Relatório do Grayscale: o capital institucional está entrando, o sentimento de compra no mercado de criptomoedas já mudou



Um, Grayscale: as instituições estão se tornando os principais compradores
No início de abril, a Grayscale mencionou em um estudo sobre o mercado de criptomoedas que, nos últimos anos, os principais participantes do mercado estão gradualmente mudando de investidores de varejo para fundos institucionais. Essa avaliação não aparece apenas no relatório, pois, na prática, essa mudança já se reflete de forma bastante direta. O ponto mais evidente é que a origem dos fundos começou a mudar. Tomando o Bitcoin como exemplo, desde o lançamento do ETF de Bitcoin à vista nos EUA em 2024, o fluxo de capital se tornou altamente concentrado. Produtos da BlackRock, como o IBIT, e da Fidelity Investments, apresentaram entradas líquidas contínuas por um período. Em alguns dias de negociação, o fluxo diário de capital atingiu bilhões de dólares. Mais importante ainda, esses fundos não saíram com as oscilações de curto prazo, mas continuaram entrando em diferentes faixas de preço. Isso difere claramente do modo de operação do mercado no passado. Antes, o capital operava mais em torno de oscilações de curto prazo, enquanto agora, esse capital que entra via ETF está mais alinhado com uma lógica de alocação de longo prazo. Mudanças semelhantes também ocorreram no setor corporativo. A MicroStrategy tem aumentado continuamente sua participação em Bitcoin nos últimos anos, atualmente detendo dezenas de milhares de moedas. Sua estratégia, divulgada publicamente, é manter o Bitcoin como parte do ativo da empresa por um longo prazo. Quando o fluxo de fundos via ETF continua, e as empresas mantêm posições de longo prazo, a estrutura de compradores no mercado já está mudando. Essas mudanças por si só indicam uma coisa: os principais compradores no mercado estão gradualmente se voltando para fundos institucionais.

Dois, por que o capital começou a entrar
Se apenas observarmos que “as instituições estão comprando”, isso ainda não é suficiente. Uma questão mais importante é: por que esses fundos estão entrando nesta fase? Com base nas mudanças dos últimos dois anos, as razões não são complexas e podem ser encontradas na realidade do mercado. Primeiro, o caminho de participação ficou mais simples. Antes, a maior parte do capital tradicional que queria participar de criptomoedas enfrentava processos muito complexos: abrir contas em exchanges, passar por verificações de conformidade, resolver questões de custódia, além de lidar com restrições em diferentes jurisdições. Mas, a partir de 2024, com o lançamento do ETF de Bitcoin à vista nos EUA, esse caminho foi significativamente simplificado. Produtos da BlackRock e Fidelity, na essência, transformaram a compra de Bitcoin em uma operação de negociação de valores mobiliários padrão. O capital não precisa mais entrar na exchange, nem lidar com questões on-chain, bastando uma conta tradicional para realizar a alocação. Para as instituições, isso representa uma mudança enorme. Segundo, as questões de custódia e segurança estão sendo resolvidas gradualmente. Antes, muitas instituições não participavam por uma razão prática: onde guardar os ativos, como fazer a custódia, quem é responsável em caso de problemas, essas perguntas não tinham respostas claras. Agora, instituições como o banco suíço Sygnum e algumas entidades de custódia regulamentadas nos EUA começaram a oferecer serviços completos de custódia de ativos digitais. Essas instituições não oferecem apenas carteiras simples, mas desempenham funções semelhantes às de bancos de custódia tradicionais: segregação de ativos, auditoria, relatórios de conformidade, tudo em processo de aprimoramento. Terceiro, o caminho regulatório está se tornando mais claro. Além do ETF nos EUA, a emissão de licenças para stablecoins em Hong Kong e a implementação do framework MiCA na Europa representam mudanças similares. O ritmo de avanço varia por região, mas a direção é unificada — a participação está começando a ser regulada, e não mais dependente apenas do mercado espontâneo. Quando o caminho de participação, os métodos de custódia e os limites regulatórios se tornam mais claros, muitas atividades que antes eram “impossíveis” começam a se tornar “possíveis”. Essa é a razão pela qual o capital institucional não apareceu de repente, mas entrou de forma gradual. Desde o fluxo contínuo de ETF, passando pela alocação de ativos corporativos, até a inclusão de infraestrutura de stablecoins na regulamentação, essas mudanças indicam uma coisa: as condições de participação no mercado já são diferentes do passado.

Três, isso não é capital de negociação, mas de alocação
Quando o perfil dos compradores muda, o mais importante é o comportamento desse capital no mercado. Porque diferentes tipos de fundos fazem coisas completamente distintas. Se for capital de negociação, suas características são bastante evidentes: entra concentrado durante altas de preço, sai rapidamente com a volatilidade, o ritmo costuma ser curto. Mas, com base no desempenho recente do mercado, essa não é a única dinâmica. Tomando o ETF como exemplo, durante fases de oscilações acentuadas no preço do Bitcoin, o capital não saiu em grande escala de forma sincronizada. Pelo contrário, em alguns momentos de recuo, foi possível observar entradas líquidas contínuas. Esse comportamento se aproxima mais de uma alocação de ativos tradicional — não entra após confirmação de tendência, mas vai construindo posições aos poucos em diferentes faixas de preço. Situações semelhantes também podem ser vistas no setor corporativo. A operação da MicroStrategy é bastante exemplar. Ela não compra tudo de uma vez a um preço específico, mas aumenta posições continuamente em diferentes fases. Seja em alta, em oscilação ou em recuo, a lógica central permanece: manter Bitcoin como parte do ativo da empresa por um longo prazo. Essa conduta, essencialmente, difere da lógica de “negociação”. Uma é centrada na volatilidade de preço, a outra na alocação de ativos. Observando detalhes do mercado, também é possível perceber mudanças similares. Por exemplo, durante fases de ajuste de mercado, as posições de endereços de grande volume não diminuíram significativamente, e a pressão de venda nas exchanges, em comparação com períodos de mercado extremo, está mais dispersa, não concentrada em uma única fonte. Essas mudanças, somadas, indicam uma coisa: um tipo de capital no mercado que não busca operações de curto prazo, mas uma alocação de longo prazo. Quando esse tipo de fundo se torna o principal comprador, o mercado como um todo passa por uma transformação. Os preços ainda oscilarão, mas a lógica por trás já não é mais apenas emocional. Sob essa perspectiva, o mercado de criptomoedas atual já não é apenas um mercado de negociação, mas começa a apresentar características de um mercado de ativos para alocação.

Quatro, quando o perfil do comprador muda, a lógica além do preço começa a emergir
Quando os principais compradores do mercado mudam, o que mais muda geralmente não é o preço em si, mas a lógica por trás dele. No passado, o preço das criptomoedas era amplamente impulsionado por comportamentos de negociação. Subidas atraíam capital, quedas levavam a saídas rápidas, a volatilidade era o núcleo do mercado. Mas, à medida que mais fundos entram com o objetivo de “alocação”, essa dinâmica começa a se transformar. As características do capital de alocação são simples: não saem completamente com oscilações de curto prazo, nem aparecem concentrados em um único nível de preço. Elas funcionam mais como um “comprador persistente”. Quando esse comprador surge, o mercado ganha uma base de sustentação adicional. Os preços ainda oscilarão, mas não serão mais totalmente impulsionados por emoções. Essa situação também ocorreu em outros ativos. O ouro, por exemplo, foi um mercado predominantemente de negociação por um longo período. Mas, com a entrada contínua de bancos centrais e fundos institucionais, ele gradualmente criou uma demanda estável. As criptomoedas estão passando por uma mudança semelhante. Quando o fluxo de fundos via ETF continua, as empresas mantêm posições de longo prazo e a participação de contas institucionais aumenta, uma parte de “fundos que não sairão facilmente” já se formou no mercado. A presença dessas posições por si só altera a dinâmica de funcionamento do mercado.

Cinco, quando a forma de funcionamento do mercado muda, os ativos passam a ser reavaliados
Quando aparecem fundos de alocação estáveis no mercado, o significado do ativo também muda. No passado, as criptomoedas eram mais vistas como um objeto de negociação. O foco era na volatilidade de preço, oportunidades de curto prazo e sentimento de mercado. Mas, à medida que os fundos institucionais se tornam os principais participantes, o foco começa a se deslocar. Para esses fundos, o ativo não é uma ferramenta para negociações frequentes, mas uma classe de ativos que pode ser mantida por longo prazo e integrada em carteiras. Essa é uma das razões pelas quais, em algumas estratégias de alocação de ativos, as criptomoedas passaram a ocupar uma posição semelhante à do ouro ou de commodities. Não porque não tenham volatilidade, mas porque seu papel na carteira está sendo redefinido. Essa mudança não se manifesta totalmente em curto prazo, mas, após a transformação dos participantes, das fontes de capital e dos métodos de posse, a lógica de precificação também se altera. Sob essa perspectiva, as mudanças atuais no mercado não são apenas “quem está comprando”. São: esses ativos estão sendo vistos de uma maneira diferente.

Seis, quando o mercado é reavaliado, as formas de participação também mudam
Quando um ativo começa a ser incorporado por fundos de longo prazo, as formas de participação no mercado também evoluem. Antes, o foco era mais na negociação baseada em preço, agora surge uma nova abordagem — tratá-lo como parte de uma carteira, gerenciando-o de forma a longo prazo. Essas duas formas são fundamentalmente diferentes. Uma foca na variação de curto prazo, a outra na estabilidade de longo prazo. Nesse contexto, algumas instituições começaram a tentar participar de criptomoedas de uma maneira mais próxima à gestão de ativos tradicional. Um exemplo é a prática da empresa alemã de tecnologia de ativos digitais, a DeGiro, que adota uma abordagem de “gestão de ativos” ao lidar com criptomoedas: não depende de apostas em movimentos de mercado, mas distribui rendimentos usando múltiplas estratégias, reduzindo a dependência da volatilidade de preço, e usando fundos subordinados como colchão de segurança, assumindo riscos primeiro em momentos de retração. Essa abordagem, essencialmente, não busca amplificar a volatilidade, mas controlá-la. Ou seja, no mesmo mercado: há quem participe do preço, e há quem gerencie ativos. Quando o capital dominante no mercado muda, essa diferença se torna cada vez mais evidente.
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HighAmbition
· 5h atrás
Obrigado pela atualização, bom 💯💯💯
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