Em 13/1, o Comitê de Bancos do Senado dos EUA divulgou o texto completo do projeto de lei (Digital Asset Market Clarity Act – abreviado como CLARITY) antes da discussão e revisão previstas para esta semana. Com 278 páginas, o projeto de lei é visto como um marco importante, podendo abrir um novo ciclo de crescimento para o Bitcoin e todo o mercado de criptomoedas.
Ao contrário da abordagem antiga de “escolher um lado” para cada token, a CLARITY constrói um sistema de “faixas” legais, classificando os ativos digitais com base em seu ciclo de vida e função real. Essa abordagem visa criar uma estrutura jurídica abrangente, clara e consistente para o setor.
O presidente do Comitê de Bancos do Senado, senador Tim Scott, afirmou que o projeto de lei trará proteção e segurança aos investidores, além de acabar com a estagnação prolongada de Washington na gestão de criptomoedas. Segundo ele, a CLARITY coloca os interesses do povo em primeiro lugar, combate o crime e mantém o futuro financeiro nos EUA.
Ponte Entre SEC E CFTC
O foco do projeto é estabelecer uma ponte jurídica entre as duas principais agências reguladoras do mercado financeiro dos EUA: a (SEC) e a (CFTC).
O projeto reconhece que um token pode inicialmente parecer um valor mobiliário se for vendido com promessa de lucro por parte da equipe de desenvolvimento, mas ao longo do tempo pode evoluir para um ativo de rede com características de “mercadoria”, quando o grau de descentralização for suficiente.
Para operacionalizar esse mecanismo, a CLARITY introduz o conceito de “ativo auxiliar” (ancillary asset) – ou seja, tokens que ainda dependem de esforços de gestão ou operação por parte do emissor. Para esses, a SEC será responsável principalmente pela transparência, combate à fraude e supervisão de captação de recursos, seguindo um modelo semelhante ao de empresas públicas.
Quando o token atender aos critérios para se tornar uma “mercadoria digital”, o papel de gestão do mercado de negociação e intermediários será transferido para a CFTC. Em outras palavras, a SEC gerencia a fase de “promoção e captação de recursos”, enquanto a CFTC supervisiona a negociação e operação do mercado.
Visto Rápido para ETF e Bitcoin
Um ponto de destaque é a prioridade dada aos ativos já listados como produtos ETF negociados na bolsa de valores dos EUA antes de 1/1/2026. Esses tokens não serão classificados como “ativos auxiliares”, sendo automaticamente reconhecidos como mercadorias digitais.
Isso significa que o Bitcoin e o Ethereum – dois ativos já com ETF – quase certamente terão acesso à “faixa rápida” legal. Além disso, se outros ETFs forem aprovados, nomes como XRP, Solana, Litecoin, Dogecoin, Chainlink ou Hedera também poderão ser classificados junto com BTC e ETH.
Matt Hougan, Diretor de Investimentos da Bitwise, compara a CLARITY a “o toupeira Punxsutawney Phil do inverno cripto”, sugerindo que, se o projeto de lei for sancionado, o mercado poderá logo entrar na “primavera” e alcançar novos picos.
Desbloqueando o Staking de Ethereum
O projeto também aborda a preocupação de longa data de que as recompensas de staking possam ser consideradas renda de valores mobiliários. A CLARITY define as recompensas de staking como “distribuição gratuita” e estabelece uma presunção jurídica de que elas não são automaticamente consideradas uma oferta de valores mobiliários.
O projeto cobre várias formas de staking, desde o auto-staking, staking não custodial via terceiros, até modelos de liquid staking. Isso cria um ambiente jurídico seguro para o ecossistema Ethereum, que anteriormente enfrentou forte pressão de ações judiciais da SEC.
Stablecoins e a Guerra de Retornos
No caso das stablecoins, a CLARITY estabelece limites claros. Stablecoins de pagamento, como USDC, devem ser totalmente garantidas, trocadas por valor equivalente e não pagar juros apenas por manter o token.
No entanto, o projeto ainda permite que stablecoins sejam usadas em outros sistemas para gerar rendimento, como empréstimos DeFi, mercados monetários on-chain ou contas de juros supervisionadas. Assim, as stablecoins continuam sendo uma ferramenta de pagamento “sem graça”, enquanto produtos de geração de retorno serão entidades financeiras com gestão própria.
Corredor Seguro para DeFi Não Custodial
A CLARITY também aborda diretamente o DeFi. Em vez de discutir “carteira ou site”, o projeto aplica um teste baseado no controle.
Se uma interface web não mantém fundos dos usuários, não possui chaves privadas e não tem poder de bloquear ou reordenar transações, ela é considerada um software puro, não uma corretora ou exchange. Isso cria um ambiente jurídico para plataformas não custodiais como Uniswap, 1inch ou a interface de swap do MetaMask.
Por outro lado, qualquer entidade capaz de controlar ativos dos usuários, roteirizar ordens ou agrupar ordens será classificada como intermediária financeira e deverá cumprir regulamentos rigorosos.
Expectativas e Controvérsias
Embora seja altamente avaliado por investidores e pelo mercado – com uma probabilidade de cerca de 80% de a CLARITY ser sancionada neste ano – o projeto ainda gera controvérsia.
Alguns especialistas temem que as cláusulas de supervisão de negociações e registro universal possam afetar a privacidade e o espírito de descentralização. Além disso, as regulamentações sobre rendimento de stablecoins e DeFi continuam sendo pontos sensíveis, deixando bancos e a comunidade cripto insatisfeitos.
No entanto, não há como negar que a CLARITY representa o esforço mais sério e abrangente do governo dos EUA até hoje para tirar as criptomoedas da “zona cinzenta” jurídica.
Se aprovada, a lei não apenas abrirá um caminho claro para o Bitcoin e Ethereum, mas também poderá atuar como catalisador para levar todo o mercado a um novo ciclo de crescimento, com picos históricos aguardando à frente.
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O Governo dos EUA abre caminho para o Bitcoin e as criptomoedas conquistarem novos picos com o projeto de lei CLARITY
Em 13/1, o Comitê de Bancos do Senado dos EUA divulgou o texto completo do projeto de lei (Digital Asset Market Clarity Act – abreviado como CLARITY) antes da discussão e revisão previstas para esta semana. Com 278 páginas, o projeto de lei é visto como um marco importante, podendo abrir um novo ciclo de crescimento para o Bitcoin e todo o mercado de criptomoedas. Ao contrário da abordagem antiga de “escolher um lado” para cada token, a CLARITY constrói um sistema de “faixas” legais, classificando os ativos digitais com base em seu ciclo de vida e função real. Essa abordagem visa criar uma estrutura jurídica abrangente, clara e consistente para o setor. O presidente do Comitê de Bancos do Senado, senador Tim Scott, afirmou que o projeto de lei trará proteção e segurança aos investidores, além de acabar com a estagnação prolongada de Washington na gestão de criptomoedas. Segundo ele, a CLARITY coloca os interesses do povo em primeiro lugar, combate o crime e mantém o futuro financeiro nos EUA. Ponte Entre SEC E CFTC O foco do projeto é estabelecer uma ponte jurídica entre as duas principais agências reguladoras do mercado financeiro dos EUA: a (SEC) e a (CFTC). O projeto reconhece que um token pode inicialmente parecer um valor mobiliário se for vendido com promessa de lucro por parte da equipe de desenvolvimento, mas ao longo do tempo pode evoluir para um ativo de rede com características de “mercadoria”, quando o grau de descentralização for suficiente. Para operacionalizar esse mecanismo, a CLARITY introduz o conceito de “ativo auxiliar” (ancillary asset) – ou seja, tokens que ainda dependem de esforços de gestão ou operação por parte do emissor. Para esses, a SEC será responsável principalmente pela transparência, combate à fraude e supervisão de captação de recursos, seguindo um modelo semelhante ao de empresas públicas. Quando o token atender aos critérios para se tornar uma “mercadoria digital”, o papel de gestão do mercado de negociação e intermediários será transferido para a CFTC. Em outras palavras, a SEC gerencia a fase de “promoção e captação de recursos”, enquanto a CFTC supervisiona a negociação e operação do mercado. Visto Rápido para ETF e Bitcoin Um ponto de destaque é a prioridade dada aos ativos já listados como produtos ETF negociados na bolsa de valores dos EUA antes de 1/1/2026. Esses tokens não serão classificados como “ativos auxiliares”, sendo automaticamente reconhecidos como mercadorias digitais. Isso significa que o Bitcoin e o Ethereum – dois ativos já com ETF – quase certamente terão acesso à “faixa rápida” legal. Além disso, se outros ETFs forem aprovados, nomes como XRP, Solana, Litecoin, Dogecoin, Chainlink ou Hedera também poderão ser classificados junto com BTC e ETH. Matt Hougan, Diretor de Investimentos da Bitwise, compara a CLARITY a “o toupeira Punxsutawney Phil do inverno cripto”, sugerindo que, se o projeto de lei for sancionado, o mercado poderá logo entrar na “primavera” e alcançar novos picos. Desbloqueando o Staking de Ethereum O projeto também aborda a preocupação de longa data de que as recompensas de staking possam ser consideradas renda de valores mobiliários. A CLARITY define as recompensas de staking como “distribuição gratuita” e estabelece uma presunção jurídica de que elas não são automaticamente consideradas uma oferta de valores mobiliários. O projeto cobre várias formas de staking, desde o auto-staking, staking não custodial via terceiros, até modelos de liquid staking. Isso cria um ambiente jurídico seguro para o ecossistema Ethereum, que anteriormente enfrentou forte pressão de ações judiciais da SEC. Stablecoins e a Guerra de Retornos No caso das stablecoins, a CLARITY estabelece limites claros. Stablecoins de pagamento, como USDC, devem ser totalmente garantidas, trocadas por valor equivalente e não pagar juros apenas por manter o token. No entanto, o projeto ainda permite que stablecoins sejam usadas em outros sistemas para gerar rendimento, como empréstimos DeFi, mercados monetários on-chain ou contas de juros supervisionadas. Assim, as stablecoins continuam sendo uma ferramenta de pagamento “sem graça”, enquanto produtos de geração de retorno serão entidades financeiras com gestão própria. Corredor Seguro para DeFi Não Custodial A CLARITY também aborda diretamente o DeFi. Em vez de discutir “carteira ou site”, o projeto aplica um teste baseado no controle. Se uma interface web não mantém fundos dos usuários, não possui chaves privadas e não tem poder de bloquear ou reordenar transações, ela é considerada um software puro, não uma corretora ou exchange. Isso cria um ambiente jurídico para plataformas não custodiais como Uniswap, 1inch ou a interface de swap do MetaMask. Por outro lado, qualquer entidade capaz de controlar ativos dos usuários, roteirizar ordens ou agrupar ordens será classificada como intermediária financeira e deverá cumprir regulamentos rigorosos. Expectativas e Controvérsias Embora seja altamente avaliado por investidores e pelo mercado – com uma probabilidade de cerca de 80% de a CLARITY ser sancionada neste ano – o projeto ainda gera controvérsia. Alguns especialistas temem que as cláusulas de supervisão de negociações e registro universal possam afetar a privacidade e o espírito de descentralização. Além disso, as regulamentações sobre rendimento de stablecoins e DeFi continuam sendo pontos sensíveis, deixando bancos e a comunidade cripto insatisfeitos. No entanto, não há como negar que a CLARITY representa o esforço mais sério e abrangente do governo dos EUA até hoje para tirar as criptomoedas da “zona cinzenta” jurídica. Se aprovada, a lei não apenas abrirá um caminho claro para o Bitcoin e Ethereum, mas também poderá atuar como catalisador para levar todo o mercado a um novo ciclo de crescimento, com picos históricos aguardando à frente.