Após a saída de 160 biliões de won sul-coreanos, 3.500 empresas cotadas entram no mercado

PANews

Nos últimos oito anos, a atitude da Coreia do Sul em relação aos ativos criptográficos tem estado sempre numa espécie de divisão subtil.

Por um lado, possui um dos mercados de negociação de criptomoedas mais ativos e emocionais do mundo. Alta densidade de investidores individuais, alta frequência de negociações, quase sempre as novas narrativas são amplificadas imediatamente no mercado coreano. Por outro lado, a nível institucional, as empresas cotadas e os investidores profissionais têm sido há muito tempo claramente excluídos — não podem deter, não podem alocar, e muito menos incluir no balanço patrimonial.

Assim, uma contradição estrutural de longa data, mas raramente reconhecida de forma direta, vai-se formando lentamente: o mercado já está maduro, mas o quadro regulatório permanece ausente.

No dia 12 de janeiro, essa contradição foi finalmente quebrada oficialmente. A Comissão de Serviços Financeiros da Coreia (FSC) aprovou formalmente: empresas cotadas e investidores profissionais podem, anualmente, alocar até 5% do seu capital social em ativos criptográficos classificados entre os 20 maiores por valor de mercado.

Este marco marca o fim de uma proibição substancial à participação de instituições no mercado de criptomoedas, vigente desde 2017.

Abertura regulatória

Se olharmos apenas às proporções, esta política não é particularmente agressiva; a mudança realmente importante ocorreu na questão de “quem tem permissão para entrar”.

Nos últimos anos, as palavras-chave mais repetidas na regulamentação sul-coreana foram sempre duas — proteção do investidor e risco sistémico. E desta vez, a autoridade reguladora não optou por uma liberalização total, mas estabeleceu limites muito claros:

  • Apenas empresas cotadas e investidores profissionais (cerca de 3500 entidades com acesso ao mercado, incluindo empresas cotadas e instituições profissionais registadas)
  • Apenas os 20 principais ativos criptográficos por valor de mercado
  • Limite de alocação de 5% do capital social

Não se trata de incentivar a apetência pelo risco, mas de fazer algo mais realista: quando os ativos criptográficos já se tornaram uma classe de ativos importante a nível social, continuar a excluir todas as instituições cria, por si só, novos riscos.

A “abertura” regulatória não é uma mudança radical, mas uma correção racional tardia.

Custo da fuga de capitais

Esta mudança não aconteceu de forma repentina, nem resulta de uma mudança de paradigma, mas foi impulsionada repetidamente pela realidade.

Em 2025, o volume de fundos transferidos por investidores sul-coreanos para plataformas de troca de criptomoedas no estrangeiro já ultrapassou os 160 biliões de won sul-coreanos (cerca de 110 mil milhões de dólares).

Num contexto de regulamentação lenta, os ativos criptográficos já se tornaram, de facto, uma das principais classes de ativos na Coreia, com uma base de investidores próxima dos 10 milhões, enquanto as negociações cada vez mais ocorrem fora do âmbito regulatório.

As consequências são simples, mas extremamente reais:

  • Crescimento estagnado das plataformas locais
  • Investidores obrigados a recorrer a plataformas estrangeiras como Binance, Bybit, etc.
  • Fuga simultânea de risco e de capital, enquanto a regulamentação permanece incapaz de cobrir tudo

Neste cenário, manter a “proibição de entrada às instituições” deixou de ser uma postura prudente, tornando-se uma amplificação das vulnerabilidades sistémicas. Agora, com a reabertura do canal de conformidade local, o capital que foi forçado a sair começa a vislumbrar uma possibilidade de retorno.

De “bloquear” a “desbloquear”

Mais importante ainda, esta não é uma alteração de política isolada.

Recentemente, o Ministério das Finanças da Coreia já afirmou que irá promover o lançamento de ETFs de ativos digitais à vista. Desde a discussão sobre stablecoins, passando pela permissão de detenção por parte de instituições, até à padronização de instrumentos de investimento, a lógica regulatória está a evoluir claramente.

Quando as empresas cotadas passam a poder alocar diretamente em ativos criptográficos, e o mercado se prepara simultaneamente para produtos financeiros conformes, regulados e passíveis de liquidação, o sinal é bastante claro: o que a regulação realmente se preocupa não é mais “se as instituições podem entrar”, mas “como manter as instituições dentro do sistema”.

Isto significa que a Coreia do Sul está a construir um caminho completo de participação institucional: desde a detenção direta, passando por produtos padronizados, até às operações reguladas e sistemas de liquidação, deixando de tratar casos isolados de forma passiva.

O que realmente mudou não foi a atitude da Coreia do Sul em relação aos ativos criptográficos, mas a própria regulação que finalmente reconhece: este mercado já não pode ser excluído do sistema.

Quando as empresas cotadas, os investidores profissionais e os canais de investimento conformes começam a alinhar-se, o papel dos ativos criptográficos na Coreia também muda — de um mercado cinzento tolerado passivamente, para uma classe de ativos oficialmente integrada no sistema financeiro, passível de gestão, de restrição e de reconhecimento.

Este passo não veio cedo, mas pelo menos, finalmente, começou.

*Este conteúdo é apenas para fins informativos e não constitui aconselhamento de investimento. O mercado tem riscos, invista com cautela.

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