A Apple lança uma opção “primeiro aluga, depois compra”, e a oferta mensal de pagamento amortece a alta de preços da memória que vem pressionando o mercado de dispositivos

A Apple planeja, em 28 de julho, lançar em parceria com a empresa sueca de tecnologia financeira Klarna o programa de leasing “Apple Upgrade”, que permitirá aos consumidores comprarem iPhone, iPad, Mac e Apple Watch com pagamentos mensais, com prazo de locação de até 36 meses.
(Antecedente: A IA devorou a capacidade de produção de memória! A Apple não aguentou e teve de aumentar os preços dos MacBook e iPad, e a ação despencou mais de 5%)
(Complemento de contexto: diz-se que a Apple estaria fazendo lobby junto ao governo Trump para liberar a “compra de memória chinesa”! Analistas: sem contar com a DRAM da CXMT, fica difícil competir com a Huawei)

Sumário

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  • Prazo de locação de até 36 meses; no vencimento, é possível manter o aparelho ou trocar por um novo
  • O “fim dos dias” da memória eleva os custos do hardware; a Apple foi forçada a passar da defensiva para a ofensiva
  • De vender um celular a cobrar uma mensalidade: a ambição de “assinatura” da Apple

A Apple já não se satisfaz em vender hardware apenas uma vez.

A Bloomberg, citando pessoas familiarizadas com o assunto, informa que a Apple já fechou uma parceria com a empresa sueca de tecnologia financeira Klarna. Ambas vão, em conjunto, criar um novo canal de aquisição chamado Apple Upgrade, que deve ser aberto ao público na próxima terça-feira, ou seja, em 28 de julho. Na ocasião, iPhone, iPad, Mac e Apple Watch poderão ser comprados com parcelamento de longo prazo, dispensando que o consumidor precise desembolsar de uma vez todo o valor da compra.

Prazo de locação de até 36 meses; no vencimento, é possível manter o aparelho ou trocar por um novo

As pessoas familiarizadas com o assunto revelaram que o programa adota um modelo de “aluguel primeiro, compra depois”, com a Klarna atuando como apoiadora financeira, enquanto a própria Apple não assume riscos financeiros. Ao fazer a solicitação, o consumidor precisará passar por uma verificação flexível de crédito; essa checagem não afetará a pontuação de crédito individual. O lançamento inicial será apenas para o mercado dos EUA, com possibilidade de inscrição tanto em lojas físicas da Apple Store quanto na loja online.

O projeto do Apple Upgrade se divide em dois níveis: para iPhone e Apple Watch, com ciclo de troca mais curto, o limite de prazo fica em 24 meses; para Mac e iPad, com menor frequência de troca, o prazo oferecido é de 36 meses.

Quando o contrato chega ao fim, o usuário tem três caminhos: quitar a parcela final e manter o dispositivo, devolver diretamente e encerrar o contrato, ou usar o aparelho antigo como desconto e fazer upgrade para o produto da próxima geração. Se, no meio do caminho, a pessoa quiser quitar antes ou trocar antes, em alguns cenários será necessário pagar custos adicionais. Ao mesmo tempo, o iPhone Upgrade Program, administrado pela Apple há anos, entra formalmente no processo de encerramento, e todas as novas solicitações passam a ser direcionadas ao Apple Upgrade, com um alcance maior.

O “fim dos dias” da memória eleva os custos do hardware; a Apple foi forçada a passar da defensiva para a ofensiva

Por trás desse experimento de leasing, existe uma batalha de custos da qual a Apple não consegue escapar.

No momento, essa escassez de chips apelidada pela indústria de “fim dos dias da memória” está empurrando os custos do hardware para cima. A indústria de IA consumiu quase completamente a capacidade de foundry e os estoques de memória, reduzindo drasticamente a oferta para eletrônicos de consumo. A Apple só consegue observar os custos de fabricação aumentarem. Recentemente, a Apple já elevou os preços de alguns produtos para lidar com a situação, e o papel do Apple Upgrade é justamente diluir, em parcelas mensais menos dolorosas, o alto valor de compra que o consumidor teria de pagar de uma vez só, atenuando o impacto psicológico causado pelos aumentos de preço.

O que chama atenção é que, para a Apple, essa parceria parece um acordo praticamente “sem perdas”: a Klarna assume a responsabilidade financeira do programa, enquanto a Apple ganha mais um canal de vendas sem ter de carregar o risco de receber inadimplências. Depois que a notícia saiu, a ação da Klarna chegou a disparar 11% e terminou com alta de 1,4%; já a ação da Apple no mesmo dia teve variação pouco relevante, e o mercado parece ter visto mais espaço para a Klarna capturar a margem obtida com a parceria.

De vender um celular a cobrar uma mensalidade: a ambição de “assinatura” da Apple

Transformar hardwares como iPhone e Mac em produtos de “assinatura por mensalidade” é, de certa forma, uma extensão da estratégia de serviços da Apple. No passado, a Apple gerava fluxo de caixa estável por meio da App Store, iCloud, Apple Music etc. Agora, o programa de troca via leasing faz com que o próprio hardware também vire uma fonte contínua de receita, ao mesmo tempo em que reduz o limite para os consumidores trocarem por um novo aparelho.

No curto prazo, o Apple Upgrade pode ajudar a Apple a manter o impulso nas vendas durante o ciclo de alta de preços. No longo prazo, se esse modelo for bem-sucedido e replicado além dos EUA, “manter um iPhone pagando mensalidade” provavelmente se tornará uma nova normalidade de compra para os consumidores, e não apenas uma relação de mão única de pagar e receber.

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