O Mistério dos Dividendos de Que Ninguém Está a Falar
Quando uma grande empresa farmacêutica tem uma ação com um rendimento próximo de 7%, algo parece estar errado. Afinal, a maioria dos dividendos de empresas blue-chip ronda os 3-4%. E aqui está a Pfizer (NYSE: PFE), um nome familiar no setor farmacêutico, a oferecer esse tipo de pagamento—e o mercado mal parece notar.
O que torna esta situação digna de análise? A Pfizer não apenas manteve o seu dividendo; aumentou-o durante 16 anos consecutivos. Para uma grande farmacêutica, essa consistência é importante. A avaliação atual da ação já refletiu um pessimismo sério, mas será que isso é realista?
A Ressaca Pós-Pandemia Explica Tudo
A matemática é simples: as receitas da Pfizer colapsaram assim que a pandemia terminou. A vacina contra o coronavírus e o antiviral Paxlovid—que impulsionaram vendas massivas durante a COVID-19—têm visto a procura cair drasticamente. Para ser direto, as receitas anuais caíram cerca de 40% em relação ao pico de 2022, que foi de pouco mais de $100 bilhões.
Os participantes do mercado reagiram a essa mudança derrubando as ações. Os vendedores parecem ter adotado a mentalidade de “os lucros da pandemia acabaram, esta empresa está feita”. No entanto, essa narrativa ignora o que realmente está a acontecer dentro dos laboratórios da Pfizer.
O Pipeline de Blockbusters que Está a Reescrever a História
Aqui está o que é esquecido: a máquina de investigação e desenvolvimento da Pfizer nunca parou de trabalhar. Sim, a COVID consumiu recursos e redirecionou o foco. Mas a empresa adquiriu estrategicamente a Seagen em 2023, fortalecendo o seu portefólio de oncologia.
Olhando para 2030, a Pfizer espera ter pelo menos oito novos medicamentos considerados “blockbusters”—ou seja, qualquer medicação que gere $1 bilhões ou mais em vendas anuais. A empresa não vai parar por aí; muitas dessas terapêuticas podem ultrapassar significativamente esse limiar de um bilhão de dólares.
A matemática financeira torna-se interessante: a Pfizer projeta que entre $20-25 bilhões em novas receitas irão entrar até 2030, provenientes dessas adições ao pipeline. Isso é suficiente para sustentar a trajetória de crescimento dos dividendos que os investidores passaram a esperar desta gigante farmacêutica.
Onde Está o Verdadeiro Risco
Nada disso é isento de risco. Os cronogramas de desenvolvimento farmacêutico podem atrasar. As aprovações da FDA podem ser adiadas. Ensaios clínicos podem fracassar. Toda a indústria enfrenta obstáculos regulatórios e o fim da patente de vários produtos. Essas são preocupações legítimas para qualquer investidor em ações do setor farmacêutico.
Mas aqui está a principal ideia: um rendimento de 7% já reflete um ceticismo significativo. O mercado já incorporou uma dúvida substancial sobre a capacidade da Pfizer de executar. Se mesmo uma fração do pipeline de P&D entregar conforme o esperado, os acionistas podem beneficiar tanto do crescimento dos dividendos quanto da potencial valorização do capital.
A Oportunidade Esquecida
A Pfizer representa uma desconexão clássica entre a perceção do mercado e os fundamentos subjacentes. O dividendo da gigante farmacêutica continua bem suportado pelos fluxos de caixa, o seu pipeline de crescimento oferece um potencial real de valorização, e a sua avaliação reflete um pessimismo pesado quanto à execução.
Se ações farmacêuticas como a Pfizer merecem um lugar na sua carteira depende da sua tolerância ao risco. Mas ignorar a oportunidade de forma definitiva—especialmente com os rendimentos atuais—pode significar perder uma jogada de rendimento atraente num setor que poucos estão a prestar atenção neste momento.
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Por que as ações de farmacêuticas como a Pfizer são silenciosamente atraentes apesar do ceticismo do mercado
O Mistério dos Dividendos de Que Ninguém Está a Falar
Quando uma grande empresa farmacêutica tem uma ação com um rendimento próximo de 7%, algo parece estar errado. Afinal, a maioria dos dividendos de empresas blue-chip ronda os 3-4%. E aqui está a Pfizer (NYSE: PFE), um nome familiar no setor farmacêutico, a oferecer esse tipo de pagamento—e o mercado mal parece notar.
O que torna esta situação digna de análise? A Pfizer não apenas manteve o seu dividendo; aumentou-o durante 16 anos consecutivos. Para uma grande farmacêutica, essa consistência é importante. A avaliação atual da ação já refletiu um pessimismo sério, mas será que isso é realista?
A Ressaca Pós-Pandemia Explica Tudo
A matemática é simples: as receitas da Pfizer colapsaram assim que a pandemia terminou. A vacina contra o coronavírus e o antiviral Paxlovid—que impulsionaram vendas massivas durante a COVID-19—têm visto a procura cair drasticamente. Para ser direto, as receitas anuais caíram cerca de 40% em relação ao pico de 2022, que foi de pouco mais de $100 bilhões.
Os participantes do mercado reagiram a essa mudança derrubando as ações. Os vendedores parecem ter adotado a mentalidade de “os lucros da pandemia acabaram, esta empresa está feita”. No entanto, essa narrativa ignora o que realmente está a acontecer dentro dos laboratórios da Pfizer.
O Pipeline de Blockbusters que Está a Reescrever a História
Aqui está o que é esquecido: a máquina de investigação e desenvolvimento da Pfizer nunca parou de trabalhar. Sim, a COVID consumiu recursos e redirecionou o foco. Mas a empresa adquiriu estrategicamente a Seagen em 2023, fortalecendo o seu portefólio de oncologia.
Olhando para 2030, a Pfizer espera ter pelo menos oito novos medicamentos considerados “blockbusters”—ou seja, qualquer medicação que gere $1 bilhões ou mais em vendas anuais. A empresa não vai parar por aí; muitas dessas terapêuticas podem ultrapassar significativamente esse limiar de um bilhão de dólares.
A matemática financeira torna-se interessante: a Pfizer projeta que entre $20-25 bilhões em novas receitas irão entrar até 2030, provenientes dessas adições ao pipeline. Isso é suficiente para sustentar a trajetória de crescimento dos dividendos que os investidores passaram a esperar desta gigante farmacêutica.
Onde Está o Verdadeiro Risco
Nada disso é isento de risco. Os cronogramas de desenvolvimento farmacêutico podem atrasar. As aprovações da FDA podem ser adiadas. Ensaios clínicos podem fracassar. Toda a indústria enfrenta obstáculos regulatórios e o fim da patente de vários produtos. Essas são preocupações legítimas para qualquer investidor em ações do setor farmacêutico.
Mas aqui está a principal ideia: um rendimento de 7% já reflete um ceticismo significativo. O mercado já incorporou uma dúvida substancial sobre a capacidade da Pfizer de executar. Se mesmo uma fração do pipeline de P&D entregar conforme o esperado, os acionistas podem beneficiar tanto do crescimento dos dividendos quanto da potencial valorização do capital.
A Oportunidade Esquecida
A Pfizer representa uma desconexão clássica entre a perceção do mercado e os fundamentos subjacentes. O dividendo da gigante farmacêutica continua bem suportado pelos fluxos de caixa, o seu pipeline de crescimento oferece um potencial real de valorização, e a sua avaliação reflete um pessimismo pesado quanto à execução.
Se ações farmacêuticas como a Pfizer merecem um lugar na sua carteira depende da sua tolerância ao risco. Mas ignorar a oportunidade de forma definitiva—especialmente com os rendimentos atuais—pode significar perder uma jogada de rendimento atraente num setor que poucos estão a prestar atenção neste momento.