Acabei de ver algo que me fez pensar em como os pequenos detalhes importam mais do que acreditamos. Numa janela de Bucareste havia três gatos, cada um no seu mundo, mas o terceiro – branco e preto – quebrava a indiferença e olhava-nos diretamente. Por trás deles, uma cortina com uma paisagem impressa, montanhas e pôr do sol esboçados num material simples.



Levou-me a refletir sobre algo que muitos passam por alto: quando alguém se dá ao trabalho de organizar uma janela, mesmo a mais simples, há um ato de consideração para com quem passa lá fora. Não é só para quem vive lá dentro. Às vezes são plantas, outras uma peça de decoração pendurada ou uma arte que fala à cidade, que diz aos peões que estão a ser considerados.

Aquela paisagem impressa – como se fosse um daqueles fundos de ecrã preto HD que se vê em design digital, mas em versão física e modesta – tem algo de beleza precisamente pela sua simplicidade. As montanhas, o vale, aquele pôr do sol desenhado. Acho que até Radu Jude, o cineasta romeno, apreciaria essa estética. A modéstia do material faz parte do encanto.

Mas o que realmente ficou comigo foi o olhar daquele gato branco e preto que rompe a indiferença dos outros. No meio de toda aquela consideração visual – a cortina, a paisagem, a janela como galeria – foi esse pequeno gesto de conexão que importou. Às vezes, os detalhes que nos tocam não são os mais elaborados, mas os mais honestos.
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