A IA está queimando dinheiro: fechamento do turno nesta noite — Alphabet expõe 190 bilhões de US$ em gastos de capital, Tesla enfrenta uma enorme volatilidade

Alphabet e a Tesla vão divulgar os resultados do 2º trimestre de 2026 em conjunto no after-market dos EUA na madrugada de 23 de julho, no horário de Taiwan, e a Intel em seguida, no dia seguinte. O mercado de opções já se posicionou antes: apostando na divulgação da Tesla, a ação deve oscilar no dia 5,91%, o que equivale a cerca de 83 bilhões de dólares de valor de mercado — a maior expectativa de volatilidade de resultados desta empresa ao longo do ano. A pergunta que o mercado realmente quer fazer não é quanto essas duas empresas vão ganhar, mas sim o que, afinal, retornou deste ano de gastos de US$ 700 bilhões em capex de IA.
(Antecedentes: Google lançou três novos modelos, incluindo o Gemini 3.6 Flash! O 3.5 Flash-Lite disparou em velocidade extrema, e a pré-treinagem do Gemini 4 já começou)
(Contexto adicional: a Citigroup disse “os sete gigantes da bolsa americana já morreram” e mudou a aposta para empresas de crescimento que atravessam seis grandes setores)

Sumário

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  • O problema da Alphabet é para onde vai o dinheiro
  • A Tesla bate recorde ao entregar carros
  • Três números que você deve observar hoje à noite

Resumo em tópicos

  • O mercado de opções precificou a divulgação da Tesla com uma oscilação de 5,91%, e cerca de US$ 83 bilhões de valor de mercado ficam pairando no ar nesta noite
  • A Alphabet vê o capex do ano chegando a US$ 190 bilhões, mas o fluxo de caixa livre do 1º tri caiu 47% em base anual e ficou em US$ 10,1 bilhões
  • A Tesla entregou 480.126 carros no 2º tri, um recorde, e o mercado só vai olhar se a margem bruta de carros — excluindo créditos de carbono — consegue sustentar 18%

A precificação do mercado de opções já deixou tudo dito. A Benzinga contabilizou que a volatilidade implícita antes da divulgação dos resultados da Tesla atingiu 5,91% e, ao converter pelo valor de mercado de US$ 1,4 trilhão, equivale a cerca de US$ 83 bilhões de valor de mercado apostados nesta noite nesta divulgação — a segunda maior em valor absoluto entre todas as empresas que publicam resultados nesta semana.

O CNBC também apontou que esta é a maior expectativa de oscilação em resultados que traders já embutiram para a Tesla em um ano; a última vez que apostaram em 6% foi em outubro de 2025.

Na Alphabet, a postura é mais contida: a volatilidade implícita fica em cerca de 5,4% de movimento diário, mas o valor de mercado dela é de US$ 4,3 trilhões — qualquer ponto percentual são vários milhares de bilhões em jogo. A Intel, após o pregão de 23 de julho, tem volatilidade implícita de até 12%. Três divulgações de resultados concentradas na mesma semana: analistas descrevem como o teste de uma semana mais completo de como é o ciclo de gastos com IA até agora.

As posições de entrada das duas empresas não estão lá muito bonitas. A Alphabet fechou na sexta-feira a US$ 346,77, recuando cerca de 15% em relação ao topo do ano de US$ 408,61. A Tesla caiu 18% no acumulado do ano — a pior entre os sete gigantes — e ainda está a cerca de 25% de distância da máxima de 52 semanas de US$ 498,83. Antes mesmo de os resultados saírem, a cotação já caiu mostrando isso para você.

O problema da Alphabet é para onde vai o dinheiro

O consenso do mercado para a Alphabet no 2º tri fica em receitas de US$ 113,6 bilhões a US$ 116,8 bilhões (cada fornecedor de dados usa um critério diferente), lucro por ação de US$ 2,87, contra US$ 96,4 bilhões e US$ 2,31 no mesmo período do ano passado. No papel, esse desempenho não é ruim.

O que é ruim é a parte do fluxo de caixa: no trimestre anterior, a Alphabet elevou a orientação de capex para o ano inteiro para US$ 180 bilhões a US$ 190 bilhões e ainda avisou os investidores que em 2027 haverá novo salto. No 1º tri, o capex subiu 107% em base anual no próprio trimestre, chegando a US$ 35,7 bilhões; ao mesmo tempo, o fluxo de caixa livre caiu cerca de 47% em base anual, ficando em US$ 10,1 bilhões. Gastar duas vezes mais do que no ano passado, e sobrar a metade do que tinha na mão — é essa diferença em tesoura que é a pergunta de todos nesta noite.

A narrativa que sustenta esse dinheiro é a de nuvem: a receita do Google Cloud no 1º tri cresceu 63% ano contra ano. E o backlog (carteira de pedidos) quase dobrou no trimestre, passando de US$ 460 bilhões. O mercado espera que no 2º tri a receita de nuvem volte a crescer cerca de 65%, para US$ 22,5 bilhões, enquanto a área de busca deve ficar em cerca de US$ 63,29 bilhões. Backlog é um número bonito, mas backlog não é receita reconhecida. Nesta noite, o que importa é a velocidade com que esses US$ 460 bilhões viram receita, e se ela acompanha a velocidade de depreciação.

Outro problema entrou no caminho com o Gemini. No I/O de desenvolvedores em maio, o Google disse que o Gemini 3.5 Pro seria lançado em junho e ainda não apareceu até meados de julho. Segundo a Bloomberg, o Google atualizou os dados de treinamento para melhorar as capacidades de código do Gemini, mas o resultado ficou aquém do esperado — e para clientes corporativos, o que mais importa é justamente isso.

A Movimenta ontem reportou que o Google publicou de uma vez três modelos, incluindo o Gemini 3.6 Flash, e que o Gemini 4 já entrou em pré-treinamento. Lançar três modelos da linha Flash seguidos, enquanto o Pro topo de linha não sai — isso, por si só, já é uma resposta.

Os analistas não estão, em conjunto, virando de lado para vender. A Guggenheim, de Michael Morris, manteve recomendação de compra e preço-alvo de US$ 450, tratando o atraso do Gemini como “ponto de entrada para líderes de IA de ponta a ponta”, e não como problema fundamental. Já a BMO Capital elevou para US$ 455 e a KeyBanc para US$ 445. Mas a UBS rebaixou o preço-alvo para US$ 400, e a Wells Fargo para US$ 416. O ponto de divergência entre alta e baixa se resume quase na mesma frase: este capex de US$ 190 bilhões está comprando uma vantagem competitiva (moat) ou apenas depreciação.

A Tesla bate recorde ao entregar carros

A Tesla entregou 480.126 veículos no 2º tri, o melhor trimestre da história da empresa. O número foi divulgado no começo de julho, mas o problema é que esse feito não virou suporte para a ação.

Os números do consenso estão bem divididos. No dia 17 de julho, no site de relações com investidores, a Tesla divulgou o consenso dos analistas compilado por ela: receitas de US$ 27,58 bilhões; lucro por ação segundo o GAAP não-US (padrão contábil não-GAAP dos EUA) de US$ 0,55; lucro por ação segundo o GAAP dos EUA de US$ 0,36; lucro líquido de US$ 1,5 bilhão. Só que, entre as versões que circulam no mercado, as estimativas variam de US$ 25,24 bilhões a US$ 26,4 bilhões em receitas, e o lucro por ação vai de US$ 0,44 a US$ 0,55. A mesma empresa, o mesmo trimestre, e vendedores divergindo em dezenas de bilhões de dólares: esse nível de discrepância, por si só, é uma fonte de volatilidade.

A verdadeira batalha está na margem bruta. Analistas esperam que a margem bruta de carros — excluindo créditos de carbono — fique ligeiramente acima de 18%. A questão é se essa linha vai aguentar, e isso importa mais do que vender algumas dezenas de milhares a mais de carros. A parte de caixa também está apertada: o mercado estima que o fluxo de caixa livre da Tesla no 2º tri foi negativo em US$ 3,25 bilhões, e o capex ficou perto de US$ 6,7 bilhões. O dinheiro foi para infraestrutura de IA, expansão de capacidade e implantação do Robotaxi.

A Tesla bate recorde nas entregas, mas é a que mais despenca entre os sete gigantes.

Adam Jonas, da Morgan Stanley, descreveu a Tesla como uma ação “precificada totalmente com antecedência”, mantendo classificação neutra e preço-alvo de US$ 417. Em linguagem simples: o preço atual da ação já embute o sucesso do Robotaxi e da Optimus; sem implantação real, não há motivo novo para alta.

E, na prática, o avanço das implantações está atrás. O Robotaxi opera atualmente em sete regiões metropolitanas: Austin, Bay Area, Dallas, Houston, Miami, Orlando e Tampa. Dentro da lista original de sete cidades para o primeiro semestre, Phoenix e Las Vegas ainda não foram atendidas. A Optimus, robô humanoide, originalmente planejava iniciar produção de pequeno volume no fim de julho ou em agosto, mas Musk fez uma preparação: disse que a unidade teria cerca de 10.000 peças únicas e que, no começo, a velocidade de produção seria extremamente lenta — e, até meados de julho, aquela linha de produção ainda não havia começado.

No outro extremo do espectro, Dan Ives, da Wedbush, prevê que o Robotaxi se expanda para mais de 30 cidades, e cravou que o valor de mercado da Tesla poderia chegar a US$ 2 trilhões a US$ 3 trilhões. Só que essa meta vem com uma condição explícita: a comercialização da Optimus precisa estar estabelecida até o fim de 2026.

Três números que você deve observar hoje à noite

O que precisa ser verificado hoje à noite é se o capex de IA global de grandes empresas em 2026 — algo como US$ 700 bilhões a US$ 725 bilhões — já começou a virar dinheiro. O tamanho do capex da Alphabet já inchou mais de cinco vezes desde 2023.

  • Orientação de capex da Alphabet: se a faixa de US$ 180 bilhões a US$ 190 bilhões vai voltar a subir, e a velocidade com que o fluxo de caixa livre segue perdendo sangue
  • Crescimento do Google Cloud: o mercado prevê cerca de 65% ano contra ano; ao mesmo tempo, observar o ritmo com que os US$ 460 bilhões de backlog entram
  • Margem bruta automotiva da Tesla: se consegue sustentar 18% sem créditos de carbono, e os prazos específicos do Robotaxi e da Optimus

O que vale notar é que a paciência do mercado está sendo recalibrada. A Citigroup disse na semana passada “os sete gigantes da bolsa americana já morreram” e defendeu que a aposta mude para empresas de crescimento que atravessam seis grandes setores. A lógica: quando todos os gigantes estão investindo o mesmo dinheiro, na mesma pista, ainda existe chance de retorno acima da média?

Perguntas frequentes

Quando a Alphabet e a Tesla divulgam os resultados do 2º tri de 2026?

As duas divulgam no after-market dos EUA em 22 de julho no horário do leste dos EUA, ou seja, na madrugada de 23 de julho em Taiwan; a Intel fica para 23 de julho no after-market. O mercado de opções precifica volatilidade de 5,4% para a Alphabet, 5,91% para a Tesla e até 12% para a Intel.

Por que essas duas divulgações são vistas como um teste de estresse da pressão do capex de IA?

A Alphabet vê o capex do ano chegando a US$ 190 bilhões, mas o fluxo de caixa livre do 1º tri caiu 47% em base anual e ficou em US$ 10,1 bilhões. O mercado quer confirmar se esse dinheiro vira receita real do Google Cloud e do Gemini — e não apenas despesas de depreciação.

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