A sexta semana de guerra, e ainda há combates. O roteiro de vitória rápida foi praticamente descartado, o que o mercado realmente terá que enfrentar é a primeira leitura do CPI após o início do conflito.


Se o impacto do aumento do preço do petróleo nas últimas semanas se refletir nos dados, essa leitura de inflação pode ser bastante feia. Custos de energia, transporte e seguros estão todos em alta, e as empresas não podem absorver esses custos sozinhas, acabando por se refletir nos preços ao consumidor. A questão é que o Federal Reserve já não se atreve a relaxar a política facilmente, e se o CPI subir novamente, a expectativa de cortes de juros será adiada.
A agenda de dados da próxima semana será bastante intensa. Na segunda-feira, o PMI do setor de serviços do ISM, para ver se o setor de serviços foi afetado pelos custos; na terça-feira, a expectativa de inflação de um ano do Federal Reserve de Nova York, se essa expectativa disparar, aí sim será um problema sério; na quarta-feira, discurso de Goolsbee, o mercado ficará atento a cada palavra sobre “paciência” e “cautela”; na quinta-feira, o minutes da reunião, para entender quão grande é a divergência interna sobre inflação e crescimento.
Os principais destaques acontecerão na quinta à noite e na sexta-feira. Dados do núcleo PCE, PIB final, dados de consumo pessoal serão divulgados de uma só vez, sendo um exame à resiliência da economia. Depois, na sexta-feira, o CPI será o grande momento — com taxa anual, núcleo e mensal todos divulgados. Se os dados forem altos, o mercado reavaliará imediatamente o caminho das taxas de juros; se surpreenderem para baixo, os ativos de risco podem respirar um pouco.
O papel do ouro também está nisso. Preço do petróleo + guerra + inflação, é a combinação preferida do ouro. Mas se a inflação explodir e as expectativas de juros subirem, o aumento dos juros reais pode pressionar o preço do ouro para baixo. Não é uma força única, mas duas forças em disputa.
O maior desafio agora é o ritmo. Dados concentrados, riscos geopolíticos não resolvidos, espaço de política monetária limitado. Alguns dizem que “não é hora de negociar”, na verdade, a mensagem é simples: a volatilidade será grande, mas a direção pode não ser clara.
A próxima semana não é sobre ser otimista ou pessimista, mas sobre quem será o primeiro a ter seus argumentos desmentidos pelos dados. Não olhe apenas para o CPI, observe as expectativas, as palavras usadas, o mercado reavaliando o caminho das taxas de juros. A verdadeira tendência não está nos títulos das notícias, mas na segunda reação após os dados.
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