Os mercados de commodities têm testemunhado uma forte contração nas avaliações do açúcar, com os preços atingindo os níveis mais baixos em mais de cinco anos. Essa fraqueza persistente reflete uma mudança fundamental na dinâmica global de oferta, à medida que os principais países produtores aumentam a produção a níveis sem precedentes. O colapso atual dos preços do açúcar indica uma situação de excesso estrutural de oferta que se espera que persista a médio prazo.
Movimentos recentes do mercado e deterioração dos preços
Futuros de açúcar mundial #11 de Nova York de março (SBH26) caíram 0,06 pontos (0,43%), enquanto o açúcar branco ICE de Londres #5 (SWH26) caiu 8,20 pontos (2,12%) nas negociações recentes. Essas perdas estendem uma tendência de queda de cinco meses que levou as cotações do açúcar a níveis de vários anos. A venda tem sido implacável, impulsionada pela expectativa consensual de que os mercados globais permanecerão inundados de suprimentos.
Vários analistas de commodities têm pintado um quadro sombrio para o curto prazo. Czarnikow projeta um excedente de 3,4 milhões de toneladas métricas (MMT) para a temporada de 2026/27, após um excesso de 8,3 MMT em 2025/26. A Green Pool Commodity Specialists previu um excedente de 2,74 MMT para 2025/26 e um excedente de 156.000 toneladas para 2026/27, enquanto a StoneX antecipa um excedente global de 2,9 MMT na temporada de 2025/26. Essas projeções reforçam por que as pressões sobre o preço do açúcar permanecem intensas.
Expansão da produção no Brasil, Índia e Tailândia
A região Centro-Sul do Brasil produziu 40,236 MMT de açúcar até meados de janeiro para a temporada de 2025/26, representando um aumento de 0,9% em relação ao ano anterior. Mais significativamente, a proporção de cana-de-açúcar direcionada à produção de açúcar subiu para 50,78% em 2025/26, contra 48,15% na temporada anterior. A Conab elevou sua previsão de produção total para 45 MMT em 2025/26, com a possibilidade de uma produção recorde que mantém a pressão de baixa sobre os níveis de preço do açúcar.
A Índia emergiu como uma potência de produção. A Associação das Usinas de Açúcar da Índia (ISMA) informou que a produção de 1 de outubro a 15 de janeiro atingiu 15,9 MMT, um aumento de 22% em relação ao ano anterior. A ISMA elevou sua estimativa para toda a temporada para 31 MMT, representando um aumento de 18,8%. Talvez mais crítico para os mercados globais, a ISMA reduziu sua previsão de consumo de etanol para 3,4 MMT, potencialmente liberando mais 1,2 MMT para exportação. O governo sinalizou disposição para aprovar volumes adicionais de exportação para lidar com o excesso interno, com o Ministério da Alimentação autorizando 1,5 MMT de exportações para a temporada de 2025/26.
A Tailândia, o terceiro maior produtor mundial, também está expandindo agressivamente. A Thai Sugar Millers Corp previu um aumento de 5% na produção, atingindo 10,5 MMT para 2025/26. Com os ganhos do Brasil e da Índia, essa expansão dos três principais exportadores explica por que as pressões sobre o preço global do açúcar permanecem incessantes.
Posicionamento financeiro e sentimento de mercado
O relatório Commitment of Traders (COT) revelou uma dinâmica crítica: em 3 de fevereiro, os fundos acumularam uma posição líquida curta recorde de 239.232 contratos em futuros e opções de açúcar mundial de Nova York, a maior desde 2006. Essa posição extrema poderia, teoricamente, desencadear uma alta de cobertura de posições vendidas, embora esses rebotes provavelmente sejam temporários na ausência de uma mudança fundamental nas condições de oferta. Por ora, a resistência dos preços do açúcar persiste.
Perspectiva de médio prazo e obstáculos estruturais
Olhando além de 2025/26, o cenário torna-se mais complexo. A Safras & Mercado previu, em 23 de dezembro, que a produção do Brasil diminuirá 3,91%, para 41,8 MMT em 2026/27, em comparação com 43,5 MMT em 2025/26. As exportações de açúcar do Brasil também devem cair 11% em relação ao ano anterior, para 30 MMT. No entanto, essa redução esperada pode chegar tarde demais para evitar uma maior capitulação dos preços do açúcar no curto prazo.
A Organização Internacional do Açúcar (ISO) projetou um excedente de 1,625 milhão de toneladas métricas (MT) para 2025/26, após um déficit de 2,916 milhões de MT em 2024/25. A produção global deve aumentar 3,2%, atingindo 181,8 milhões de MT em 2025/26, enquanto o consumo cresce apenas 1,4%, para 177,921 MMT. O relatório do USDA de 16 de dezembro foi ainda mais pessimista, prevendo uma produção global recorde de 189,318 MMT em 2025/26 (um aumento de 4,6% em relação ao ano anterior), com estoques finais diminuindo apenas marginalmente para 41,188 MMT.
Especificamente para a Índia, o Serviço de Agricultura Estrangeira do USDA elevou sua previsão de produção para 2025/26 para 35,25 MMT, um aumento de 25% atribuído ao clima favorável e à expansão do plantio. A produção da Tailândia deve atingir 10,25 MMT, enquanto o Brasil alcança um recorde de 44,7 MMT.
O ambiente de preços do açúcar reflete essa realidade de excesso: suprimentos abundantes de grandes exportadores, previsões de produção recorde e crescimento mínimo do consumo combinam-se para criar obstáculos sustentados. Até que ocorram reduções na produção ou o consumo aumente de forma significativa, a fraqueza dos preços do açúcar provavelmente persistirá.
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A queda global do preço do açúcar continua à medida que o excedente de produção aumenta entre os principais exportadores
Os mercados de commodities têm testemunhado uma forte contração nas avaliações do açúcar, com os preços atingindo os níveis mais baixos em mais de cinco anos. Essa fraqueza persistente reflete uma mudança fundamental na dinâmica global de oferta, à medida que os principais países produtores aumentam a produção a níveis sem precedentes. O colapso atual dos preços do açúcar indica uma situação de excesso estrutural de oferta que se espera que persista a médio prazo.
Movimentos recentes do mercado e deterioração dos preços
Futuros de açúcar mundial #11 de Nova York de março (SBH26) caíram 0,06 pontos (0,43%), enquanto o açúcar branco ICE de Londres #5 (SWH26) caiu 8,20 pontos (2,12%) nas negociações recentes. Essas perdas estendem uma tendência de queda de cinco meses que levou as cotações do açúcar a níveis de vários anos. A venda tem sido implacável, impulsionada pela expectativa consensual de que os mercados globais permanecerão inundados de suprimentos.
Vários analistas de commodities têm pintado um quadro sombrio para o curto prazo. Czarnikow projeta um excedente de 3,4 milhões de toneladas métricas (MMT) para a temporada de 2026/27, após um excesso de 8,3 MMT em 2025/26. A Green Pool Commodity Specialists previu um excedente de 2,74 MMT para 2025/26 e um excedente de 156.000 toneladas para 2026/27, enquanto a StoneX antecipa um excedente global de 2,9 MMT na temporada de 2025/26. Essas projeções reforçam por que as pressões sobre o preço do açúcar permanecem intensas.
Expansão da produção no Brasil, Índia e Tailândia
A região Centro-Sul do Brasil produziu 40,236 MMT de açúcar até meados de janeiro para a temporada de 2025/26, representando um aumento de 0,9% em relação ao ano anterior. Mais significativamente, a proporção de cana-de-açúcar direcionada à produção de açúcar subiu para 50,78% em 2025/26, contra 48,15% na temporada anterior. A Conab elevou sua previsão de produção total para 45 MMT em 2025/26, com a possibilidade de uma produção recorde que mantém a pressão de baixa sobre os níveis de preço do açúcar.
A Índia emergiu como uma potência de produção. A Associação das Usinas de Açúcar da Índia (ISMA) informou que a produção de 1 de outubro a 15 de janeiro atingiu 15,9 MMT, um aumento de 22% em relação ao ano anterior. A ISMA elevou sua estimativa para toda a temporada para 31 MMT, representando um aumento de 18,8%. Talvez mais crítico para os mercados globais, a ISMA reduziu sua previsão de consumo de etanol para 3,4 MMT, potencialmente liberando mais 1,2 MMT para exportação. O governo sinalizou disposição para aprovar volumes adicionais de exportação para lidar com o excesso interno, com o Ministério da Alimentação autorizando 1,5 MMT de exportações para a temporada de 2025/26.
A Tailândia, o terceiro maior produtor mundial, também está expandindo agressivamente. A Thai Sugar Millers Corp previu um aumento de 5% na produção, atingindo 10,5 MMT para 2025/26. Com os ganhos do Brasil e da Índia, essa expansão dos três principais exportadores explica por que as pressões sobre o preço global do açúcar permanecem incessantes.
Posicionamento financeiro e sentimento de mercado
O relatório Commitment of Traders (COT) revelou uma dinâmica crítica: em 3 de fevereiro, os fundos acumularam uma posição líquida curta recorde de 239.232 contratos em futuros e opções de açúcar mundial de Nova York, a maior desde 2006. Essa posição extrema poderia, teoricamente, desencadear uma alta de cobertura de posições vendidas, embora esses rebotes provavelmente sejam temporários na ausência de uma mudança fundamental nas condições de oferta. Por ora, a resistência dos preços do açúcar persiste.
Perspectiva de médio prazo e obstáculos estruturais
Olhando além de 2025/26, o cenário torna-se mais complexo. A Safras & Mercado previu, em 23 de dezembro, que a produção do Brasil diminuirá 3,91%, para 41,8 MMT em 2026/27, em comparação com 43,5 MMT em 2025/26. As exportações de açúcar do Brasil também devem cair 11% em relação ao ano anterior, para 30 MMT. No entanto, essa redução esperada pode chegar tarde demais para evitar uma maior capitulação dos preços do açúcar no curto prazo.
A Organização Internacional do Açúcar (ISO) projetou um excedente de 1,625 milhão de toneladas métricas (MT) para 2025/26, após um déficit de 2,916 milhões de MT em 2024/25. A produção global deve aumentar 3,2%, atingindo 181,8 milhões de MT em 2025/26, enquanto o consumo cresce apenas 1,4%, para 177,921 MMT. O relatório do USDA de 16 de dezembro foi ainda mais pessimista, prevendo uma produção global recorde de 189,318 MMT em 2025/26 (um aumento de 4,6% em relação ao ano anterior), com estoques finais diminuindo apenas marginalmente para 41,188 MMT.
Especificamente para a Índia, o Serviço de Agricultura Estrangeira do USDA elevou sua previsão de produção para 2025/26 para 35,25 MMT, um aumento de 25% atribuído ao clima favorável e à expansão do plantio. A produção da Tailândia deve atingir 10,25 MMT, enquanto o Brasil alcança um recorde de 44,7 MMT.
O ambiente de preços do açúcar reflete essa realidade de excesso: suprimentos abundantes de grandes exportadores, previsões de produção recorde e crescimento mínimo do consumo combinam-se para criar obstáculos sustentados. Até que ocorram reduções na produção ou o consumo aumente de forma significativa, a fraqueza dos preços do açúcar provavelmente persistirá.