Em janeiro de 2026, os regulamentos de criptomoedas nos EUA deram um passo crucial. O Senado divulgou o texto completo do projeto de lei sobre a estrutura do mercado de ativos virtuais, com 278 páginas, considerado um ponto de virada importante no sistema de regulamentação de ativos digitais dos Estados Unidos. De um modo geral, o foco da atenção está na regulamentação de DeFi e na classificação de tokens, mas uma cláusula relacionada aos rendimentos de stablecoins está silenciosamente mudando o cenário de competição entre a indústria de criptomoedas e os bancos tradicionais.
De acordo com o mais recente rascunho, o projeto de lei de criptomoedas do Senado dos EUA limita claramente os “rendimentos passivos de stablecoins”. A cláusula afirma que as empresas não podem pagar juros apenas pelo saldo de stablecoins mantido pelos usuários; as recompensas devem estar vinculadas ao uso real, como staking, fornecimento de liquidez, negociação, uso como garantia ou participação na governança da rede. Isso significa que o modelo de “rendimentos semelhantes a depósitos” oferecido por alguns produtos de stablecoin no passado será significativamente restringido sob a regulamentação.
De forma geral, essa regra impacta especialmente os usuários de varejo. Investidores comuns que apenas mantêm stablecoins terão dificuldade em obter rendimentos estáveis, enquanto o sistema bancário tradicional ainda poderá pagar juros legalmente sobre depósitos. Eleanor Terrett, apresentadora da Crypto in America, destacou que o projeto de lei favorece claramente os bancos no que diz respeito aos rendimentos de stablecoins, sendo essa cláusula localizada na página 189 do rascunho, com impacto substancial.
O fator tempo também aumenta a incerteza do mercado. Os senadores têm apenas uma janela de 48 horas para apresentar emendas antes da discussão oficial, e a versão final ainda não foi definida. Se essa cláusula permanecer inalterada, a atratividade das plataformas de criptomoedas para fundos de varejo mais conservadores pode diminuir, forçando os usuários a escolher entre aumentar sua participação em DeFi ou retornar ao sistema bancário tradicional.
Além das restrições de rendimento, o projeto de lei também envia sinais relativamente positivos em relação à regulamentação de tokens. O rascunho inclui tokens principais como XRP, SOL, LTC, HBAR, DOGE, LINK, entre outros, sob um quadro regulatório semelhante ao do BTC e ETH, ajudando a reduzir a incerteza de conformidade e fornecendo expectativas mais claras para o mercado. Além disso, o projeto introduz uma abordagem de compromisso para o DeFi, prevenindo arbitragem regulatória ao mesmo tempo em que evita que desenvolvedores não custodiais assumam responsabilidades excessivas.
A senadora Cynthia Lummis vê o projeto de lei como um marco importante para impulsionar a inovação a permanecer nos EUA, destacando que uma regulamentação transparente ajuda a proteger os consumidores. De modo geral, esse projeto de lei não é apenas um texto regulatório, mas também pode remodelar a estrutura do mercado de stablecoins nos EUA em 2026, incentivando a participação ativa em DeFi enquanto fortalece a vantagem de longo prazo dos bancos tradicionais na área de rendimentos passivos.