Nos próximos dois a três anos, o número de listagens chinesas na Bolsa de Valores de Singapura (SGX) poderia potencialmente aumentar cinco vezes, partindo apenas de algumas poucas registradas no ano passado, segundo Carol Fong, CEO da CGS International. A Sra. Fong disse ao The Straits Times que, embora estimativas anteriores sugerissem que apenas cerca de cinco empresas chinesas e de Hong Kong poderiam listar na SGX por meio de listagens duplas ou subscrições de ações, “cinco agora é conservador.”
A CGS International, uma subsidiária integral da China Galaxy Securities (uma das maiores corretoras estatais da China), foi criada após a CGS adquirir totalmente o Grupo CIMB da Malásia em 2024. A Sra. Fong, que tem mais de 30 anos de experiência nos mercados de capitais, enfatizou que sustentar o impulso no mercado de ações de Singapura depende de atrair uma variedade mais ampla de empresas de alta qualidade, com histórias de crescimento fortes.
Empresas chinesas que abrangem manufatura avançada, consumo doméstico e tecnologia estão buscando mais do que apenas capital, de acordo com a Sra. Fong. “Elas querem se internacionalizar e precisam obter financiamento que não seja em renminbi”, disse ela. Essas empresas buscam branding internacional e acesso a uma base maior de investidores.
O caminho regulatório para um IPO em Singapura agora é mais curto e “menos burocrático” para empresas elegíveis do que em Hong Kong, onde a fila para listagens cresceu significativamente. Algumas estimativas sugerem que o processo de Hong Kong pode levar mais de um ano para ser concluído. A posição de Singapura como um hub financeiro neutro também atrai empresas que buscam levantar capital internacional sem atrito geopolítico.
Enquanto empresas de mega-cap como Alibaba e BYD provavelmente preferirão Hong Kong ou mercados dos EUA por causa de sua liquidez mais profunda, empresas de porte médio avaliadas em cerca de US$500 milhão (S$638 milhão) a US$1 bilhão poderiam cada vez mais voltar-se para Singapura. Essas empresas correm o risco de ser “peixes pequenos em um grande lago” em Hong Kong, segundo a Sra. Fong. Empresas com operações existentes na ASEAN na Indonésia, Malásia ou Singapura são alvos prioritários para um IPO da SGX, já que listar em Singapura pode fortalecer sua identidade regional e sua proposta aos investidores.
Singapura já viu algumas poucas listagens ligadas à China nos últimos anos, incluindo a operadora de cadeias de bares Helens International, o fabricante de placas gráficas para vídeo PC Partner e a provedora de energia verde Concord New Energy. No entanto, a Sra. Fong observou que essas empresas foram “listagens técnicas”, ou listagens secundárias sem captação de capital novo, o que é “insuficiente para mover a agulha”.
“O foco agora é trazer empresas com captação de recursos. É aí que você obtém liquidez”, disse a Sra. Fong. Liquidez impulsiona a cobertura de analistas, a participação dos investidores e, em última instância, as avaliações, criando um ciclo virtuoso. “Sem isso, as listagens correm o risco de se tornarem simbólicas em vez de transformadoras”, acrescentou.
O impulso renovado para atrair listagens chinesas para Singapura pode gerar preocupações entre investidores locais sobre uma repetição da saga S-chip. Entre o fim dos anos 2000 e o início dos anos 2010, uma onda de empresas chinesas listadas em Singapura enfrentou problemas de governança e de contabilidade. Essas empresas, muitas vezes operando na China, mas constituídas offshore, foram acusadas de fraude financeira, incluindo fábricas fantasmas e dinheiro desaparecido, levando a perdas massivas para investidores.
Exemplos de empresas S-chip que falharam incluem FerroChina, que faliu; China Sun Bio-Chem, que foi retirada da bolsa após irregularidades contábeis e ativos ausentes; e China Fishery Group, que entrou em colapso no meio de alegações de fraude. Muitas dessas empresas desde então foram retiradas da bolsa ou permanecem suspensas, com pouco interesse dos investidores.
A Sra. Fong argumenta que o risco de uma repetição da saga S-chip é significativamente menor hoje. No passado, empresas chinesas podiam listar em Singapura com supervisão regulatória relativamente limitada. A estrutura de listagem foi, desde então, apertada consideravelmente. Empresas chinesas que buscam listar no exterior agora precisam obter aprovação da Comissão Reguladora de Valores Mobiliários da China, além de cumprir os requisitos regulatórios de Singapura. Isso cria uma supervisão dupla, com ambos os órgãos avaliando as empresas antes de elas chegarem ao mercado.
“O processo também é mais seletivo e demorado, com maior ênfase em padrões de due diligence e de divulgação. Como resultado, espera-se que as listagens sejam menos numerosas, porém de maior qualidade, o que é fundamental para reconstruir a confiança dos investidores”, disse a Sra. Fong.
Atrair listagens chinesas é apenas um componente de um esforço maior para reconstruir o pipeline de listagens de Singapura. A tarefa maior é atrair campeões domésticos que possam ancorar o mercado, outras empresas regionais da ASEAN que buscam uma plataforma internacional e empresas chinesas que desejam expandir-se além da base de seu país, disse a Sra. Fong.
Ela observou que espera-se também que empresas maiores listem suas operações no exterior em Singapura. Em 2024, por exemplo, a Hyundai Motor da Coreia do Sul listou sua unidade indiana, Hyundai Motor India, na Bolsa de Valores de Bombaim e na National Stock Exchange, levantando mais de US$3 bilhão.
“Empresas chinesas estão olhando para fora e Singapura está se posicionando como uma porta de entrada. Ao mesmo tempo, as avaliações das ações aqui estão se recuperando e a liquidez no mercado local de ações está melhorando”, disse a Sra. Fong. No entanto, ela alertou: “Mas as janelas não ficam abertas para sempre. A execução é que determinará se o mercado pode crescer de cinco para 25 listagens.”
P: Que tipos de empresas chinesas Singapura está visando para listagens?
R: A Sra. Fong identificou empresas de porte médio avaliadas entre US$500 milhão e US$1 bilhão como alvos prioritários, especialmente aquelas com operações existentes na ASEAN ou com bases industriais significativas na região. Empresas que buscam financiamento que não seja em renminbi e branding internacional também são candidatas atraentes.
P: Como o quadro regulatório atual difere da era S-chip?
R: Empresas chinesas agora exigem aprovação tanto da Comissão Reguladora de Valores Mobiliários da China quanto dos reguladores de Singapura antes de listar. Essa supervisão dupla, combinada com padrões mais rigorosos de due diligence e divulgação, foi projetada para garantir listagens de maior qualidade e evitar uma repetição de problemas anteriores de governança e contabilidade.
P: Por que empresas chinesas poderiam escolher Singapura em vez de Hong Kong?
R: Singapura oferece um caminho regulatório mais curto para IPO, com o posicionamento como um hub financeiro neutro, e menos atrito geopolítico. Empresas de porte médio podem achar Singapura mais adequada do que Hong Kong, onde correm o risco de ser “peixes pequenos em um grande lago”, especialmente se estiverem buscando expandir dentro da região da ASEAN.