Há alguns anos, quando a inflação disparada atingia a Europa e os Estados Unidos com aumentos de taxas de juros sem precedentes, começou a soar cada vez mais um termo nos debates econômicos: deflacionar. Se você se perguntava qual era exatamente o significado de deflacionar e por que os políticos não paravam de falar nisso, aqui vai a explicação.



Basicamente, deflacionar é um conceito que os economistas usam para comparar dados econômicos eliminando o ruído que a inflação gera. Imagine que você compara a renda de há dez anos com a de hoje sem considerar que os preços subiram bastante nesse período. Bem, isso lhe daria uma visão distorcida de se você realmente ganhou mais ou menos. Deflacionar, em essência, é ajustar esses números para ver a realidade sem o efeito da inflação ou deflação.

Na prática, funciona assim: você toma um ano base como referência e compara todos os outros anos contra esse ponto de partida. Por exemplo, se um país produziu 10 milhões em bens no ano 1 e 12 milhões no ano 2, você poderia pensar que cresceu 20%. Mas se os preços subiram 10% nesse período, a economia realmente cresceu apenas 10%. Esse ajuste é o que faz o deflator.

Na Espanha, o debate se concentrou em deflacionar o IRPF, o imposto sobre a renda das pessoas físicas. A ideia era que, quando a inflação sobe, os salários nominais também aumentam, mas isso não significa que você ganhe mais em termos reais. No entanto, o sistema fiscal progressivo faz com que você pague mais impostos por esse aumento nominal, mesmo que seu poder de compra não tenha melhorado. Deflacionar o IRPF, portanto, significava ajustar as faixas de tributação para que os contribuintes não perdessem capacidade de compra por causa da inflação.

Enquanto isso, nos Estados Unidos, França e países nórdicos, esse ajuste era feito anualmente, mas na Espanha não era realizado desde 2008 em nível nacional. Era um debate quente em 2022, quando a inflação atingia 6,8% em novembro.

Os defensores argumentavam que era justo: se seu salário sobe por causa da inflação e você paga mais impostos por isso sem ganhar realmente mais, você perde dinheiro. Os críticos contra-atacavam dizendo que beneficiava mais quem ganha mais (pela progressividade do sistema) e que frear o poder de compra era necessário para controlar os preços.

Quanto a investir nesse contexto inflacionário, havia várias opções. O ouro era atraente porque mantém valor quando o dinheiro se deprecia. As ações, em geral, sofriam porque a inflação alta encarecia os empréstimos para as empresas. Mas alguns setores, como o energético, obtinham lucros recordes. As moedas também ofereciam oportunidades porque as taxas de câmbio se movem com a inflação. O importante era diversificar e não apostar tudo em um só lado.

O ponto final é que, embora deflacionar, em significado, pareça complicado, na verdade é uma ferramenta para ver a realidade econômica sem enganos. E sim, se o ajuste fiscal tivesse sido aplicado na Espanha como em outros países, as pessoas teriam notado alguns euros a mais no bolso. Mas não é a solução milagrosa que alguns prometem. As economias eram modestas, poucos euros para a maioria. O importante era entender que a inflação afeta a todos, e que qualquer estratégia de investimento nesses tempos deve considerar o impacto dos impostos nos rendimentos finais.
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