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Assim, a narrativa do apocalipse da computação quântica para o bitcoin continua a ser reciclada, mas uma nova análise da CoinShares basicamente diz que todos estão a entrar em pânico por algo muito menor do que os títulos sugerem.
Aqui está o que realmente importa: sim, aproximadamente 1,6 milhões de BTC estão em endereços P2PK mais antigos, onde as chaves públicas são visíveis na cadeia. Isso parece assustador até perceber que a maior parte está dispersa por mais de 32.000 UTXOs diferentes. A preocupação real — o valor que poderia realmente desencadear uma disrupção significativa no mercado se fosse roubado — resume-se a apenas 10.200 BTC. Esse é o número em que todos deveriam focar.
Pense nisso do ponto de vista de um atacante quântico. Mesmo que você de alguma forma tivesse computadores quânticos poderosos o suficiente para quebrar a criptografia do bitcoin, você não estaria roubando de uma carteira grande e saindo rico. Você teria que decifrar 10.200 BTC espalhados por milhares de pequenas posses, cada uma com uma média de cerca de 50 BTC. Isso é trabalhoso, leva tempo e é muito menos lucrativo do que os alarmistas fazem parecer.
A matemática da CoinShares é bastante direta: quebrar a criptografia atual do bitcoin exigiria sistemas quânticos aproximadamente 100.000 vezes mais poderosos do que os que existem hoje. Estamos falando de pelo menos uma década, provavelmente mais. O chip Willow do Google tem 105 qubits — quebrar chaves precisaria de milhões. Portanto, isso não é uma emergência, é um problema de engenharia que o bitcoin pode resolver gradualmente.
A verdadeira discussão não é mais sobre o cronograma. É sobre se os desenvolvedores estão realmente a preparar-se. Algumas propostas, como o BIP-360, poderiam permitir que os utilizadores migrassem para assinaturas pós-quânticas ao longo do tempo, mas há claramente uma tensão entre a comunidade de desenvolvedores e os players institucionais que querem um planeamento de longo prazo mais visível.
Resumindo: o risco quântico é real, mas não iminente. O mercado provavelmente está a superestimar essa ameaça em relação aos dados reais. Vale a pena manter no radar, mas não vale perder o sono no próximo trimestre.