NVIDIA CEO Jensen Huang afirmou na sua última entrevista que uma grande questão que o mundo ainda não compreendeu verdadeiramente é a profunda dependência entre os Estados Unidos e a China, sendo que Taiwan continua a ser um pivô crucial nesse relacionamento. Ele explicou, com base no contexto temporal, por que defende que «não se deve empurrar nenhuma das partes para o canto da parede» e destacou que fazer da tecnologia americana o padrão global é mais importante do que simplesmente bloquear.
Uma grande questão que o mundo não sabe, na verdade, os EUA e a China dependem profundamente um do outro
O apresentador perguntou-lhe se há algo importante que o mundo ainda não sabe, mas deveria saber. Jensen Huang respondeu diretamente:
«O mundo subestimou o grau de dependência mútua entre os EUA e a China.»
Ele afirmou que a ideia de «desligamento» entre os EUA e a China não é muito válida; ao estudar a cadeia de abastecimento, tecnologia, recursos humanos e mercados, percebe-se que a dependência entre ambos é extremamente profunda e está a aprofundar-se ainda mais, sendo essa uma das relações internacionais mais importantes para os próximos cem anos.
Jensen Huang destacou que gerir essa relação e evitar conflitos é a tarefa mais importante do mundo, e que negociação, comunicação, compromisso e diálogo contínuo são meios essenciais. Ele também mencionou que atualmente o governo dos EUA, desde a defesa até às finanças e diplomacia, está a esforçar-se para manter o diálogo com a China, considerando essa uma «abordagem muito inteligente».
Talentos em IA vêm principalmente da China, podem competir, mas não devem levar a uma confrontação emocional
Ao falar sobre a indústria de IA em si, Jensen Huang apontou que o mundo também subestimou a dependência da China em relação aos talentos de IA.
Ele disse que aproximadamente metade dos investigadores de IA no mundo vêm da China. Empresas chinesas querem que a China vença, e os EUA querem que os EUA vençam, o que é perfeitamente normal. O foco não está na competição em si, mas sim na possibilidade de essa competição se transformar em confrontos emocionais, ódio mútuo, falta de diálogo e uma postura de confronto.
Ele enfatizou que é possível cooperar na competição, mas se as emoções dominarem demasiado, isso só tornará as relações mais difíceis de gerir.
A política do chip H20: de proibição à ausência de mercado
O apresentador recordou que, no início do governo Trump, os chips H20 da NVIDIA foram proibidos de serem vendidos à China, mas posteriormente conseguiram convencer o governo a abrir o mercado. No entanto, o ministro do Comércio dos EUA, Lutnick, afirmou que desejava «fazer a China depender dos chips americanos». Como resultado, a China declarou posteriormente que não queria o H20, e Jensen Huang também afirmou publicamente que atualmente a NVIDIA quase não tem receitas provenientes da China.
Jensen Huang respondeu que muitas pessoas têm uma compreensão demasiado simplista da IA. A IA não é apenas um modelo, mas toda uma pilha tecnológica, onde cada camada precisa de vencer — desde energia, chips, infraestrutura, nuvem, modelos até aplicações. Para vencer nesta revolução industrial, os EUA precisam que todas essas camadas sejam dominadas.
Ele acredita que o mais importante é fazer com que toda a IA do mundo rode na pilha tecnológica americana, tornando-se o padrão global.
Vender chips à China não equivale a ajudar a China a fabricar armas
Muitas vezes ouve-se a ideia de que, se os EUA venderem chips à China, o exército chinês usará esses chips para construir navios de guerra e caças. Jensen Huang refutou essa ideia de forma direta.
Ele apontou que a China já possui a sua própria indústria de chips e tecnologia, e que a sua força não é fraca. Quem pensa que a China «não tem tecnologia» está, na verdade, a enterrar a cabeça na areia. Ele afirmou que permitir que empresas americanas concorram e lucrem na China é bom para a economia e a defesa dos EUA.
Porque o exército mais forte vem do país mais rico, e isso permite às empresas americanas lucrar no mercado global, o que por si só é uma parte da segurança nacional.
A tecnologia EUA-China não vai desligar-se, Taiwan continua a ser uma peça-chave
O apresentador perguntou ainda se a produção de chips mais avançados na Arizona pelos EUA e o desenvolvimento de uma indústria de chips própria na China representam uma desverticalização tecnológica. Se isso tornará Taiwan mais vulnerável?
Jensen Huang respondeu que o foco não é na desverticalização, mas sim na «resiliência». Produzir em múltiplas regiões serve para lidar com riscos de terremotos, clima, energia, entre outros, evitando que toda a cadeia de abastecimento seja interrompida de uma só vez. Ele também destacou que a eficiência de Taiwan na fabricação de chips e eletrônicos é rara no mundo, e que esse ecossistema levará décadas a ser replicado. Os EUA continuarão a depender fortemente de Taiwan por um longo período.
Vender chips à China, na verdade, torna mais difícil uma guerra
O apresentador perguntou diretamente se, ao exigir que o exército chinês esteja preparado para atacar Taiwan em 2027, vender chips à China aumentaria a probabilidade de conflito. Jensen Huang respondeu que acha que é «ainda menos provável». A razão é simples: nunca se deve empurrar qualquer adversário para o canto da parede. Políticas extremas podem desencadear reações imprevisíveis e perigosas.
Ele defende uma estratégia moderada, delicada e equilibrada, que garanta a liderança tecnológica dos EUA e permita às empresas americanas participar do mercado global, mantendo o relacionamento equilibrado e reduzindo a tensão.
Competição e cooperação coexistem, sem recorrer a confrontos emocionais, uma estratégia de crescimento a longo prazo
Na visão de Jensen Huang, sua posição não é de abertura total nem de bloqueio completo, mas de cooperação na competição e de competição na cooperação. Ele acredita que a competição entre os EUA e a China é inevitável; mas essa competição não leva necessariamente ao conflito. Para ele, fazer da tecnologia americana o padrão global, permitir às empresas americanas competir no mercado mundial e evitar empurrar a China para o canto da parede são caminhos estreitos e difíceis, mas mais favoráveis à estabilidade mundial do que confrontos emocionais.