A Autoridade de Mercados Financeiros de França (AMF) emitiu recentemente um aviso de que, entre cerca de 90 empresas de criptomoedas não licenciadas pelo MiCA na França, quase um terço ainda não esclareceu junto das autoridades se planeia solicitar uma licença. Com o período de transição do Regulamento do Mercado de Criptoativos da UE (MiCA) a terminar a 30 de junho, estas empresas “silenciosas” enfrentam uma decisão crucial: solicitar a licença antes do prazo ou proceder a uma saída ordenada. De acordo com os dados mais recentes, 30% das empresas já solicitaram licença, 40% deixaram claro que não irão solicitar, mas os restantes 30% continuam sem uma posição definida, o que se tornou na maior preocupação das autoridades reguladoras.
O que é o MiCA e por que é tão importante
O MiCA é o regulamento da UE lançado em 2023 para supervisionar o mercado de criptoativos, com o objetivo de criar um quadro regulatório unificado para o setor. Simplificando, esta legislação exige que todas as empresas que oferecem serviços de criptomoedas na UE obtenham as licenças e autorizações necessárias. França, como Estado-membro da UE, também está a implementar esta norma. Desde o final de 2023, foi criado um período de transição que permite às empresas de criptomoedas já registadas, mas sem licença sob o MiCA, solicitar a licença. Contudo, esta janela de transição está a fechar rapidamente, com o prazo final a ser a 30 de junho de 2026.
Análise da situação: o dilema por trás da divisão em três
Segundo dados da AMF, entre cerca de 90 empresas de criptomoedas registadas, mas sem licença sob o MiCA, as situações dividem-se em três categorias:
Atitude da empresa
Percentagem
Situação específica
Já solicitaram licença
30%
Respondem ativamente às exigências regulatórias, estão em conformidade
Claramente não irão solicitar
40%
Possivelmente irão sair do mercado francês ou da UE
Sem resposta ou plano definido
30%
Atitude indefinida, nem solicitaram nem indicaram intenção de sair
A maior preocupação das autoridades reguladoras é com estas 30% de empresas que permanecem sem uma resposta. O diretor executivo do departamento de supervisão de mercado da AMF afirmou que este silêncio aumenta a incerteza regulatória e pode indicar que estas empresas não têm uma visão clara do seu futuro. Algumas podem estar a aguardar o desenvolvimento da situação, outras podem não ter recursos suficientes para cumprir os requisitos do MiCA, e outras ainda podem estar a enfrentar dificuldades operacionais.
Pressão temporal: cerca de 5 meses até ao limite
Atualmente, faltam aproximadamente 5 meses para o prazo de 30 de junho. Este período parece suficiente, mas para as empresas de criptomoedas que precisam de completar processos complexos de conformidade, o tempo pode ser mais curto do que parece. A solicitação de licença sob o MiCA envolve várias etapas: auditorias financeiras, implementação de sistemas de gestão de risco, formação de equipas de conformidade, preparação de documentação regulatória, entre outros. Para pequenas e médias empresas de criptomoedas com recursos limitados, cumprir todos estes requisitos num curto espaço de tempo pode ser difícil.
Esta situação explica também por que 40% das empresas já optaram por não solicitar licença. Para estas, gastar recursos consideráveis na obtenção de uma licença pode não ser viável, sendo mais prudente uma saída ordenada para preservar a sobrevivência do negócio.
Significado das empresas já licenciadas
É importante notar que empresas de destaque como Coinbase, Circle, Revolut já obtiveram a licença sob o MiCA. Isto demonstra que a obtenção de licença é possível, desde que as empresas tenham recursos e determinação suficientes. Estes exemplos de sucesso enviam um sinal claro ao mercado: estar em conformidade não é o fim, mas uma condição essencial para entrar no mercado da UE.
Impactos futuros no mercado
Com a aproximação de 30 de junho, o mercado pode enfrentar várias situações:
Saídas em massa: Das 30% de empresas que ainda não responderam, se não tomarem uma decisão, podem ser obrigadas a implementar planos de encerramento ordenado, o que afetará os seus utilizadores e ativos.
Aceleração de consolidação: Algumas PME podem ser forçadas a procurar aquisições ou fusões para manter a presença no mercado da UE.
Aumento da concentração de mercado: Empresas que obtiverem licença terão maior quota de mercado, levando a uma maior concentração do setor.
Questões de proteção ao utilizador: Durante o encerramento, a gestão adequada dos ativos dos utilizadores será fundamental, podendo atrair maior atenção regulatória.
De acordo com a Autoridade Europeia de Valores Mobiliários e Mercados (ESMA), as empresas sem autorização sob o MiCA devem, antes do final do período de transição, elaborar e implementar um plano de “saída ordenada”, o que indica que as autoridades estão a preparar-se para o pior cenário.
Resumo
Este caso na França reflete as grandes mudanças que o setor de criptomoedas está a atravessar globalmente. De um crescimento desregulado a uma gestão regulatória mais rigorosa, as empresas enfrentam não só a concorrência de mercado, mas também o teste de conformidade. Os 30% de empresas que ainda não responderam estão numa fase decisiva, e as suas escolhas determinarão o seu futuro. Para toda a indústria, a implementação do MiCA marca a transição do setor de uma atividade marginal para uma parte integrante do sistema financeiro, sujeita a regras mais estritas. Nos próximos meses, será importante acompanhar como esta história evolui.
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90 empresas de criptografia em crise: o prazo de junho na França está se aproximando, e 30% das empresas ainda não se pronunciaram
A Autoridade de Mercados Financeiros de França (AMF) emitiu recentemente um aviso de que, entre cerca de 90 empresas de criptomoedas não licenciadas pelo MiCA na França, quase um terço ainda não esclareceu junto das autoridades se planeia solicitar uma licença. Com o período de transição do Regulamento do Mercado de Criptoativos da UE (MiCA) a terminar a 30 de junho, estas empresas “silenciosas” enfrentam uma decisão crucial: solicitar a licença antes do prazo ou proceder a uma saída ordenada. De acordo com os dados mais recentes, 30% das empresas já solicitaram licença, 40% deixaram claro que não irão solicitar, mas os restantes 30% continuam sem uma posição definida, o que se tornou na maior preocupação das autoridades reguladoras.
O que é o MiCA e por que é tão importante
O MiCA é o regulamento da UE lançado em 2023 para supervisionar o mercado de criptoativos, com o objetivo de criar um quadro regulatório unificado para o setor. Simplificando, esta legislação exige que todas as empresas que oferecem serviços de criptomoedas na UE obtenham as licenças e autorizações necessárias. França, como Estado-membro da UE, também está a implementar esta norma. Desde o final de 2023, foi criado um período de transição que permite às empresas de criptomoedas já registadas, mas sem licença sob o MiCA, solicitar a licença. Contudo, esta janela de transição está a fechar rapidamente, com o prazo final a ser a 30 de junho de 2026.
Análise da situação: o dilema por trás da divisão em três
Segundo dados da AMF, entre cerca de 90 empresas de criptomoedas registadas, mas sem licença sob o MiCA, as situações dividem-se em três categorias:
A maior preocupação das autoridades reguladoras é com estas 30% de empresas que permanecem sem uma resposta. O diretor executivo do departamento de supervisão de mercado da AMF afirmou que este silêncio aumenta a incerteza regulatória e pode indicar que estas empresas não têm uma visão clara do seu futuro. Algumas podem estar a aguardar o desenvolvimento da situação, outras podem não ter recursos suficientes para cumprir os requisitos do MiCA, e outras ainda podem estar a enfrentar dificuldades operacionais.
Pressão temporal: cerca de 5 meses até ao limite
Atualmente, faltam aproximadamente 5 meses para o prazo de 30 de junho. Este período parece suficiente, mas para as empresas de criptomoedas que precisam de completar processos complexos de conformidade, o tempo pode ser mais curto do que parece. A solicitação de licença sob o MiCA envolve várias etapas: auditorias financeiras, implementação de sistemas de gestão de risco, formação de equipas de conformidade, preparação de documentação regulatória, entre outros. Para pequenas e médias empresas de criptomoedas com recursos limitados, cumprir todos estes requisitos num curto espaço de tempo pode ser difícil.
Esta situação explica também por que 40% das empresas já optaram por não solicitar licença. Para estas, gastar recursos consideráveis na obtenção de uma licença pode não ser viável, sendo mais prudente uma saída ordenada para preservar a sobrevivência do negócio.
Significado das empresas já licenciadas
É importante notar que empresas de destaque como Coinbase, Circle, Revolut já obtiveram a licença sob o MiCA. Isto demonstra que a obtenção de licença é possível, desde que as empresas tenham recursos e determinação suficientes. Estes exemplos de sucesso enviam um sinal claro ao mercado: estar em conformidade não é o fim, mas uma condição essencial para entrar no mercado da UE.
Impactos futuros no mercado
Com a aproximação de 30 de junho, o mercado pode enfrentar várias situações:
De acordo com a Autoridade Europeia de Valores Mobiliários e Mercados (ESMA), as empresas sem autorização sob o MiCA devem, antes do final do período de transição, elaborar e implementar um plano de “saída ordenada”, o que indica que as autoridades estão a preparar-se para o pior cenário.
Resumo
Este caso na França reflete as grandes mudanças que o setor de criptomoedas está a atravessar globalmente. De um crescimento desregulado a uma gestão regulatória mais rigorosa, as empresas enfrentam não só a concorrência de mercado, mas também o teste de conformidade. Os 30% de empresas que ainda não responderam estão numa fase decisiva, e as suas escolhas determinarão o seu futuro. Para toda a indústria, a implementação do MiCA marca a transição do setor de uma atividade marginal para uma parte integrante do sistema financeiro, sujeita a regras mais estritas. Nos próximos meses, será importante acompanhar como esta história evolui.