Cripto no 2º trimestre: 82% das principais moedas caíram enquanto o Bitcoin se manteve firme

O segundo trimestre do mercado cripto conta uma história a partir de pontas opostas: os preços ficaram onde começaram, enquanto tudo o que fica “abaixo” deles — amplitude do mercado, volumes nas exchanges, receita on-chain e novas listagens — caiu para mínimas de vários anos, e junho ofereceu o primeiro sinal tímido de que o pior pode estar passando.

Resumo

  • 82,1% das 100 principais moedas caíram em junho.
  • Volume spot atingiu US$ 3,0 tri, o mais fraco desde 2024.
  • A dominância do Bitcoin ficou perto de 56% o trimestre inteiro.
  • As novas listagens de tokens caíram para a mínima de dois anos.

A Mesma História, Medida de Dois Jeitos Os preços em destaque no 2T pareciam estáveis o suficiente para sugerir tranquilidade. Os dados por baixo mostravam o oposto: um mercado em que o capital se concentrou no Bitcoin enquanto a participação esvaziava tudo o que estava fora dele. Um dataset do CryptoRank capta isso por preços e amplitude; outro capta por atividade nas exchanges. Juntos, eles se reforçam: a queda do volume de negociação é a causa mecânica da queda na amplitude das altcoins, e a amplitude estreita explica por que os volumes ficaram historicamente fracos. A Amplitude Desabou, e as Médias Esconderam O sinal de alerta mais claro não foi o preço do Bitcoin, mas o desaparecimento de participação ampla. Em junho, 82,1% das 100 principais criptomoedas haviam caído, o mês mais fraco de 2026 para a amplitude de altcoins. O retorno médio foi positivo em +8,6%, mas esse número foi uma ilusão criada pela alta de 1.715% da VELVET; a mediana do token na prática perdeu 16,8%. Em outras palavras, a moeda típica caiu forte, enquanto um único “outlier” puxou a média para cima: uma assinatura clássica de um mercado em que os ganhos pararam de “rodar”. A fraqueza era sistêmica, não específica de setor. Todos os oito setores acompanhados registraram retornos medianos negativos, liderados por Layer 2 (-24,9%), DePIN (-24,8%) e Layer 1 (-22,8%). Até as narrativas mais fortes, AI e DeFi, tiveram muito mais perdedores do que vencedores. Quando cada tema sangra ao mesmo tempo, o problema não é nenhum setor em específico; é a ausência de compradores em todo o tabuleiro. Os Dados das Exchanges Explicam o Porquê Essa ausência aparece diretamente na “infra”. O volume de trading spot em exchanges centralizadas caiu para US$ 3 trilhões, abaixo de 18,9% trimestre contra trimestre, o pior trimestre desde 2024 e cerca de 50% abaixo do pico de US$ 6 trilhões do 4T de 2024. Menos dólares mudando de mãos é exatamente o que uma queda de amplitude parece do lado das exchanges: quando a maioria dos tokens não tem comprador marginal, o volume agregado encolhe.

O volume total de trading spot CEX do 2T de 2026 atinge a mínima de dois anos, de US$ 3,0 trilhões.

Os dados de listagem fecham o ciclo. As exchanges listaram apenas 351 novos tokens no 2T, queda de 35% e a menor em dois anos; as 82 listagens de junho representam uma queda de 77% em relação às 361 registradas em setembro de 2025. Projetos não lançam em um mercado sem demanda, então o congelamento de emissões é tanto sintoma de participação fraca quanto causa dela: menos tokens novos significa menos motivos para o capital especulativo voltar. O Valor On-Chain Seguiu os Preços para Baixo A desaceleração da atividade foi além das exchanges, atingindo as próprias redes. As taxas on-chain médias em grandes setores caíram 44,6% em relação ao período acumulado do ano anterior. Até as maiores “máquinas de taxas” se contraíram: Ethereum Layer 1 caiu 26%, exchanges descentralizadas 53% e marketplaces de NFT 82%. A nuance importa: isso não significa que os usuários desapareceram, mas que geraram muito menos valor econômico — refletindo especulação mais fraca e menor alocação de capital. Um mercado pode continuar povoado enquanto fica silencioso, e o 2T foi exatamente isso. O Bitcoin Absorveu o que o Resto Perdeu O espelho da fraqueza de altcoins foi o papel do Bitcoin como porto seguro do mercado. A dominância do BTC ficou elevada perto de 56% durante todo o trimestre, a marca estrutural do posicionamento defensivo: investidores reduzindo risco enquanto mantêm sua alocação mais líquida intacta. O Bitcoin passou grande parte do trimestre negociando perto da média móvel de 200 semanas, uma das zonas de suporte de longo prazo mais observadas pelo mercado. Essa defensividade também aparece nos dados de derivativos. O volume trimestral de futuros caiu pela terceira vez seguida no trimestre, para US$ 15,7 trilhões, mas a queda de 11% foi bem menos profunda do que a retração de 31% do trimestre anterior — uma desaceleração que sugere que a pressão vendedora está diminuindo. Notavelmente, enquanto a dominância spot da Binance continuava encolhendo, de 27% no 1T para uma mínima recorde de 20,9% em junho, ela ficou em cerca de 28% nos derivativos. Os traders diversificaram onde compram moedas, mas mantiveram a concentração de alavancagem no maior venue: outro sinal defensivo, pois a alavancagem se concentra onde a liquidez é mais profunda quando a aversão ao risco está baixa. O Sentimento Nunca Recuperou, e o Ethereum Liderou a Fraqueza A psicologia de investidores acompanhou os dados. O Crypto Fear & Greed Index ficou em Extreme Fear por quase todo o trimestre, subindo acima de 50 apenas uma vez. Mesmo quando os preços estabilizaram, os investidores diminuíram a disposição de assumir risco relevante — e isso, por si só, é a razão de volumes e amplitude continuarem comprimidos.

Análise histórica dos movimentos do preço do BTC versus o Fear & Greed Index.

O Ethereum foi a expressão mais nítida dessa cautela. A ETH caiu mais 25% no 2T, seu primeiro caso de três trimestres consecutivos de baixa, uma quebra marcante para um ativo que historicamente registra ganhos em 16 dos últimos 26 trimestres, em média 20%. A rotação lenta do capital ao longo da curva de risco — o mesmo mecanismo por trás do colapso da amplitude — atingiu a maior altcoin com mais força. A Primeira Fissura de Luz Nesse contexto, junho se destacou com o Bitcoin rebatendo acima de US$ 62 mil. O volume spot mensal subiu de volta acima de US$ 1 tri para US$ 1,2 tri, alta de 23% e o primeiro mês acima desse patamar desde março. Os futuros subiram para US$ 5,5 trilhões, um segundo ganho mensal consecutivo, e o volume de DEX perp aumentou 14% para US$ 676 bilhões; com a Hyperliquid reconstruindo sua fatia para 37%, mas ainda assim: o rebound spot foi concentrado, não amplo.

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