Os mercados de café estão a navegar num cenário complexo, moldado por dinâmicas divergentes de oferta e ventos contrários cambiais. Os futuros de arábica de março (KCH26) caíram 3,41% após previsões de chuvas significativas esperadas nas regiões de cultivo centrais do Brasil, enquanto os futuros de robusta de março (RMH26) desceram 1,02% devido a um dólar norte-americano mais forte — atingindo o seu ponto mais alto em quatro semanas — o que pressionou as avaliações das commodities em geral.
Dinâmicas globais de oferta sobrepõem-se aos benefícios climáticos
O principal motor por trás da fraqueza atual dos preços advém de um excesso de oferta global de café. O Serviço de Agricultura Estrangeira do USDA projeta que a produção mundial de café para 2025/26 atingirá um recorde de 178,848 milhões de sacos, representando um aumento de 2% em relação ao ano anterior. Esta expansão mascara uma divergência crítica: enquanto a produção de arábica deve contrair 4,7% para 95,515 milhões de sacos, a oferta de robusta deve aumentar 10,9% para 83,333 milhões de sacos.
A emergência do Vietname como uma potência de produção está a remodelar o mercado de robusta. A previsão de produção de café do país para 2025/26 é de 30,8 milhões de sacos, um máximo de quatro anos, apoiada pelo impulso de exportação de 2025, que já atingiu 1,58 milhões de toneladas métricas, refletindo um aumento de 17,5% em relação ao ano anterior, segundo o Escritório Nacional de Estatísticas do Vietname. A Associação de Café e Cacau do Vietname sugere que a produção poderá expandir-se ainda mais, potencialmente atingindo 10% acima do ano anterior, se as condições de cultivo favoráveis persistirem.
Recuperação da produção no Brasil compensa preocupações com a oferta de arábica
Apesar das recentes preocupações com a seca em regiões-chave de arábica, as projeções de colheita do Brasil indicam uma disponibilidade substancial à frente. A agência de previsão de safra do país, a Conab, aumentou sua estimativa de colheita para 2025 em 2,4%, para 56,54 milhões de sacos. O USDA prevê separadamente que o rendimento do Brasil para 2025/26 totalizará 63 milhões de sacos, embora isso represente uma queda de 3,1% em relação às estimativas anteriores — destacando a volatilidade inerente às previsões de commodities.
Na última quinta-feira, demonstrou-se como narrativas climáticas podem fornecer suporte temporário aos preços. Quando os dados da Somar Meteorologia indicaram que Minas Gerais, principal centro de produção de arábica, recebeu apenas 47,9 mm de chuva na semana que terminou em 2 de janeiro — o que equivale a apenas 67% da média histórica — os preços do arábica subiram para um máximo de quatro semanas. No entanto, este rally agora reverteu-se, pois as previsões de chuva sugerem que a pressão da seca irá diminuir.
Estrutura do mercado sinaliza crescimento do excesso de oferta
As tendências de inventário fornecem confirmação adicional das pressões de oferta emergentes. Os estoques de arábica na ICE caíram para um mínimo de 1,75 anos, de 398.645 sacos em 20 de novembro, mas desde então recuperaram para 461.829 sacos — um máximo de 2,5 meses até quarta-feira. Os estoques de robusta também atingiram mínimos de um ano em dezembro, antes de se recuperarem para máximos de cinco semanas, um padrão consistente com a desestocagem sazonal e a tentativa do mercado de absorver fluxos adicionais de oferta.
A Organização Internacional do Café reportou que as exportações globais de café para o ano de comercialização atual (Outubro a setembro) diminuíram marginalmente 0,3% em relação ao ano anterior, para 138,658 milhões de sacos, sugerindo uma limitação na escassez ao nível de exportação, apesar das preocupações com a produção.
Normalização tarifária não estimula a procura
As dinâmicas de importação dos EUA evidenciam a fraqueza na procura que sustenta avaliações mais baixas. Entre agosto e outubro de 2024, quando tarifas elevadas sobre o café brasileiro estavam em vigor, as importações dos EUA caíram 52% em relação ao ano anterior, para apenas 983.970 sacos. Embora as tarifas tenham sido posteriormente reduzidas, os estoques de café nos EUA permanecem restritos, e a recuperação das importações tem sido gradual. Isso sugere que, mesmo com a normalização das barreiras comerciais, a recuperação da procura pode não acompanhar o ritmo do fluxo de suprimentos.
Pressão de preços deve persistir enquanto os estoques finais contraem
O equilíbrio de oferta e procura da ICO prevê que os estoques finais para 2025/26 cairão 5,4%, para 20,148 milhões de sacos, de 21,307 milhões de sacos em 2024/25. Embora esta contração de estoques indique alguma restrição de mercado, ela ocorre num contexto de produção global recorde — uma dinâmica que normalmente limita a valorização dos preços. A dinâmica de preços do café no Vietname continuará a ser fundamental para o mercado mais amplo de robusta, dado o posicionamento dominante do país e as estimativas de colheita em expansão.
A convergência de previsões de produção abundante, força cambial do dólar norte-americano, estoques normalizados e procura global fraca cria um ambiente estrutural onde a pressão de baixa nos preços parece mais provável do que reversões otimistas a curto prazo.
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Aumento na Produção de Café no Vietname e Alívio do Clima Pressionam os Preços Globais de Grãos
Os mercados de café estão a navegar num cenário complexo, moldado por dinâmicas divergentes de oferta e ventos contrários cambiais. Os futuros de arábica de março (KCH26) caíram 3,41% após previsões de chuvas significativas esperadas nas regiões de cultivo centrais do Brasil, enquanto os futuros de robusta de março (RMH26) desceram 1,02% devido a um dólar norte-americano mais forte — atingindo o seu ponto mais alto em quatro semanas — o que pressionou as avaliações das commodities em geral.
Dinâmicas globais de oferta sobrepõem-se aos benefícios climáticos
O principal motor por trás da fraqueza atual dos preços advém de um excesso de oferta global de café. O Serviço de Agricultura Estrangeira do USDA projeta que a produção mundial de café para 2025/26 atingirá um recorde de 178,848 milhões de sacos, representando um aumento de 2% em relação ao ano anterior. Esta expansão mascara uma divergência crítica: enquanto a produção de arábica deve contrair 4,7% para 95,515 milhões de sacos, a oferta de robusta deve aumentar 10,9% para 83,333 milhões de sacos.
A emergência do Vietname como uma potência de produção está a remodelar o mercado de robusta. A previsão de produção de café do país para 2025/26 é de 30,8 milhões de sacos, um máximo de quatro anos, apoiada pelo impulso de exportação de 2025, que já atingiu 1,58 milhões de toneladas métricas, refletindo um aumento de 17,5% em relação ao ano anterior, segundo o Escritório Nacional de Estatísticas do Vietname. A Associação de Café e Cacau do Vietname sugere que a produção poderá expandir-se ainda mais, potencialmente atingindo 10% acima do ano anterior, se as condições de cultivo favoráveis persistirem.
Recuperação da produção no Brasil compensa preocupações com a oferta de arábica
Apesar das recentes preocupações com a seca em regiões-chave de arábica, as projeções de colheita do Brasil indicam uma disponibilidade substancial à frente. A agência de previsão de safra do país, a Conab, aumentou sua estimativa de colheita para 2025 em 2,4%, para 56,54 milhões de sacos. O USDA prevê separadamente que o rendimento do Brasil para 2025/26 totalizará 63 milhões de sacos, embora isso represente uma queda de 3,1% em relação às estimativas anteriores — destacando a volatilidade inerente às previsões de commodities.
Na última quinta-feira, demonstrou-se como narrativas climáticas podem fornecer suporte temporário aos preços. Quando os dados da Somar Meteorologia indicaram que Minas Gerais, principal centro de produção de arábica, recebeu apenas 47,9 mm de chuva na semana que terminou em 2 de janeiro — o que equivale a apenas 67% da média histórica — os preços do arábica subiram para um máximo de quatro semanas. No entanto, este rally agora reverteu-se, pois as previsões de chuva sugerem que a pressão da seca irá diminuir.
Estrutura do mercado sinaliza crescimento do excesso de oferta
As tendências de inventário fornecem confirmação adicional das pressões de oferta emergentes. Os estoques de arábica na ICE caíram para um mínimo de 1,75 anos, de 398.645 sacos em 20 de novembro, mas desde então recuperaram para 461.829 sacos — um máximo de 2,5 meses até quarta-feira. Os estoques de robusta também atingiram mínimos de um ano em dezembro, antes de se recuperarem para máximos de cinco semanas, um padrão consistente com a desestocagem sazonal e a tentativa do mercado de absorver fluxos adicionais de oferta.
A Organização Internacional do Café reportou que as exportações globais de café para o ano de comercialização atual (Outubro a setembro) diminuíram marginalmente 0,3% em relação ao ano anterior, para 138,658 milhões de sacos, sugerindo uma limitação na escassez ao nível de exportação, apesar das preocupações com a produção.
Normalização tarifária não estimula a procura
As dinâmicas de importação dos EUA evidenciam a fraqueza na procura que sustenta avaliações mais baixas. Entre agosto e outubro de 2024, quando tarifas elevadas sobre o café brasileiro estavam em vigor, as importações dos EUA caíram 52% em relação ao ano anterior, para apenas 983.970 sacos. Embora as tarifas tenham sido posteriormente reduzidas, os estoques de café nos EUA permanecem restritos, e a recuperação das importações tem sido gradual. Isso sugere que, mesmo com a normalização das barreiras comerciais, a recuperação da procura pode não acompanhar o ritmo do fluxo de suprimentos.
Pressão de preços deve persistir enquanto os estoques finais contraem
O equilíbrio de oferta e procura da ICO prevê que os estoques finais para 2025/26 cairão 5,4%, para 20,148 milhões de sacos, de 21,307 milhões de sacos em 2024/25. Embora esta contração de estoques indique alguma restrição de mercado, ela ocorre num contexto de produção global recorde — uma dinâmica que normalmente limita a valorização dos preços. A dinâmica de preços do café no Vietname continuará a ser fundamental para o mercado mais amplo de robusta, dado o posicionamento dominante do país e as estimativas de colheita em expansão.
A convergência de previsões de produção abundante, força cambial do dólar norte-americano, estoques normalizados e procura global fraca cria um ambiente estrutural onde a pressão de baixa nos preços parece mais provável do que reversões otimistas a curto prazo.