainda são evidentes, o que significa que salários e pagamentos comerciais on-chain continuam enfrentando desafios legais e operacionais significativos.
De modo geral, se o projeto de lei for aprovado, ele não apenas redefinirá o cenário regulatório de criptomoedas nos EUA, mas também poderá ter um impacto profundo em projetos DeFi globais, na conformidade operacional de stablecoins e no comportamento dos investidores em ativos digitais.