
A Comissão Especial do Congresso dos EUA sobre a China enviou uma carta conjunta a três corretoras de Wall Street, solicitando a apresentação de documentos relacionados ao apoio dessas empresas chinesas na abertura de capital nos EUA, sob a alegação de que essas companhias supostamente facilitam manipulações e fraudes de “puxar para cima e vender” ações de ações chinesas, criando um esquema de manipulação. A mais notória delas é a Dominari Securities, cuja matriz é de propriedade do filho do ex-presidente, Eric Trump, que também entrou no conselho consultivo da empresa em fevereiro de 2025, tornando a investigação altamente sensível.
O histórico político da Dominari Securities faz com que ela se destaque entre as três empresas sob investigação. A sede da empresa fica no Trump Tower, em Nova York, e o quarto maior acionista da controladora Dominari Holdings é Eric Trump. Essa não é a única conexão de Eric com a Dominari — no ano passado, a empresa ajudou a financiar a Thumzup, uma companhia listada na bolsa que utiliza Bitcoin (BTC) como estratégia de reserva de ativos, e Donald Trump Jr. também investiu milhões de dólares nela, fortalecendo os laços comerciais entre a família Trump e o ecossistema financeiro de criptomoedas.
Essa profunda ligação familiar no âmbito empresarial dá um significado que vai além do mero cumprimento regulatório. Em um contexto de seu segundo mandato presidencial, a investigação conduzida por membros de ambos os partidos aponta para uma instituição financeira com ligação direta aos negócios da família Trump, carregando um simbolismo político elevado na ecologia política de Washington.
A investigação foi iniciada pela Comissão Especial do Congresso sobre a China, presidida pelo republicano John Moolenaar e pelo democrata Ro Khanna. A estrutura bipartidária de liderança confere à investigação uma legitimidade institucional que dificulta sua caracterização como mera repressão política.
Na carta enviada às empresas, a comissão deixou claro seu raciocínio central: “Esses esquemas de fraude envolvem a coordenação de ‘puxar para cima e vender’ ações de empresas fantasmas chinesas listadas nos Estados Unidos, enganando famílias americanas, e parece que sua empresa facilitou esse processo.” É importante notar que a expressão usada foi “parece que facilitou”, não uma acusação direta, refletindo a cautela típica de uma investigação legislativa.
A comissão solicitou que as três empresas entregassem uma vasta gama de documentos até esta sexta-feira:
O contexto macro da investigação envolve uma escala massiva de manipulação de mercado. Dados citados pela comissão indicam que, desde 2023, esquemas coordenados de manipulação de ações chinesas resultaram em perdas de aproximadamente 16 bilhões de dólares para investidores americanos, com um aumento de 300% nas denúncias ao FBI nesse período, além de alertas prévios do FINRA (Autoridade Reguladora de Indústria Financeira dos EUA).
Segundo a investigação, o padrão típico de manipulação inclui: empresas chinesas listadas nos EUA, que, após o IPO, colaboram com promotores de mercado, usando dezenas de contas para coordenar compras e elevar artificialmente o cotado das ações; após a valorização, insiders vendem suas participações em massa, enquanto investidores de varejo sofrem perdas na queda subsequente.
Essa existência de um padrão sistemático levanta questionamentos profundos sobre a conformidade das instituições financeiras intermediárias americanas: quais diligências devida foram feitas pelos bancos de investimento ao ajudar essas empresas a abrir capital? Eles simplesmente ignoraram sinais de manipulação potencial?
Atualmente, a investigação do Congresso é uma investigação legislativa, cujo objetivo é coletar informações e documentos, não uma acusação criminal direta. Ser solicitado a colaborar não equivale a uma condenação. Contudo, se a investigação revelar que a empresa cometeu falhas de conformidade na assistência às IPOs chinesas, essas informações podem ser encaminhadas ao Departamento de Justiça ou à SEC para investigações criminais ou civis posteriores.
A complexidade reside no fato de que membros da família Trump atualmente ocupam posições centrais na estrutura do governo (a família do ex-presidente) e também aparecem como acionistas e membros do conselho de consultoria das instituições financeiras sob investigação. Essa sobreposição entre interesses políticos e empresariais aumenta o escrutínio público sobre a independência da investigação e a credibilidade das ações de aplicação da lei, independentemente do resultado final.
Até o momento, nenhuma conclusão judicial foi feita. A investigação do comitê foca em questões de conformidade das instituições financeiras, não na política governamental. Vale destacar que o comitê é bipartidário, e seu foco é “se as instituições financeiras americanas ajudaram a manipular o mercado em prejuízo dos investidores americanos”, uma questão que transcende posições partidárias.