O Banco Central do Brasil moveu-se de forma decisiva em novembro de 2025, classificando as stablecoins como atividades de câmbio e sujeitando os emissores à supervisão cambial—regras que entram em vigor a 2 de fevereiro de 2026. Esta clareza regulatória, combinada com a taxa Selic em ascensão no país, criou uma oportunidade inesperada para uma nova geração de instrumentos financeiros baseados em blockchain.
Soberania Encontra a Tokenização: O Modelo BRD
O ex-vice-governador do Banco Central Tony Volpon revelou recentemente uma abordagem inovadora no “Cripto na Real” da CNN Brasil: o BRD, uma stablecoin atrelada ao real brasileiro, mas fundamentalmente diferente dos tokens de pagamento existentes. Em vez de funcionar puramente como um meio de troca, o BRD incorpora o rendimento do governo diretamente na sua estrutura.
O mecanismo funciona da seguinte forma. O BRD mantém títulos do Tesouro Nacional brasileiro como reservas de respaldo. Em vez de concentrar a receita de juros na tesouraria de um custodiante, a stablecoin distribui esse rendimento proporcionalmente aos detentores de tokens. Com a taxa básica de política monetária do Brasil em 15%—um nível não visto desde julho de 2006—investidores estrangeiros ganham exposição direta aos retornos soberanos através de uma estrutura digital.
Esta estrutura resolve um problema persistente. O capital internacional que busca dívida brasileira enfrenta múltiplos obstáculos: barreiras regulatórias à entrada, despesas de conversão cambial, atrasos na liquidação e complexidade custodial. A entrega via blockchain, explicou Volpon, comprime esses obstáculos ao mover tanto a custódia quanto a liquidação para trilhos descentralizados. O resultado posiciona o BRD menos como uma via de pagamentos e mais como um instrumento de dívida soberana digital.
A CF Inovação, cofundada por Volpon e José Carneiro em 2023, emitirá o token. A experiência prévia da empresa em tokenização de imóveis agora se estende a títulos do governo.
Distribuição de Rendimento Redefiniu o Panorama das Stablecoins
O mercado de stablecoins atreladas ao real amadureceu consideravelmente. O BRZ da Transfero lidera o mercado com aproximadamente $185 milhões em circulação, seguido pelo BBRL com cerca de $51 milhões. Competidores menores incluem o BRL1 e o cREAL. No entanto, quase todas as variantes existentes operam como instrumentos transacionais—mantendo a estabilidade do peg sem distribuir os retornos do ativo de respaldo.
A arquitetura de compartilhamento de rendimento do BRD desafia esse modelo. Curiosamente, o BRD não é pioneiro nesse conceito. A Crown, outra startup brasileira, lançou o BRLV aproximadamente 18 meses antes, com um mecanismo de distribuição de rendimento idêntico. A rodada Série A da Crown, liderada pela Paradigm em dezembro de 2025, avaliou a empresa em $90 milhões e levantou US$13,5 milhões. A empresa reportou $19 milhões em tokens BRLV em circulação, embora a verificação na cadeia mostre uma concentração mínima de detentores.
Dados de mercado revelam a fase inicial do ecossistema de stablecoins atreladas ao real no Brasil. A circulação total de todos os tokens gira perto de $20 milhões, de acordo com a RWA.xyz, enquanto as participações em BRZ na cadeia mostram apenas US$13,6 milhões. Para contextualizar, o mercado de criptomoedas do Brasil processou 227 bilhões de reais em transações durante o primeiro semestre de 2025, com stablecoins representando aproximadamente 90% do volume.
Política como Catalisador para Experimentos com Ativos do Mundo Real
A estrutura regulatória do Banco Central oferece ventos favoráveis inesperados para a trajetória de crescimento do BRD. Ao definir explicitamente as operações de stablecoin como atividades de câmbio, o prazo de fevereiro de 2026 força a padronização e a infraestrutura de conformidade—mas, ao mesmo tempo, legitima a emissão de stablecoins como um serviço financeiro regulado, e não como um produto sombra não monitorado.
A credibilidade institucional de Volpon fortalece esse posicionamento. Seu mandato como Vice-Governador para Assuntos Internacionais (2015–2016) incluiu participação no COPOM, o órgão de definição de taxas do Brasil. Cargos de destaque na UBS e na Nomura Securities complementaram seu currículo.
O BRD exemplifica uma mudança mais ampla na tokenização: ativos do mundo real—particularmente dívidas do governo—migrando para a infraestrutura blockchain. Diferente de tokens DeFi especulativos ou stablecoins focadas em pagamentos, o BRD conecta diretamente protocolos descentralizados a instrumentos fiscais nacionais, fundindo risco de crédito soberano com mecânicas on-chain. O modelo sugere que a clareza regulatória, ao invés de sufocar a inovação, pode acelerar a adoção quando alinhada às necessidades legítimas de infraestrutura financeira.
Ver original
Esta página pode conter conteúdos de terceiros, que são fornecidos apenas para fins informativos (sem representações/garantias) e não devem ser considerados como uma aprovação dos seus pontos de vista pela Gate, nem como aconselhamento financeiro ou profissional. Consulte a Declaração de exoneração de responsabilidade para obter mais informações.
Como o quadro regulatório do Brasil está a remodelar a inovação em stablecoins de rendimento com BRD
O Banco Central do Brasil moveu-se de forma decisiva em novembro de 2025, classificando as stablecoins como atividades de câmbio e sujeitando os emissores à supervisão cambial—regras que entram em vigor a 2 de fevereiro de 2026. Esta clareza regulatória, combinada com a taxa Selic em ascensão no país, criou uma oportunidade inesperada para uma nova geração de instrumentos financeiros baseados em blockchain.
Soberania Encontra a Tokenização: O Modelo BRD
O ex-vice-governador do Banco Central Tony Volpon revelou recentemente uma abordagem inovadora no “Cripto na Real” da CNN Brasil: o BRD, uma stablecoin atrelada ao real brasileiro, mas fundamentalmente diferente dos tokens de pagamento existentes. Em vez de funcionar puramente como um meio de troca, o BRD incorpora o rendimento do governo diretamente na sua estrutura.
O mecanismo funciona da seguinte forma. O BRD mantém títulos do Tesouro Nacional brasileiro como reservas de respaldo. Em vez de concentrar a receita de juros na tesouraria de um custodiante, a stablecoin distribui esse rendimento proporcionalmente aos detentores de tokens. Com a taxa básica de política monetária do Brasil em 15%—um nível não visto desde julho de 2006—investidores estrangeiros ganham exposição direta aos retornos soberanos através de uma estrutura digital.
Esta estrutura resolve um problema persistente. O capital internacional que busca dívida brasileira enfrenta múltiplos obstáculos: barreiras regulatórias à entrada, despesas de conversão cambial, atrasos na liquidação e complexidade custodial. A entrega via blockchain, explicou Volpon, comprime esses obstáculos ao mover tanto a custódia quanto a liquidação para trilhos descentralizados. O resultado posiciona o BRD menos como uma via de pagamentos e mais como um instrumento de dívida soberana digital.
A CF Inovação, cofundada por Volpon e José Carneiro em 2023, emitirá o token. A experiência prévia da empresa em tokenização de imóveis agora se estende a títulos do governo.
Distribuição de Rendimento Redefiniu o Panorama das Stablecoins
O mercado de stablecoins atreladas ao real amadureceu consideravelmente. O BRZ da Transfero lidera o mercado com aproximadamente $185 milhões em circulação, seguido pelo BBRL com cerca de $51 milhões. Competidores menores incluem o BRL1 e o cREAL. No entanto, quase todas as variantes existentes operam como instrumentos transacionais—mantendo a estabilidade do peg sem distribuir os retornos do ativo de respaldo.
A arquitetura de compartilhamento de rendimento do BRD desafia esse modelo. Curiosamente, o BRD não é pioneiro nesse conceito. A Crown, outra startup brasileira, lançou o BRLV aproximadamente 18 meses antes, com um mecanismo de distribuição de rendimento idêntico. A rodada Série A da Crown, liderada pela Paradigm em dezembro de 2025, avaliou a empresa em $90 milhões e levantou US$13,5 milhões. A empresa reportou $19 milhões em tokens BRLV em circulação, embora a verificação na cadeia mostre uma concentração mínima de detentores.
Dados de mercado revelam a fase inicial do ecossistema de stablecoins atreladas ao real no Brasil. A circulação total de todos os tokens gira perto de $20 milhões, de acordo com a RWA.xyz, enquanto as participações em BRZ na cadeia mostram apenas US$13,6 milhões. Para contextualizar, o mercado de criptomoedas do Brasil processou 227 bilhões de reais em transações durante o primeiro semestre de 2025, com stablecoins representando aproximadamente 90% do volume.
Política como Catalisador para Experimentos com Ativos do Mundo Real
A estrutura regulatória do Banco Central oferece ventos favoráveis inesperados para a trajetória de crescimento do BRD. Ao definir explicitamente as operações de stablecoin como atividades de câmbio, o prazo de fevereiro de 2026 força a padronização e a infraestrutura de conformidade—mas, ao mesmo tempo, legitima a emissão de stablecoins como um serviço financeiro regulado, e não como um produto sombra não monitorado.
A credibilidade institucional de Volpon fortalece esse posicionamento. Seu mandato como Vice-Governador para Assuntos Internacionais (2015–2016) incluiu participação no COPOM, o órgão de definição de taxas do Brasil. Cargos de destaque na UBS e na Nomura Securities complementaram seu currículo.
O BRD exemplifica uma mudança mais ampla na tokenização: ativos do mundo real—particularmente dívidas do governo—migrando para a infraestrutura blockchain. Diferente de tokens DeFi especulativos ou stablecoins focadas em pagamentos, o BRD conecta diretamente protocolos descentralizados a instrumentos fiscais nacionais, fundindo risco de crédito soberano com mecânicas on-chain. O modelo sugere que a clareza regulatória, ao invés de sufocar a inovação, pode acelerar a adoção quando alinhada às necessidades legítimas de infraestrutura financeira.